
Com foco na construção de políticas públicas inclusivas e no fortalecimento dos direitos das mulheres, a V Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, realizada nesta (24), no auditório da Universidade do Estado do Pará (Uepa), reuniu representantes da sociedade civil, da gestão pública e de diversos movimentos sociais para discutir ações que serão encaminhadas às etapas estadual e nacional da conferência.

Com o tema “Mais democracia, mais igualdade e mais conquistas para todas”, o evento propôs um momento de escuta ativa e elaboração coletiva de propostas voltadas às realidades vividas por mulheres em Belém, especialmente aquelas em situação de vulnerabilidade social.

Entre os pontos debatidos, esteve a necessidade dedescentralizar o acesso às políticas públicas, ampliando a presença do poder público nasperiferias e territórios mais afastados, assim como, apolítica do cuidado.
Nos últimos meses, ações como o programa Belém por Elas têm levado capacitação e formação profissional diretamente às comunidades. A iniciativa responde à realidade de mulheres em vulnerabilidade social.
“Se elas não podem vir até nós, nós vamos até elas. A gente precisa que essas mulheres tenham condições de sair da vulnerabilidade e viver a oportunidade de entrar no mercado de trabalho”, destacou a titular da Secretaria Municipal da Mulher (Semu), Silvane Ferraz.
A conferência também foi marcada pela palestra magna da professora e pesquisadora Luanna Tomaz, referência nacional no enfrentamento à violência de gênero. Ela destacou a urgência de discutir o cuidado como política pública. “É necessário defender uma política do cuidado. Defender a democracia hoje é defender a vida das mulheres”, pontuou.

Luana também chamou atenção para avulnerabilidade enfrentada por mulheres da Amazônia, sobretudo aquelas que vivem fora dos centros urbanos. “Todos os projetos que atacam os direitos da floresta e os direitos ambientais também nos atingem. Um relatório da ONU mostrou que o Brasil ainda é deficiente na proteção a ambientalistas, mulheres quilombolas e indígenas. E a região Norte é onde as mulheres ambientalistas têm mais chance de morrer”, afirmou.
Durante a programação, as participantes foram divididas em cinco eixos temáticos. Cada grupo elaborou três propostas para cada esfera de governo – municipal, estadual e federal. As contribuições aprovadas serão reunidas em um relatório oficial que será encaminhado à Conferência Estadual de Políticas para as Mulheres.
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