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AS REVOLUÇÕES COMERCIAIS E SEUS IMPACTOS SOBRE A SOCIEDADE AO LONGO DA HISTÓRIA E AS REVOLUÇÕES COMERCIAIS DO FUTURO.

A história das revoluções comerciais mostra uma progressiva ampliação das redes de trocas comerciais impulsionadas por novas tecnologias. Leia aqui!

31/01/2026 às 23h11 Atualizada em 01/02/2026 às 22h20
Por: Colunista Fonte: Fernando Alcoforado*
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Este é o resumo do artigo de 16 páginas que tem por objetivo apresentar as revoluções comerciais que ocorreram ao longo da história da humanidade, bem como elas ocorrerão no futuro. As revoluções comerciais são a história de como a humanidade transformou suas formas de produzir, trocar, transportar e consumir bens. Cada revolução comercial foi impulsionada por mudanças tecnológicas, institucionais e geopolíticas e cada uma delas ampliou drasticamente o alcance do comércio e o volume das trocas. A história das revoluções comerciais mostra uma progressiva ampliação das redes de trocas comerciais impulsionadas por novas tecnologias (marítimas, industriais, financeiras, digitais) e por novas formas de organização econômica. Revoluções comerciais são mudanças profundas nas redes de trocas, nas formas de circulação de bens e ideias, e nas estruturas econômicas e políticas que sustentam o comércio entre regiões e povos. Essas revoluções não ocorrem isoladamente, mas se conectam a: 1) avanços tecnológicos (navegação, ferrovia, transporte aéreo, digitalização); 2) transformações políticas (estado-nação, impérios, democracias); 3) redes financeiras e de crédito; e, 4) fluxos culturais e mercadorias de alto valor (seda, especiarias, petróleo, dados).

As revoluções comerciais globais ocorridas ao longo história contribuíram para o desenvolvimento econômico e social da humanidade em consequência das primeiras trocas comerciais na Pré-História e Antiguidade (10.000 a.C. a 500 d.C.), da Rota da Seda (Século II a.C. ao século XV d.C.), da Revolução Comercial Medieval (Século XI ao século XIV), da Revolução Comercial Européia (Século XV ao século XVIII), da Revolução Comercial da Primeira Revolução Industrial (Século XVIII ao Século XIX), da Revolução Comercial da primeira metade do Século XX (1900 a 1945), da Revolução Comercial Fordista-Keynesiana (1945 a 1970), da Revolução Comercial Neoliberal e Globalização (1970 a 2008), da Revolução Comercial Pós 2008 e da contra revolução comercial de Trump com seus impactos e suas consequências. Este desenvolvimento econômico e social da humanidade prosseguirá no futuro graças à Nova Rota da Seda e à Próxima Revolução Comercial global (2030 a 2050). Entre 2030 e 2050, o comércio global será remodelado por tecnologia, sustentabilidade e novos equilíbrios geoeconômicos que exigirão do Brasil estratégias de ajustes em sua economia para assegurar sua competitividade. O Brasil, com seus recursos naturais, potencial tecnológico e posição geográfica, terá oportunidades únicas se investir em inovação, diversificação produtiva e integração estratégica. 

