
Os seis anos da Operação Brumadinho revelam o maior e mais longo esforço já empreendido no país para um trabalho de buscas. São 2.193 dias, praticamente sem interrupções, empenhando todos os recursos humanos e tecnológicos para a recuperação das 'joias', resultando em 98,8% de efetividade. A operação representa um marco nacional na gestão de desastres, exaurindo técnicas de salvamento e desenvolvendo novas estratégias na doutrina de buscas. As 'joias' são como as famílias se referem às vítimas da tragédia do rompimento das barragens da Vale, em Brumadinho, ocorrido em 25 de janeiro de 2019. O acidente deixou 272 pessoas mortas.
Uma agulha no palheiro é a expressão que ajuda a compreender a dificuldade de encontrar os desaparecidos. O volume de 10,5 milhões de metros cúbicos de rejeito provenientes do rompimento permitiria encher cerca de 4,2 mil piscinas olímpicas.
Dimensão
A operação superou 1600 horas de voo, controlados pela Força Aérea Brasileira, com a participação de 31 aeronaves. Pelo menos 68 cães de todo o país participaram das ações de recuperação das vítimas. Também houve empenho de 120 máquinas pesadas como escavadeira convencional, braço longo e anfíbio, pá carregadeira, retroescavadeira, perfuratriz, peneira vibratória, entre outras.
Sob a doutrina do Sistema de Comando em Operações, foi o maior esforço interagências já registrado no Brasil, com a atuação harmônica de mais de 50 órgãos públicos das esferas municipal, estadual e federal. Somente do Governo de Minas, mais de 25, entre secretarias de estado, autarquias, agências reguladoras, fundações e órgãos do Judiciário.
Um forte aparato tecnológico foi empregado na intenção de aprimorar os trabalhos de inteligência com a utilização de drones e aplicativos para mapeamentos, câmeras termostáticas, magnetômetros, equipamentos de geolocalização, balão de observação, entre outros.
Segurança das operações
Em uma grande operação, que empenhou mais de 4.500 militares em seis anos, é importante salientar que não houve registro de acidente com bombeiros, viaturas ou operações aéreas.
O Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) também desenvolveu, junto ao Ministério da Saúde, protocolos de monitoramento de contaminação por metais pesados, acompanhando a saúde dos bombeiros diariamente, cuidado que permanece nos dias de hoje. Durante a pandemia, a tropa também seguiu normas que ajudaram a evitar contaminações, sendo os militares constantemente testados para reduzir a disseminação do vírus.
Relembrando os fatos
O rompimento da barragem B1, localizada na Mina Córrego do Feijão, ocorreu às 12h28 de sexta-feira, 25 de janeiro de 2019. Um volume de mais de 10 milhões de m³ de rejeito de minério percorreu uma área de aproximadamente 290 hectares, sobre estruturas administrativas que estavam em pleno funcionamento, além de propriedades residenciais e comerciais, sítios, plantações, mata nativa e rios.
O rejeito atingiu o leito do Ribeirão Ferro-Carvão, destruindo estruturas e provocando a morte de 272 pessoas. Minutos após o rompimento, o CBMMG recebeu dezenas de ligações telefônicas solicitando ajuda. Imediatamente, foram acionados empenhos múltiplos de recursos de todas as unidades da RMBH, dando início, então, à maior operação da instituição.
A operação passou por sete diferentes estratégias de buscas e, atualmente, desenvolve a oitava estratégia, voltada para a separação de rejeitos em materiais de interesse que são inspecionados pelas equipes de campo e encaminhadas à perícia.
Legado
A maior operação da história deixou tristeza e desolação, mas também permitiu avanços no Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, que desenvolveu exponencialmente a doutrina de busca e salvamento.
O conhecimento adquirido permitiu o compartilhamento e a aplicação de novas técnicas em ações humanitárias, lançando o CBMMG no cenário internacional, tornando a corporação uma referência no ensino, atraindo alunos de outras corporações para os cursos de especialização na Academia de Bombeiros Militar.
Apesar de todo o sofrimento causado pela tragédia, a operação, que segue em andamento, se transformou em um símbolo de resignação e respeito do CBMMG para com as famílias e a população mineira, que deixará como legado um atendimento cada vez mais técnico e pautado na prevenção e gestão de risco de desastres.
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