A Universidade Estadual do Ceará (Uece) abriga, desde 2011, um Túnel de Vento de circuito fechado, sendo ele o único equipamento multiusuário de grande porte dessa natureza no Ceará, utilizado para atender demandas de várias empresas e instituições do governo em diversas áreas, tais como aeronáutica, eólica, construção civil, petróleo e gás, têxtil, entre outras.
O Túnel de Vento da Uece é vinculado ao Laboratório de Estudos Aerodinâmico (LEA) e é localizado no ambiente LAIS – Laboratórios Associados de Inovação e Sustentabilidade, no campus Itaperi. De acordo com a coordenadora do LAIS, professora Mona Lisa Moura, o equipamento vem prestando relevantes serviços à academia, realizando estudos e fomentando diversas parcerias científicas (nacional e internacional). O LAIS, por sua vez, participa da Rede VERDES – Rede de Pesquisa e Inovação em Energias Renováveis do Ceará, com subprojeto que utiliza o Túnel de Vento da Uece em cooperação com diversas Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) do Estado, especialmente UFC, Unilab, Unifor e Senai.
A pesquisadora explica o que é um túnel de vento. “São instalações que permitem a simulação do mundo real de como o ar passa ao redor de um objeto, ou seja, pode-se avaliar o efeito desse ar em protótipos em escala. Os ensaios em túnel de vento (TV) constituem-se atividades multidisciplinares e de alto grau de complexidade científico-tecnológica. A ciência por trás de construir um bom túnel de vento é complexa”, contextualiza a professora Mona Lisa.
Na Uece, o Túnel é de circuito fechado, possui uma área de teste específica (1m²) para velocidades de escoamento de mais de 100 km/h. Segundo a equipe do LAIS, seu projeto da Aeroalcool (fabricante) atende a todos os requisitos de uniformidade de escoamento e baixo nível de turbulência para uma grande variedade de testes aerodinâmicos de modelos reduzidos, testes de anemômetros (instrumentos utilizados para medir a velocidade de um fluido, neste caso, do ar) e alguns ensaios de aerodinâmica industrial.
Em geral, na indústria, os túneis de vento têm grande importância para melhoramento de produtos. Os ensaios em túnel de vento possibilitam a simulação do efeito do ar nas mais diversas áreas, como:
• Na parte urbanística/construção civil: permitem determinar os impactos de vizinhança devido às edificações do entorno, ou edificações altas, que podem ocasionar pontos de acúmulo ou má dispersão de contaminantes, ilhas de calor e ainda efeitos que causem desconforto mecânico em pedestres devido à alta velocidade do vento.
• No setor das energias renováveis: melhor aproveitamento do potencial eólico, estudos do perfil das pás e melhoramento de suas características, determinação da frequência de rotação e potência de aerogeradores em escala, avaliação e calibração de sensores.
• Na indústria aeronáutica e automotiva: melhoramento de produtos, como por exemplo, potencializar a velocidade de um carro, aeronave. Avaliação de turbulência, aumento ou diminuição da velocidade indicada, bruscas e perigosas variações nos indicadores de velocidade vertical de aeronaves.
• Na indústria de petróleo e gás: efeito do vento em plataformas, por exemplo, testes de cargas dos ventos sobre as plataformas, como a segurança de aproximação, aterrissagem e decolagem em heliponto de plataforma.
No que diz respeito à calibração de anemômetros (ultrassônicos, de copo e portáteis), uma forte parceria entre o LAIS/Uece e a empresa M&M Instrumentação, representada por Mariana Benigno, tem sido exemplo de cooperação técnica entre a academia e o setor produtivo na área. A parceria/convênio entre o LAIS/Uece, o Idesco e a M&M Instrumentação vem possibilitando ensaios anemométricos desde 2020. Mais de mil anemômetros tem sido calibrados no Túnel da Uece. A responsável pelo LAIS relembra. “Tudo começou com a calibração de anemômetros para a Aeronáutica, especificamente, oriunda do Parque de Material de Eletrônica da Aeronáutica do Rio de Janeiro (PAME-RJ) e hoje somam-se mais de 20 empresas (setor eólico, têxtil, petróleo e gás, transportes, aeronáutica, entre outras), beneficiadas com esse serviço no Estado do Ceará”, enfatiza Mona Lisa.
A relação entre o LAIS/Uece e a M&M Instrumentação vai além da prestação de serviço com a ampliação da expertise para calibração e certificação de instrumentação que necessite uso de túnel de vento. Atualmente, a equipe envolvida tem dedicado esforços na qualificação do túnel de vento, mas também na formação de recursos humanos qualificados, por meio do Programa de Mestrado e Doutorado Acadêmico para Inovação (MAI/DAI), uma iniciativa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), para que os Programas de Pós-graduação possam fomentar projetos de interação com empresas através de teses, dissertações e trabalhos de conclusão de cursos. Desta forma, essa parceria já tem contribuído para formação alunos de física, química e engenharia, além de mestres e doutores oriundos da Uece e de diversas Instituições de Ciência e Tecnologia (ICT) do País.
“Essa parceria de sucesso exemplifica que a colaboração científica configura uma resposta à profissionalização da ciência, que tem como meta viabilizar, facilitar e potencializar o desenvolvimento de pesquisas, seja de natureza empírica e/ou experimental”, defende a professora Mona Lisa.
A capacitação de profissionais utilizando o Túnel de Vento da Uece abrange a iniciação científica (graduação em física, química, engenharia) e a Pós-graduação (nível mestrado e doutorado). Os principais Programas de Pós-graduação que atualmente desenvolvem projetos no TV da Uece, são: em Ciências Naturais da Uece, em Ciências Físicas Aplicadas da Uece e em Engenharia Mecânica da UFC.
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