Este artigo apresenta em detalhes as revoluções comerciais descritas resumidamente nos parágrafos a seguir. A 1ª Revolução Agrícola contribuiu para a sedentarização das populações humanas e a agricultura gerou excedentes com base nos quais nasceu o escambo organizado com a troca de bens produzidos pelas comunidades humanas. Foi assim que nasceu a atividade comercial. As primeiras trocas comerciais na Pré-História e Antiguidade ocorreram de 10.000 a.C. a 500 d.C. Durante este período houve inovações como o uso de moedas (em Lídia no século VII a.C.), a criação de padrões de pesos e medidas e as primeiras rotas de longa distância como a Rota da Seda, Rota do Incenso, rotas mediterrânicas, fenícias e gregas. Na Antiguidade, entre 3.000 a.C. e 500 d.C., houve a expansão do comércio do Egito, Mesopotâmia, Fenícia, Grécia e Roma, a criação da moeda metálica (Lídia, séc. VII a.C.) e a existência de rotas estruturadas: Rota da Seda, Rotas Mediterrâneas, Rotas Indianas.  A Rota da Seda ocorreu do Século II a.C. ao século XV d.C. com cerca de 8.000 km de rotas terrestres e marítimas compostas por uma rede de caminhos ligando o Extremo Oriente ao Mediterrâneo, passando pela Ásia Central, Oriente Médio e Norte da Índia, cujas principais mercadorias comercializadas eram seda (produto mais simbólico), especiarias, porcelanas, metais preciosos, cavalos, lã, pedras preciosas, além da difusão de conhecimentos científicos, religiosos e artísticos. A Rota da Seda criou integração econômica e cultural entre grandes civilizações como China, Índia, Pérsia, árabes, Roma e Bizâncio. A Rota da Seda contribuiu para transformar economias locais em elos de sistemas econômicos globais.

A Revolução Comercial Medieval que ocorreu do Século XI ao século XIV marca a transição do feudalismo para o capitalismo mercantil. Esta revolução comercial marcou a reativação do comércio mediterrânico e expansão do comércio do Norte da Europa após o período da Alta Idade Média  A Revolução Comercial Medieval caracterizou-se pela expansão das rotas de longa distância (Mediterrâneo, Rotas Bálticas pela Liga Hanseática, Rotas da Seda), renascimento das cidades europeias, formação da burguesia mercantil, desenvolvimento do crédito, da moeda e das finanças, além de se constituir na base histórica do capitalismo mercantil e do mercantilismo moderno. As consequências desta Revolução Comercial foram o aumento do comércio com a consolidação do comércio de longa distância que impulsionou o crescimento das cidades, que se tornaram centros de produção e troca, uma maior integração entre economia europeia e asiática, a formação das primeiras redes financeiras internacionais e das primeiras economias capitalistas mercantis, o fortalecimento da burguesia com a classe de comerciantes, artesãos e banqueiros que ganhou importância econômica e social, desafiando a estrutura feudal baseada na terra e o declínio do modo de produção feudal com o comércio e a economia monetária minando a economia de subsistência e o poder da nobreza feudal dando início à transição do feudalismo para o capitalismo mercantil.

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A Revolução Comercial Europeia que ocorreu do século XV ao século XVIII está intimamente ligada ao mercantilismo e à expansão marítima europeia. A Revolução Comercial Europeia apresentou como características: 1) a busca por novas rotas para a Índia, visando quebrar o monopólio das cidades italianas, que levou à circunavegação da África e à "descoberta" da América; 2) a expansão do comércio que deixou de se restringir ao Mediterrâneo e tornou-se global, envolvendo a Europa, a África, a Ásia e a América; 3) a exploração de metais preciosos (ouro e prata) na América e o comércio de especiarias da Ásia e escravos da África que resultaram em um enorme acúmulo de capital nas mãos das nações e da burguesia europeias; 4) a adoção de um conjunto de práticas econômicas pelos Estados Nacionais (como Portugal, Espanha, França e Inglaterra), baseadas no metalismo (acumulação de metais), na balança comercial favorável (exportar mais que importar) e no protecionismo; e, 5) criação de vastos impérios coloniais, cujas colônias existiam para fornecer matérias-primas e mercados consumidores para as metrópoles, sob o chamado Pacto Colonial. A Revolução Comercial Europeia contribuiu para a abertura das rotas oceânicas por Portugal e Espanha, a integração dos continentes e início do comércio global, a integração dos continentes em um sistema-mundo, a acumulação primitiva de capital, o nascimento do sistema capitalista mundial, o advento do capitalismo mercantilista, da acumulação de riquezas na Europa tendo como centralidade a escravidão e o colonialismo.

