
Cada vez mais, o cuidado com a saúde mental tem feito parte da rotina dos brasileiros, especialmente diante de uma vida marcada por cobranças, estresse e sobrecarga emocional. Nesse contexto, aprender a reconhecer e lidar com emoções consideradas “incômodas”, como ansiedade, medo e frustração, tem se tornado fundamental para o bem-estar.
No Instituto de Promoção e de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Sergipe (Ipesaúde), o acompanhamento profissional contribui para que cada pessoa compreenda melhor seus sentimentos e desenvolva formas mais saudáveis de lidar com eles no dia a dia. Mais do que evitar ou reprimir emoções difíceis, especialistas destacam a importância de acolher esses sentimentos e entender o que eles sinalizam.
A psicóloga Cybelly Santana é uma das profissionais que atende no Ipesaúde de Itabaiana. Ela chama a atenção para a necessidade de conhecer e exprimir as emoções, inclusive, o medo e a frustração, pois são situações que fazem parte da vida e são indicativas para conhecer os próprios limites e necessidades. “É natural buscarmos o que nos traz felicidade, mas as emoções negativas também cumprem uma função e indicam o que precisa de atenção. Muitas vezes, tentamos inibi-las achando que é controle, quando, na verdade, o importante é entender se há equilíbrio e se nossa resposta está adequada à situação”, alerta.
O beneficiário Lucas Ribeiro Santana, de 26 anos, tem frequentado as consultas psicológicas como parte da rotina de cuidados com a saúde. “As conversas com a profissional ajudam a lidar com sentimentos relacionados ao estresse cotidiano e também utilizo dos jogos de computador para relaxar nesses momentos”, destaca.
Escrita terapêutica
Segundo Cybelly Santana, uma forma de exercitar o autoconhecimento é por meio da escrita terapêutica, também conhecida como journaling — hábito de escrever sobre pensamentos e emoções para organizar a mente e se conhecer melhor. A técnica consiste em colocar no papel tudo aquilo que ocupa espaço na mente, ajudando a organizar os pensamentos. “Geralmente, digo para as pessoas, independentemente do que venha à sua cabeça, só escreva porque, quando colocamos num papel e visualizamos, conseguimos entender que tem certas coisas que não estavam tendo tanta nossa atenção. E aí conseguimos pontuar, organizar e é muito importante porque é só um papel e uma caneta e a gente, muitas vezes, negligencia até isso”, explica.
A especialista reforça que perguntas simples podem ajudar a iniciar a escrita, como: “o que é que eu estou pensando?”, “o que esse pensamento diz a meu respeito?” e “como eu me senti de acordo com esse pensamento?”.
Autoconhecimento
Ao refletir sobre os próprios pensamentos, é possível entender se eles correspondem à realidade, já que, muitas vezes, podem ser mais negativos do que a situação exige. “Nossos pensamentos influenciam diretamente as emoções. Por isso, o autoconhecimento ajuda a entender de onde vêm essas reações e a lidar com elas com mais equilíbrio e gentileza consigo mesmo”, ressalta.

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