
Comemorando 136 anos da Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) neste sábado (21/3), o governo Leite entrega, ao Centro Histórico de Porto Alegre, uma primeira impressão de como ficará o restauro de um dos seus prédios componentes do patrimônio cultural da capital e do Estado. A obra chegou a 50% de evolução, e, agora, o chamado Casarão volta a trazer as cores originais mantidas até a década de 1920.
Das quatro fachadas voltadas para o público, três já ostentam os novos tons. São as das avenidas Mauá e Sepúlveda e a da Rua Siqueira Campos. Já o lado da Rua Cassiano Nascimento ainda passa pela renovação.
Memória de 2024
A exceção à nova pintura é o térreo, atingido pela enchente de maio de 2024. Na ocasião, a água chegou a 1,76 metros na face da Rua Siqueira Campos, e a 1,58 na Avenida Mauá. Neste pavimento, as equipes aguardam a eliminação da umidade residual das paredes para que os trabalhos possam ser retomados, e farão um aditivo de contrato para inclusão de limpeza e preparação da base. A maior parte da intervenção ainda não havia sido feita no térreo antes do desastre meteorológico – apenas algumas janelas que já estavam prontas precisarão passar por manutenção novamente.
Além da pintura das fachadas, os pórticos também serão renovados. Eles estão voltados para a Sepúlveda e para a Cassiano Nascimento e unem os dois edifícios, dando a impressão, para quem vê de fora, de tratar-se de uma única construção. O restauro do conjunto, iniciado em janeiro de 2024, tem investimento de R$ 8,3 milhões e previsão de término até o final de 2026.

“É um trabalho minucioso, de atenção a detalhes e de recuperação de valores da construção pensada há várias décadas”, explica o chefe da Seção de Infraestrutura do Departamento de Administração, Guilherme Puglia.
A intervenção prevê ainda a revitalização de todas as fachadas internas, dos revestimentos, dos ornamentos e das esquadrias. No total, serão 690 janelas restauradas, o que envolve a retirada de tinta, a aplicação de óleo para recuperação da madeira e a nova pintura. Mais de 200 já passaram pelo processo.
“Os prédios da Sefaz têm valor imensurável para o centro de Porto Alegre. Investir no restauro do Casarão é uma forma de honrar o passado, de valorizar esse legado. Será uma entrega para nossos servidores, que desempenham suas atividades aqui, e também para a sociedade”, destaca a secretária da Fazenda, Pricilla Santana.
“Comemorar os 136 anos com a perspectiva de finalização dessa revitalização é uma grande celebração para a cidade e para nós, fazendários, que trabalhamos nesse prédio tão belo e tão histórico. Em função da enchente, nós reconstruímos nossa visão sobre o uso dos edifícios, com a ideia de novas ocupações de espaços no térreo. É um ano com perspectiva de grandes entregas para nosso ambiente físico”, complementa a diretora de Administração, Adriana Oliveira.
“Amarelo Sefaz”: cores que retornam às origens
Ao mesmo tempo em que ganha “cara nova”, o conjunto arquitetônico mergulha no passado e retoma as cores originais recebidas após sua construção. Os restauradores do Estúdio Sarasá Conservação e Restauro retiraram sete camadas de diferentes tons para chegar ao pigmento original: a cor ocre, semelhante ao bege e às tonalidades de terra e areia.
A volta ao princípio também se dá no resgate das técnicas construtivas originais. A argamassa é de cal virgem, usada pela humanidade há milhares de anos, e o pigmento da tinta é à base de silicato de potássio. Ambos conferem aos prédios a característica de serem “transpiráveis”, sendo menos afetados pelas inundações.

Para manter essa técnica tão particular, o Estúdio Sarasá traz a tinta da Europa. O silicato fornecido pela Ucrânia é processado na Itália, que envia a tinta transparente ao Brasil. Aqui, a empresa Granilita finaliza com a colorização. O tom ocre característico da casa fazendária ganhou o nome de “Amarelo Sefaz”.
“Nós que fornecemos as coordenadas para que se chegasse a esse pigmento, e ele acabou ganhando esse apelido de ‘Amarelo Sefaz’. Ele é único, feito exclusivamente para a Secretaria da Fazenda. É o tom exato de décadas atrás, quando a construção foi finalizada”, detalha o restaurador Antônio Sarasá.
Aprendizado que veio com a água
O uso das técnicas construtivas originais foi o trunfo do Casarão durante as enchentes. Por usarem argamassa e tinta transpiráveis, os edifícios suportaram melhor o período em que ficaram imersos, diferentemente de outras construções do Centro Histórico.
“Quem construiu já sabia que aquele era um local de inundações. E, quando a água baixou, vimos que, apesar de a cor ter sido prejudicada, os prédios da Sefaz transpiraram. Vários outros edifícios enfrentaram problemas com fungo, descolamento, a argamassa precisou ser refeita... Mas, na Sefaz, a argamassa foi compatível. Os prédios estão nos ensinando a como lidar com essa situação em outros conjuntos históricos do Centro”, destaca Antônio Sarasá.

Os prédios que sediam a Sefaz são uma construção no estilo neoclássico de Theóphilo Borges de Barros e foram feitos em várias etapas ao longo dos anos. As obras do primeiro bloco, que faz frente para a Avenida Mauá, ocorreram na década de 1920, com o acréscimo de mais pavimentos nas décadas seguintes. Já o lado da Siqueira Campos ganhou forma nos anos de 1930, também sendo aumentado nos anos posteriores.
O local abrigou a administração do Cais Mauá e o Banrisul, entre outros órgãos. Foi só na década de 1990 que a Sefaz passou a ocupar os dois edifícios, tornando o conjunto a sua sede. Desde 2009, diferentes iniciativas foram abertas para sua restauração e preservação – nenhuma, no entanto, com a dimensão da atual intervenção.
O conjunto é considerado patrimônio do Estado desde 1987, após o tombamento da Praça da Alfândega e seu entorno.
Texto: Bibiana Dihl/Ascom Sefaz
Edição: Secom
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