A Revolução Comercial da Primeira Revolução Industrial que ocorreu do século XVIII ao século XIX resultou da 1ª Revolução Industrial na Inglaterra apresentando como características: 1) a expansão do comércio com base na indústria mecanizada; 2) o crescimento das redes ferroviárias e do transporte marítimo a vapor; 3) o surgimento das grandes corporações industriais; e, 4) a adoção da contabilidade moderna e do sistema global de patentes. Durante a Revolução Comercial da Primeira Revolução Industrial ocorreram grandes inovações que alavancaram a produção industrial e o comércio, tais como máquinas a vapor, fábricas, teares mecânicos, ferrovias e navios movidos a vapor, o crescimento dos bancos modernos e das bolsas de valores e a expansão das redes de distribuição global. Como consequências da Revolução Comercial da Primeira Revolução Industrial o comércio passa a ser estruturado pela indústria e houve o aumento exponencial do volume do comércio, a consolidação do livre-comércio no século XIX, a formação de uma verdadeira economia mundial integrada, a grande expansão do comércio internacional, a consolidação do livre-comércio britânico e a nova divisão internacional do trabalho.

A Revolução Comercial da primeira metade do século XX, que ocorreu de 1900 a 1950, pode ser entendida como uma transformação profunda nas formas de produção, circulação, financiamento e consumo, impulsionada pela industrialização madura em um contexto de duas guerras mundiais e de reorganização do capitalismo global. A Revolução Comercial da primeira metade do século XX foi alavancada pela 2ª Revolução Industrial cujas principais características foram as seguintes: i) Consolidação do capitalismo industrial e corporativo com a substituição da firma familiar pelos cartéis, trustes e oligopólios e a integração vertical (produção → transporte → distribuição); ii) Revolução nos transportes e na logística com a expansão das ferrovias, a popularização dos navios a vapor e petroleiros, o uso crescente do motor a combustão interna (automóveis e caminhões), padronização de contêineres e redução de custos, aumento da escala e integração de mercados continentais; iii)  Revolução nos meios de pagamento e no crédito com a expansão dos bancos comerciais e de investimento, o crescimento do crédito ao consumo, a emissão de títulos e ações em larga escala e o papel central dos bancos centrais após a crise econômica mundial de 1929; iv) Ampliação do mercado consumidor urbano com produtos como automóveis, eletrodomésticos, produtos industrializados alimentares e vestuário padronizado; v) Publicidade, marketing e cultura de consumo com o uso sistemático de jornais, revistas, rádio e cinema, criação de marcas globais e consumo associado a status, identidade e progresso; vi) Protecionismo e guerras tarifárias, na década de 1930, com o colapso do comércio mundial e durante a Segunda Guerra Mundial com a economia dirigida, planejamento estatal e comércio subordinado ao esforço de guerra; vii) Aumento do papel do Estado e o fim do liberalismo comercial clássico devido à intervenção estatal crescente, ao planejamento econômico, ao controle de preços e do comércio, às nacionalizações e políticas industriais e comerciais baseadas no Keynesianismo nascente, economias de guerra e industrialização por substituição de importações (América Latina); e, viii) Impactos estruturais no sistema capitalista com a transição do capitalismo concorrencial para o capitalismo monopolista, a financeirização inicial e a centralização do capital, no trabalho com o assalariamento massivo, a sindicalização e a consolidação do trabalho industrial urbano e, no espaço mundial, as relações centro–periferia mais rígidos, dependência comercial e tecnológica dos países capitalistas periféricos e expansão imperial e neocolonial.

