
Um dos conjuntos mais impressionantes da superfície lunar pode ser observado já no quinto dia de lunação, quando cerca de 30% da face visível da Lua recebe iluminação solar. Trata-se do trio de crateras Theophilus, Cyrillus e Catharina, formações que, além do impacto visual, oferecem importantes registros sobre a história geológica do satélite natural da Terra. A análise é do astrônomo e professor Emerson Roberto Perez, da Urânia Planetário.
Theophilus é a mais jovem das três crateras e também uma das mais bem preservadas. Com aproximadamente 101 quilômetros de diâmetro e 4,4 quilômetros de profundidade, apresenta bordas elevadas, piso relativamente plano e um complexo sistema central com quatro picos que alcançam até 2 quilômetros de altura. Sua formação, estimada entre 3,2 e 1,1 bilhões de anos, é comprovada pelo fato de ter invadido parcialmente a cratera vizinha Cyrillus, indicando origem mais recente.
Cyrillus, com cerca de 98 quilômetros de diâmetro e 3,2 quilômetros de profundidade, possui idade aproximada de 3,8 bilhões de anos. Sua morfologia revela colina central reduzida, crateras secundárias e formações montanhosas no interior, evidências de um impacto mais antigo e subsequentes transformações ao longo do tempo. Já Catharina, com aproximadamente 100 quilômetros de diâmetro e profundidade entre 3,1 e 3,6 quilômetros, é considerada a mais antiga do conjunto. Suas paredes desgastadas indicam forte ação de impactos posteriores à sua formação, estimada em mais de 3,8 bilhões de anos.
As três crateras homenageiam figuras históricas ligadas ao pensamento cristão antigo, como Teófilo, Cirilo e Catarina de Alexandria, tradição comum na nomenclatura lunar estabelecida pela União Astronômica Internacional. Além do valor histórico, o conjunto é um verdadeiro laboratório natural para o estudo de impactos, erosão espacial e atividade geológica passada na Lua.
A observação do trio reforça a importância do acompanhamento sistemático do céu noturno e demonstra como a Lua continua sendo um dos principais objetos de estudo da astronomia. Mesmo a apenas cerca de 384 mil quilômetros da Terra, o satélite ainda guarda registros fundamentais sobre os primórdios do Sistema Solar, preservados em suas crateras e relevos.
A Urânia Planetário realiza divulgação científica e orientações de observação por meio de transmissões semanais, sempre às terças-feiras, às 19h30, em seu canal no YouTube.
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