
José Álvares do Amaral, nasceu no dia 17 de outubro de 1822 no Engenho Cagi, na freguesia de Santo Amaro de Ipitanga (Lauro de Freitas / Bahia), propriedade de seu avô materno João Ladislau de Figueiredo e Melo. Um grande latifundiário da região e senhor de um engenho de cana-de-açúcar denominado Cagi, na freguesia em que residia com a família. Sua propriedade funcionou como uma espécie de hospital de campanha no processo de lutas pela independência da Bahia.
José Álvares do Amaral, era filho de Anna Figueiredo e Melo Amaral e Antônio Joaquim Álvares do Amaral, que com Joaquim José Pinheiro arrecadou a soma de quatro contos de réis para a compra de mantimentos destinados às tropas baianas na campanha de libertação da Bahia. José Álvares do Amaral era sobrinho do ramo paterno do tabelião de notas e protestos da Cidade do Salvador, Francisco Ribeiro Neves.
Logo nos primeiros anos, após as lutas pela independência, Francisco Ribeiro Neves, junto com Francisco José Corte Imperial e o Cônego Manoel Joaquim de Almeida, utilizaram uma carroça velha que fora usada na campanha ao 2 de Julho, que desfilou pelas ruas do centro de Salvador, capital baiana, comemorando o aniversário da Consolidação da Independência na Bahia.
Seu avô João Ladislau de Figueiredo e Melo, além de ceder seu engenho de cana-de-açúcar, onde funcionava como hospital, também atuou de forma ativa e significativa na guerra. No término deste processo ele foi agraciado pelo imperador D. Pedro I com o título de Cavaleiro da Ordem de São Bento de Avis e Major agregado do 3º Batalhão de 2ª Linha da Bahia.
Neste ano de 2022, celebramos o Bicentenário do nascimento de José Alvares do Amaral, que além de ter sido um grande historiógrafo e escritor foi presidente da Sociedade Patriótica 2 de Julho, sendo responsável pela compra da casa que até hoje abriga os carros alegóricos dos caboclos no pavilhão histórico da Lapinha no bairro da Liberdade, na cidade do Salvador, sendo assim um dos responsáveis pelos festejos do nosso glorioso 2 de Julho, data magna da Bahia.
A família Amaral exerceu grande destaque na sociedade baiana, pois seu pai Antônio Joaquim Álvares do Amaral foi secretário da Província da Bahia, Presidente das Províncias de Sergipe e do Maranhão, Deputado Provincial, Secretário da Santa Casa de Misericórdia da Bahia, Cavaleiro da Ordem de Cristo e Comendador.
José Álvares do Amaral é autor do Resumo Chronológico e Noticioso da Província da Bahia, desde seu descobrimento em 1500. Álvares do Amaral se casou com a filha dos Barões do Rio Vermelho, dona Ignacia Benvinda da Cunha Menezes. Sua família batizou o Bairro de Amaralina em Salvador com seu próprio sobrenome, uma vez que o Comendador Amaral era proprietário da fazenda denominada Alagoas que passou a ser chamada Fazenda Amaral e depois foi rebatizada com o nome fazenda Amaralina, em alusão ao nome da família Amaral, dando posteriormente origem ao bairro.
A então presidente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia — IGHB, a professora e historiadora Consuelo Pondé de Sena, publicou no dia 20 de fevereiro de 1999, no Jornal A Tarde, um artigo sobre a biografia de José Álvares do Amaral, e o trata de maneira honrosa como um ilustre desconhecido. Na perspectiva de fazer com que a memória deste ilustre ipitanguense, foi solicitada a realização de uma sessão solene pela Câmara Municipal de Lauro de Freitas para celebrarmos o bicentenário deste personagem ímpar da história de Ipitanga, Lauro de Freitas e do Estado da Bahia.
José Alvares do Amaral (1822-1882)
A esse historiador baiano deve-se o nome do Bairro de Amaralina, dado, em homenagem por seu filho, à Fazenda da Lagoa, segundo Silva Campos.
José Álvares do Amaral nasceu, em 17 de outubro de 1822, na Freguesia de Santo Amaro do Ypitanga, atualmente Lauro de Freitas. Era filho do Comendador Antonio Joaquim Alvares do Amaral (1795-1853), que foi presidente das províncias de Sergipe e do Maranhão. Era irmão do desembargador Manoel Maria do Amaral.
José Álvares do Amaral estudou engenharia, em Coimbra, até o 3° ano, quando retornou à Bahia, em 1843, para assumir um cargo na secretaria do governo.
Casou-se, em 28 de maio de 1851, na Matriz de Sant'Ana com a filha do Visconde do Rio Vermelho, Ignacia Bernadina da Cunha Menezes (1831-1863). Do casal nasceram José Ignacio da Cunha Amaral (1852-1912) e Ignacia Bemvinda da Cunha Amaral (1854-1876).
José Álvares do Amaral foi também jornalista, delegado de polícia em Salvador, durante vários anos, e militou no Partido Liberal. Em 1859, foi um dos fundadores da Sociedade Patriótica Dois de Julho, da qual presidiu, e teve participação na construção do Pavilhão da Lapinha. Sua obra mais conhecida é o Resumo Chronologico e Noticioso da Provincia da Bahia desde o seu descobrimento em 1500, publicada em 1881. Faleceu na região do Rio Vermelho, em 3 de novembro de 1882.
Seu filho, José Ignacio da Cunha Amaral adotou o mesmo nome do pai e faleceu em 27 de junho de 1912. Em 1878, já era conhecido como José Álvares do Amaral Filho.
Nota: existiu também o ilustre médico baiano José Álvares do Amaral, um dos primeiros a se formar na Faculdade de Medicina da Bahia e da qual foi destacado professor, entre 1816 e 1825.
Texto: Coriolano de Oliveira Filho
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