A Revolução Comercial Fordista-Keynesiana, que ocorreu de 1945 a 1970, é Fordista e Keynesiana porque tem como regime produtivo o Fordismo e a regulação econômica é baseada no Keynesianismo. O Fordismo é um sistema de produção em massa, criado por Henry Ford, que revolucionou a indústria com a linha de montagem e a padronização de peças, visando produzir bens de forma rápida, barata e em grande volume, tornando o consumo acessível para muitos. O Keynesianismo é uma teoria econômica criada por John Maynard Keynes que defende a intervenção do Estado na economia, principalmente em crises, para garantir o pleno emprego e a estabilidade, em oposição ao liberalismo. A Revolução Comercial Fordista-Keynesiana (1945–1970) corresponde a uma profunda reorganização do comércio, da produção e do consumo nas economias capitalistas centrais no pós-Segunda Guerra Mundial. A Revolução Comercial Fordista-Keynesiana ocorrida de 1945 a 1970 estabeleceu um novo regime de acumulação do capital baseado em produção em massa e consumo de massa, forte intervenção estatal e comércio internacional regulado. O modelo fordista-keynesiano entrou em crise na década de 1970 porque o capitalismo enfrentou queda da taxa de lucro e estagflação (baixo crescimento + inflação) nos países capitalistas centrais e aumento vertiginoso dos preços do petróleo em 1973 e 1979.

A Revolução Comercial Neoliberal e Globalização, que ocorreu entre 1970 e 2008, resultou da crise do modelo fordista-keynesiano na década de 1970 abrimdo caminho para uma transformação estrutural do comércio mundial, dos fluxos financeiros, das cadeias produtivas e à ascensão do neoliberalismo como paradigma dominante da economia. A Revolução Comercial Neoliberal e Globalização significou um novo regime de acumulação do capital baseado na liberalização dos mercados em todo o mundo, na desregulamentação financeira, na abertura comercial e na reestruturação produtiva global. O neoliberalismo foi adotado como um projeto político-institucional na economia mundial tendo como princípios centrais a liberação do comércio internacional, a mobilidade irrestrita de capitais, as privatizações de empresas estatais, a redução do papel econômico do Estado e a flexibilização do mercado de trabalho.

A Revolução Comercial Pós-2008 diz respeito a um conjunto de transformações estruturais no comércio mundial desencadeadas pela crise financeira global de 2008, que rompeu com o padrão de globalização liberal vigente desde os anos 1980–1990. A crise de 2008 representou um ponto de ruptura da globalização econômica neoliberal revelando os limites profundos do modelo anterior devido à financeirização excessiva do comércio e da produção, às cadeias globais de produção longas, frágeis e hiper otimizadas, à dependência extrema da economia mundial em relação ao dólar e do sistema financeiro anglo-americano e à assimetria entre países capitalistas centrais e periféricos. A Revolução Comercial Pós-2008 tem como uma das características centrais a reconfiguração das cadeias globais de valor que, antes de 2008, se baseava no “Just-in-time”, nas cadeias longas e dispersas globalmente e no custo mínimo como critério dominante e, depois de 2008, passou a se basear no “Just-in-case”, na regionalização e encurtamento das cadeias e em critérios de resiliência, segurança e soberania econômica. Outra característica da Revolução Comercial Pós-2008 diz respeito à ascensão do comércio digital e das plataformas com a explosão do e-commerce transfronteiriço, das plataformas globais (Amazon, Alibaba, Mercado Livre, Shopee), dos serviços digitais superando bens físicos no crescimento do comércio e dos dados tornarem-se ativos estratégicos. A Revolução Comercial Pós-2008 contribuiu para a financeirização seletiva e novas formas de pagamento devido à redução da confiança na arquitetura financeira global, o crescimento de moedas locais no comércio bilateral, a existência de bancos de desenvolvimento como o do BRICS e de sistemas alternativos de pagamento, bem como, após-2020, o impulso às moedas digitais de bancos centrais.

