
Salvador sediou, na segunda-feira (13), o evento “Bate-papo Atlântico: Ciência e Comunidades”, realizado no bairro do Rio Vermelho, como atividade de abertura da programação da Semana de Pesquisa e Inovação do Oceano Atlântico 2026. Aberto ao público, o encontro promoveu um diálogo acessível sobre o oceano, reunindo pesquisadores, representantes institucionais e integrantes da sociedade civil em torno de experiências que conectam ciência e realidade local.
Organizado pelo Okeano CSA, em parceria com a Secretaria do Meio Ambiente da Bahia (Sema) e a Fiocruz Bahia, com apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA), o bate-papo apostou em um formato informal, pensado para estimular a escuta e a troca direta de conhecimentos. Ao longo da tarde, diferentes perspectivas da academia, de iniciativas locais e da sociedade foram compartilhadas, evidenciando que os desafios ambientais exigem soluções construídas de forma coletiva, com participação ativa das comunidades.
Durante a abertura, a oceanógrafa da Sema, Mariana Fontoura, chamou atenção para a necessidade de tornar o conhecimento científico mais presente no cotidiano das pessoas. Segundo ela, aproximar ciência e território é um passo fundamental para fortalecer o engajamento social nas pautas ambientais. “Acreditamos que a ciência precisa sair dos espaços formais e chegar mais perto das pessoas, nos territórios, nas conversas do dia a dia. O oceano faz parte da nossa vida, especialmente aqui na Bahia, está na nossa cultura, na alimentação, no modo de viver”, destacou.
Também representando a Sema, a oceanógrafa Paloma Avena destacou o papel de Salvador como um espaço onde biodiversidade e cultura se encontram, reforçando a relação histórica da população com o oceano. “Estar aqui, na Bahia, com toda essa diversidade cultural e ambiental, reforça como o oceano está presente na nossa identidade e no nosso cotidiano. Esse tipo de encontro ajuda a aproximar as pessoas desse debate e a fortalecer essa conexão”, ressaltou.
A agenda dedicada à pesquisa e inovação no Atlântico ocorre até o dia 17 de abril na capital baiana. O ponto alto da programação será o Fórum Pan-Atlântico 2026, marcado para os dias 15 e 16, que irá reunir especialistas de diferentes países para discutir cooperação científica, inovação e caminhos para enfrentar os desafios relacionados ao oceano.
Nesse contexto, a gestora de projetos do AIR Centre Portugal, Catarina Duarte, destacou o papel da cooperação internacional e do envolvimento social na construção de respostas mais eficazes. “A ideia é envolver as comunidades e aproximar a ciência de forma mais informal, no dia a dia, nas conversas, nas experiências mais simples. É assim que a gente se torna mais consciente e mais engajado com as questões do oceano”, afirmou.
Considerado o principal encontro anual da Aliança de Pesquisa e Inovação do Oceano Atlântico (AAORIA), o fórum será realizado no SENAI CIMATEC. A proposta é avançar os compromissos da Declaração All-Atlantic, com foco na cooperação entre países, na produção de conhecimento científico e no desenvolvimento de soluções compartilhadas.
A professora e coordenadora de Pesquisa da Pró-Reitoria de Pesquisa e Graduação da UFBA, Olivia Oliveira, reforçou a importância de aproximar a produção acadêmica da sociedade. “Falar de ciência e das nossas pesquisas passa, necessariamente, por essa relação com a comunidade. A gente produz conhecimento, faz pesquisa básica e aplicada, mas é fundamental mostrar como isso chega às pessoas. É nessa interação que a gente promove inclusão e amplia o alcance da universidade”, pontuou.
A programação do fórum inclui painéis e sessões temáticas sobre alfabetização oceânica, resiliência costeira, economia azul sustentável e tecnologias aplicadas ao ambiente marinho. Também estão previstas discussões sobre monitoramento oceânico, segurança alimentar ligada ao mar e planejamento espacial marinho, além de iniciativas voltadas ao engajamento social e à participação de jovens.
Fonte
Ascom/Sema
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