
Até onde vai a resiliência do cidadão para enfrentar os efeitos que as mudanças climáticas já causam em sua rotina? A cada ano aumenta a incidência de eventos atípicos, como temporais e secas históricas, que causam tragédias semelhantes às registradas em Petrópolis (RJ), impactam o abastecimento de água e a agropecuária e ameaçam a conservação dos corpos hídricos. Não por acaso, portanto, segurança hídrica é o tema macro de sete eventos que serão realizados pelo Subcomitê Leste do Comitê da Bacia Hidrográfica da Baía de Guanabara neste ano. O segundo deles, marcado para o dia 25 de maio, às 14h, com transmissão ao vivo pelo YouTube do CBH Baía de Guanabara, terá o recorte "Impacto das mudanças climáticas e soluções com integração regional".
Estão confirmadas as presenças do doutor em Engenharia Florestal, mestre em Manejo de Bacias e docente da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Ricardo Valcarcel, e do coordenador do curso de Engenharia de Recursos Hídricos e do Meio Ambiente da Universidade Federal Fluminense (UFF), Márcio Cataldi.
As mudanças climáticas e a Baía de Guanabara
As mudanças climáticas já são uma realidade e, se for considerada apenas a Região Hidrográfica V, que abriga a Bacia da Baía de Guanabara e os sistemas lagunares de Maricá e Jacarepaguá, seus efeitos já afetam a vida de 10 milhões de pessoas.
"Aqui, na Região Leste, já enfrentamos os efeitos das mudanças climáticas. Podemos experimentar, indesejavelmente, períodos maiores de estiagens, combinadas por vezes com calor intenso, aumentando o consumo da população em período de estresse hídrico", comenta o coordenador-geral do Subcomitê Leste do CBH Baía de Guanabara, Jorge Muniz.
Dados internacionais
De acordo com o 6º Relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), divulgado em março deste ano, se nenhuma medida prática de diminuição drástica de emissão de gases causadores do efeito estufa for tomada em escala global, que limite a alta da temperatura global em 1,5ºC ao longo do século, o aumento médio da temperatura no planeta pode chegar a 3,5ºC.
Nesse cenário, cidades como o Rio de Janeiro podem enfrentar um aumento de mortes por calor de 3% até 2050 e 8% até 2090. Caso a emissão dos gases seja contida, a previsão é de que a mortalidade caia para 2%.
Além disso, o relatório também prevê um aumento de chuvas extremas e, por consequência, desastres como enchentes e deslizamentos de terra.
As mudanças do clima também vão impactar a pesca e a agricultura, segundo o IPCC. A produção de peixes pode cair 36% entre as décadas de 2050 e 2070, se comparado com o período de 2030 a 2050. À produção de crustáceos e moluscos, por sua vez, é reservado um prognóstico catastrófico, beirando a extinção - a redução deverá chegar a 97% no mesmo período.
Serviço
Evento: 2ª Roda de Conversa do SC Leste, com o tema "Impacto das mudanças climáticas e soluções com integração regional"
Data: 25/5
Horário: 14h
Inscrição: Gratuita
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