A Revolução Comercial Pós-2008 apresenta, também, o retorno da participação do Estado na atividade econômica e do protecionismo estratégico com o dogma do “livre-mercado” entrando em crise com a adoção por vários governos nacionais de políticas industriais explícitas, subsídios estratégicos, controle de exportações (chips, energia, alimentos) e uso do comércio internacional como arma geopolítica como faz o governo Trump dos Estados Unidos que desencadeou guerra comercial contra a China e adotou um tarifaço contra todos os países do mundo. A Revolução Comercial Pós-2008 estabeleceu nova geografia do comércio mundial com a perda relativa de centralidade da OMC, o crescimento de acordos regionais e plurilaterais, a ascensão do Sul Global (China, Índia, ASEAN, África e América do Sul como espaço dinâmico do comércio mundial que se torna multipolar e fragmentado, não mais regido por regras universais homogêneas). A "Contrarrevolução Comercial" desencadeada por Donald Trump busca  reverter a tendência de globalização e livre-comércio predominante desde o fim da Segunda Guerra Mundial que estaria sendo benéfica para a China e prejudicial aos interesses dos Estados Unidos. Em essência, a contrarrevolução comercial de Donald Trump representa um movimento de protecionismo agressivo e nacionalismo econômico, que contrasta diretamente com o sistema multilateral e as cadeias globais de valor estabelecidas nas últimas décadas de globalização produtiva, comercial e financeira. A "Contrarrevolução Comercial" de Trump é uma tentativa radical de desmontar o consenso pós-Guerra Fria sobre o livre-comércio estabelecido com o processo de globalização produtiva, comercial e financeira, ao priorizar a produção local e o equilíbrio comercial bilateral acima das regras multilaterais e da eficiência das cadeias globais.

Uma das revoluções comerciais do futuro diz respeito à Nova Rota da Seda que foi proposta pela China em 2013, cujo nome oficial é “Belt and Road Initiative – BRI”,  sendo um projeto de desenvolvimento e investimento de infraestrutura em escala global, que busca reavivar e expandir as conexões comerciais da China cujos objetivos são conectar a China a mercados globais por rotas terrestres e marítimas, expandir infraestrutura em mais de 150 países, criar cadeias logísticas integradas (ferrovias, portos, gasodutos, estradas e cabos de fibra ótica) e fortalecer a influência econômica e geopolítica chinesa. A Rota da Seda do Século II a.C. ao século XV d.C. foi um fenômeno de comércio e intercâmbio cultural da Antiguidade e Idade Média, enquanto a Nova Rota da Seda é um megaprojeto de política externa e econômica da China para o século XXI, que usa a referência histórica para dar peso cultural e legitimidade à sua expansão geopolítica. A Nova Rota da Seda tem por objetivos aumentar a conectividade de infraestrutura, expandir o comércio internacional chinês, garantir o fornecimento de recursos, aumentar a influência geopolítica da China, implantar corredores que ligam a China à Europa através da Ásia Central e Rússia e corredores que ligam a China ao Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e Europa através de portos e rotas marítimas, criar novos corredores de transporte e energia, acesso a novos mercados para produtos e empresas chinesas, o financiamento por bancos estatais da China e participação de mais de 140 países parceiros que assinaram Memorandos de Entendimento. A Nova Rota da Seda representa a maior iniciativa de infraestrutura da história recente, um instrumento de soft power e diplomacia econômica chinesa, um desafio estratégico para rotas dominadas tradicionalmente pelos Estados Unidos e aliados e uma reorganização das cadeias globais de suprimento em direção ao eixo Eurásia–África.

