
Na segunda matéria da série ‘Mulheres que fazem a educação acontecer em Sergipe’, o olhar se volta para uma área essencial, muitas vezes invisível, mas decisiva para o funcionamento da rede pública estadual de ensino: o transporte escolar. Responsável por garantir que milhares de estudantes cheguem diariamente às salas de aula em todo o estado, o setor exige planejamento, agilidade e tomada de decisões rápidas. À frente dessa engrenagem estratégica na Secretaria de Estado da Educação (Seed), a diretora do Serviço de Transporte (Setran), Sandra Ribeiro, tem conduzido uma gestão marcada pela organização, pelo diálogo e pela humanização dos processos.
Professora de História, especialista em Saúde Pública, Sandra acumula quase quatro anos de atuação na Seed, três dos quais são dedicados diretamente ao transporte escolar. Antes, sua experiência mais próxima com logística envolvia a coordenação de equipes de motoristas na Fundação Estadual de Saúde, em uma dimensão significativamente menor. Na educação, o desafio se multiplicou.
“Trabalhamos com 700 rotas em todo o estado. São diversas empresas contratadas, cerca de 400 motoristas terceirizados nas rotas e, aproximadamente, 100 motoristas vinculados administrativamente às Diretorias Regionais. É uma dinâmica muito rápida e extremamente complexa. O que hoje está funcionando perfeitamente pode, amanhã, enfrentar um problema por causa de uma chuva, da quebra de um veículo ou da mudança de endereço de um aluno”, explica.
Ao assumir o setor, Sandra enfrentou um processo que define como ‘desconstrução e reconstrução’. Em um ambiente tradicionalmente associado a uma lógica operacional mais rígida e masculina, sua gestão buscou imprimir um novo olhar. “Não foi confortável chegar aqui. Foi preciso desconstruir a imagem do setor e reconstruir a confiança, inclusive internamente. Hoje, escutamos que o transporte escolar está mais humanizado”, comemora.
Para ela, a presença feminina em cargos estratégicos não significa menor rigor ou menor força decisória. Ao contrário, amplia a capacidade de gestão ao combinar organização, resolutividade e sensibilidade. “Não é dizer que temos menos força do que um gestor masculino. Temos a mesma força, ou até maior, porque precisamos manter a eficiência e os resultados, mas sempre permeados pela humanização. Esse olhar diferenciado transforma a maneira de conduzir os processos”, destaca.
Um dos principais instrumentos dessa gestão é a fiscalização permanente das rotas, dentro da meta governamental ‘Transporte Nota 10’. As visitas às escolas incluem reuniões com gestores e, também, com os motoristas, considerados por Sandra como peças fundamentais da execução do serviço. “Eles estão na ponta. Conversamos sobre postura, diálogo com alunos e pais, dificuldades do dia a dia. Muitas vezes, é nessa escuta que identificamos inconsistências e conseguimos resolver problemas antes que gerem desassistência”, pontua.
A eficiência do transporte escolar impacta diretamente a permanência dos alunos na escola e, consequentemente, os resultados educacionais. Em um estado com dimensões territoriais diversas e realidades distintas, garantir deslocamento seguro e regular é política pública de acesso à educação. A gestão liderada por Sandra evidencia que a presença feminina na administração pública contribui para consolidar uma cultura organizacional mais colaborativa, transparente e orientada ao cuidado. “Humanizar não é fragilizar. É fortalecer o serviço público, entendendo que por trás de cada rota existe um estudante, uma família, um projeto de vida”. Na engrenagem que sustenta o funcionamento da rede pública estadual de ensino, o transporte escolar é o caminho literal que leva sonhos à sala de aula e, sob a liderança feminina, esse percurso ganha organização, acolhimento e responsabilidade social.
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