
O Museu Paranaense (MUPA) promove nesta sexta-feira (26), às 19h, a palestra “Cadernos de Artista: Arquivo, Rearranjo e Crítica Cultural”, com o pesquisador italiano Simone Rossi, em parceria com o projeto “ATLAS: Fotografia, Território e Paisagem”. A atividade é gratuita e aberta ao público, sem necessidade de inscrição prévia.
A palestra explora os cadernos de artista (scrapbooks) como arquivos íntimos e, ao mesmo tempo, como ferramentas críticas na arte contemporânea. Tomando como ponto de partida os trabalhos de Hudinilson Jr. (1957–2013), a discussão mostra como a prática de compilar recortes opera não apenas como exercício privado, mas como uma forma de crítica cultural, ao entrelaçar coleta, rearranjo e ressignificação de materiais visuais.
Pesquisador independente em cultura visual e beneficiário da 13ª edição do Italian Council, Rossi explica que os cadernos de artista funcionam como arquivos vivos, capazes de questionar hierarquias de valor e narrativas oficiais. No caso de Hudinilson Jr., ele observa que ao apropriar-se de imagens de publicidade, moda, pornografia e cultura pop, o artista desmonta a lógica original dessas representações e as reinscreve em um espaço íntimo, mas profundamente político, abrindo novas possibilidades de leitura e de desejo.
Em um momento em que estamos imersos em um fluxo incessante de imagens digitais, Rossi sugere que o gesto manual de selecionar, colar e recombinar pode ser entendido como prática subversiva. “Ao transformar o excesso de imagens em constelações sempre abertas, os scrapbooks encarnam um devir — lugares de experimentação em que o sujeito se redesenha e se projeta, criando novas formas de estar no mundo”, afirma.
A partir de sua pesquisa de doutorado, Rossi situa o scrapbooking no centro de práticas contraculturais que emergiram durante a Ditadura Militar no Brasil. Nessa rede, entre o final dos anos 1970 e início dos 1980, artistas como Hudinilson Jr. transformaram os cadernos de referências em espaços de experimentação radical, reorganizando fragmentos de mídia, imagens de corpos e materiais banais em novas constelações de sentido.
Para Rossi, esse gesto de recortar e colar, longe de ser ingênuo, reprogramava o imaginário hegemônico e convertia os cadernos em verdadeiros laboratórios de reinvenção. “Lugares onde o sujeito se reinventa continuamente, onde desejo e corpo se transformam em processo aberto. Ao privilegiar o processo, a indisciplina e a materialidade única de cada página, eles se tornam ao mesmo tempo resistência e afirmação, criando mundos possíveis e horizontes de vida para além da norma”.
A discussão também amplia o olhar para questões de mídia, autoria e design, destacando a ressonância dos scrapbooks tanto na história da arte brasileira quanto na cultura visual global. Nesse sentido, Rossi observa que o ressurgimento de edições fac-símile e de livros de artista no século XXI reposiciona os cadernos no campo da arte, reafirmando sua relevância política e sua potência em desafiar narrativas dominantes.
Serviço:
Palestra “Cadernos de Artista: Arquivo, Rearranjo e Crítica Cultural”
Data: Sexta-feira, 26
Horário : 19h.
Local: Museu Paranaense - Rua Kellers, 289, São Francisco - Curitiba
Entrada gratuita. Não é necessário inscrição prévia
Saiba mais em www.museuparanaense.pr.gov.br ou pelo Instagram @museuparanaense
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