A Próxima Revolução Comercial que ocorrerá de 2030 a 2050 se caracteriza pela fragmentação do comércio global, pelo comércio geopolítico e securitizado, pela desdolarização parcial do comércio internacional, pelo comércio internacional verde e climático e pela digitalização total e automação logística. A fragmentação do comércio global fará com que chegue ao fim a recente globalização homogênea com a regionalização do comércio internacional (China–Ásia, Estados Unidos–Américas, União Europeia) e adoção de uma política “Friend-shoring” e “near-shoring” contrastando com o offshoring tradicional (mudança para países distantes e de baixo custo) e frequentemente complementando o reshoring (trazer a produção de volta para o país de origem). Cabe observar que “Friend-shoring” significa realocar operações para países aliados e politicamente estáveis, com valores compartilhados, priorizando a segurança geopolítica em detrimento da mera proximidade, frequentemente para mitigar riscos decorrentes de relações internacionais tensas, enquanto “Near-shoring” significa aproximação da produção do mercado doméstico, reduzindo custos logísticos e prazos de entrega. O comércio geopolítico e securitizado significa a substituição do livre-comércio pela economia política com a adoção de sanções como arma econômica, o controle de exportações estratégicas e o comércio internacional como instrumento de poder.  A desdolarização parcial do comércio significa a erosão gradual da hegemonia financeira dos Estados Unidos com  o uso de moedas nacionais em trocas bilaterais em substituição ao dólar, a expansão do uso do yuan chinês e moedas regionais e criação de sistemas alternativos ao SWIFT (Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication - rede global que conecta milhares de instituições financeiras para trocar mensagens e instruções de pagamento, funcionando como uma "espinha dorsal" do sistema financeiro internacional para transferências entre países). O comércio verde e climático significa considerar o clima como novo eixo regulador do comércio internacional com a aplicação de tarifas de carbono, o uso de cadeias sustentáveis obrigatórias e a reorganização do comércio energético. Finalmente, a digitalização total e automação logística significam a redução do papel humano e de um Estado fraco com o uso da Inteligência Artificial na gestão comercial, de smart contracts e blockchain e portos e cadeias autônomas de produção. Isto significa dizer que a Próxima Revolução Comercial apresentará como tendências a Inteligência Artificial autônoma realizando transações, a existência de robôs logísticos e de entregas automatizadas, a Impressão 3D descentralizando a produção, a existência de moedas digitais de bancos centrais, a existência de cadeias comerciais transparentes via blockchain e de comércio hiper-personalizado. A Próxima Revolução Comercial de 2030 a 2050 terá como impacto provável a redefinição total do varejo, a redução do papel do dinheiro físico, a existência de cadeias de suprimentos resilientes e distribuídas de produção próxima do consumidor.

Pelo exposto, as revoluções comerciais globais ocorridas ao longo da história contribuíram para o desenvolvimento econômico e social da humanidade. Entre 2030 e 2050, o comércio global será remodelado por tecnologia, sustentabilidade e novos equilíbrios geoeconômicos que exigirão dos países do mundo estratégias de ajustes em suas economias para assegurar sua competitividade. 

Quem desejar fazer a leitura completa do artigo de 16 páginas em Português, Inglês e Francês, acessar os websites do Academia.edu <https://www.academia.edu/158898277/AS_REVOLU%C3%87%C3%95ES_COMERCIAIS_E_SEUS_IMPACTOS_SOBRE_A_SOCIEDADE_AO_LONGO_DA_HIST%C3%93RIA_E_AS_REVOLU%C3%87%C3%95ES_COMERCIAIS_DO_FUTURO>, <https://www.academia.edu/158932165/COMMERCIAL_REVOLUTIONS_AND_THEIR_IMPACTS_ON_SOCIETY_THROUGHOUT_HISTORY_AND_THE_COMMERCIAL_REVOLUTIONS_OF_THE_FUTURE> e <https://www.academia.edu/158958969/LES_R%C3%89VOLUTIONS_COMMERCIALES_%C3%80_TRAVERS_LHISTOIRE_ET_LES_R%C3%89VOLUTIONS_COMMERCIALES_DE_DEMAIN>, do SlideShare <https://pt.slideshare.net/slideshow/as-revolucoes-comerciais-e-seus-impactos-sobre-a-sociedade-ao-longo-da-historia-e-as-revolucoes-comerciais-do-futuro-pdf/285664384>, <https://pt.slideshare.net/slideshow/commercial-revolutions-and-their-impacts-on-society-throughout-history-and-the-commercial-revolutions-of-the-future-pdf/285664433> e <https://pt.slideshare.net/slideshow/les-revolutions-commerciales-a-travers-l-histoire-et-les-revolutions-commerciales-de-demain-pdf/285664504> e do Linkedin <https://www.linkedin.com/pulse/revolu%C3%A7%C3%B5es-comerciais-e-seus-impactos-sobre-sociedade-alcoforado-vzjpe/?trackingId=z1ZBgir8ignynmM3UraPVQ%3D%3D>, <https://www.linkedin.com/pulse/commercial-revolutions-impacts-society-throughout-alcoforado-klm7e/?trackingId=YxPqlNO2UuhLiy8qPS09Xw%3D%3D> e <https://www.linkedin.com/pulse/les-r%C3%A9volutions-commerciales-et-leurs-impacts-sur-la-%C3%A0-alcoforado-fdrce/?trackingId=LZx%2B6uCItsZj2BraIrUgag%3D%3D>.

