
A valorização da agricultura familiar aliada à produção de alimentos diferenciados tem impulsionado a marca Natucoa Chocolates, criada pela Cooperativa de Serviços Sustentáveis da Bahia (Coopessba), em Ilhéus. Fundada em 2018, a iniciativa aposta na produção artesanal de chocolates veganos e sem glúten, agregando valor ao cacau produzido por agricultores e agricultoras da região.
A proposta surgiu com o objetivo de diversificar a produção e ampliar a renda dos cooperados, incentivando a qualificação do cultivo do cacau para atender às exigências do mercado. Com isso, além de melhorar a qualidade da matéria-prima, a iniciativa fortalece toda a cadeia produtiva.
Criada em 2008, a Coopessba já atuava na comercialização de produtos da agricultura familiar por meio de políticas públicas do Governo Federal, como o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), atendendo 18 municípios da região.
Com a criação da Natucoa Chocolates, a cooperativa avançou na industrialização da produção. A iniciativa contou com investimento superior a R$ 4 milhões do Governo do Estado, por meio da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), possibilitando a estruturação da fábrica, com construção de galpão e aquisição de máquinas e equipamentos, além da oferta de assistência técnica contínua, capacitação e kits agrícolas aos associados.
Segundo a diretora da Coopessba, Carine Assunção, a criação da marca trouxe ganhos em toda a cadeia produtiva. “A Natucoa Chocolates nasceu com o objetivo de ofertar um produto diferenciado e de qualidade, mas também de fortalecer a base da cadeia do cacau. Os agricultores passam a compreender que fazem parte de todo o processo e que a qualificação da produção agrega valor ao produto final”, destaca.
Com o crescimento da marca, a produção saltou de 200 quilos para mais de uma tonelada de chocolate por mês. A mudança também impactou diretamente a renda dos produtores. “Hoje, muitos agricultores conseguem se ver inseridos no mercado de forma mais estruturada, com geração de renda e melhores condições de vida”, completa Carine.
Atualmente com 300 associados, a cooperativa produz com a marca Natucoa Chocolates: barras de chocolate com teores entre 56% e 80% de cacau, geleias de mel de cacau, nibs, pastas de cacau com licuri ou castanha, drágeas e chocolate em pó.
Qualificação da produção do cacau
A melhoria da produção foi fundamental para atender às demandas da agroindústria. Os agricultores passaram por capacitações em técnicas de plantio e manejo, além de receberem equipamentos que contribuíram para o aumento da produtividade.
A agricultora Iraildes Lima destaca os resultados alcançados. “Com a assistência técnica, conseguimos aumentar nossa produção. Recebemos equipamentos como estufa e cocho, além de aprendermos técnicas como clonagem e poda. Saímos de uma produção de cinco a dez arrobas para cerca de 20 arrobas, o que melhorou significativamente nossa renda, e possibilitou construir duas casas e dar estudos e cursos aos meus filhos”.
Para o agricultor Josevaldo Santos, as novas condições proporcionadas pela cooperativa contribuíram diretamente para o aumento da rentabilidade dos associados. “Eu trabalhava como gerente em algumas fazendas, mas, com a oportunidade oferecida pelo Governo do Estado, pude valorizar minha própria propriedade. Com a capacitação e a entrega de equipamentos, consegui aperfeiçoar o meu plantio. É muito gratificante ver o cacau produzido na minha terra se transformar em um chocolate de qualidade”, destaca.
Além de fortalecer o campo, a iniciativa também gera oportunidades de trabalho na cidade. A fábrica e a loja da Natucoa Chocolates empregam atualmente oito pessoas.
A supervisora de produção, Vânia Santos, destaca a oportunidade profissional. “Tive a chance de trabalhar na minha cidade após um período fora, onde me especializei na produção de chocolate. Trabalhar com chocolate vegano também trouxe novos desafios”, ressalta.
Ela ainda incentiva o público a conhecer o produto. “Vale a pena experimentar. É um chocolate de qualidade e com um diferencial importante por vir da agricultura familiar”, conclui.
Fonte
Ascom/CAR
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