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  • Fernando Alcoforado, 86, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da SBPC- Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e do IPB- Instituto Politécnico da Bahia, engenheiro pela a Politécnica da UFBA e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona, professor universitário (Engenharia, Economia e Administração) e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, foi Assessor do Vice-Presidente de Engenharia e Tecnologia da LIGHT S.A. Electric power distribution company do Rio de Janeiro, Coordenador de Planejamento Estratégico do CEPED- Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Bahia, Subsecretário de Energia do Estado da Bahia, Secretário do Planejamento de Salvador, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997), De Collor a FHC- O Brasil e a Nova (Des)ordem Mundial (Editora Nobel, São Paulo, 1998), Um Projeto para o Brasil (Editora Nobel, São Paulo, 2000), Os condicionantes do desenvolvimento do Estado da Bahia (Tese de doutorado. Universidade de Barcelona,http://www.tesisenred.net/handle/10803/1944, 2003), Globalização e Desenvolvimento (Editora Nobel, São Paulo, 2006), Bahia- Desenvolvimento do Século XVI ao Século XX e Objetivos Estratégicos na Era Contemporânea (EGBA, Salvador, 2008), The Necessary Conditions of the Economic and Social Development- The Case of the State of Bahia (VDM Verlag Dr. Müller Aktiengesellschaft & Co. KG, Saarbrücken, Germany, 2010), Aquecimento Global e Catástrofe Planetária (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2010), Amazônia Sustentável- Para o progresso do Brasil e combate ao aquecimento global (Viena- Editora e Gráfica, Santa Cruz do Rio Pardo, São Paulo, 2011), Os Fatores Condicionantes do Desenvolvimento Econômico e Social (Editora CRV, Curitiba, 2012), Energia no Mundo e no Brasil- Energia e Mudança Climática Catastrófica no Século XXI (Editora CRV, Curitiba, 2015), As Grandes Revoluções Científicas, Econômicas e Sociais que Mudaram o Mundo (Editora CRV, Curitiba, 2016), A Invenção de um novo Brasil (Editora CRV, Curitiba, 2017),  Esquerda x Direita e a sua convergência (Associação Baiana de Imprensa, Salvador, 2018, em co-autoria), Como inventar o futuro para mudar o mundo (Editora CRV, Curitiba, 2019), A humanidade ameaçada e as estratégias para sua sobrevivência (Editora Dialética, São Paulo, 2021), A escalada da ciência e da tecnologia ao longo da história e sua contribuição ao progresso e à sobrevivência da humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2022), de capítulo do livro Flood Handbook (CRC Press, Boca Raton, Florida, United States, 2022), How to protect human beings from threats to their existence and avoid the extinction of humanity (Generis Publishing, Europe, Republic of Moldova, Chișinău, 2023), A revolução da educação necessária ao Brasil na era contemporânea (Editora CRV, Curitiba, 2023), Como construir um mundo de paz, progresso e felicidade para toda a humanidade (Editora CRV, Curitiba, 2024) e How to build a world of peace, progress and happiness for all humanity (Editora CRV, Curitiba, 2024).
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Fernando Alcoforado
Sobre Fernando Alcoforado, 82, condecorado com a Medalha do Mérito da Engenharia do Sistema CONFEA/CREA, membro da Academia Baiana de Educação, engenheiro e doutor em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Regional pela Universidade de Barcelona. Professor universitário e consultor nas áreas de planejamento estratégico, planejamento empresarial, planejamento regional e planejamento de sistemas energéticos, é autor dos livros Globalização (Editora Nobel, São Paulo, 1997),De Collor a FHC — O Brasil.
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