
O Agosto Lilás, campanha de combate à violência contra a mulher estabelecida pelo Governo Federal, dedica-se à conscientização sobre o enfrentamento à violência doméstica no Brasil. No Hospital de Saúde Mental Professor Frota Pinto (HSM), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará, existem atendimentos específicos de tratamento psicológico e psiquiátrico para mulheres que passam por situações de violência. Os danos causados pelo crime são graves, muitas vezes, não só fisicamente, mas também emocionalmente.
De acordo com a psicóloga do HSM, Juliana Murta, que é também doutoranda com foco no enfrentamento da violência contra a mulher, as vítimas passam por traumas duradouros, que podem levar a doenças como depressão, ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) e, em casos extremos, ideação suicida e suicídio.
“Fisicamente, os danos podem variar de lesões temporárias a condições crônicas de saúde, incluindo problemas reprodutivos e doenças sexualmente transmissíveis. Além disso, os impactos da violência se estendem para o ambiente social e econômico das vítimas. As mulheres frequentemente perdem oportunidades de emprego, enfrentam discriminação no mercado de trabalho e têm prejudicada a capacidade de prover para si mesmas e para suas famílias. No contexto familiar, a violência pode destruir relacionamentos, gerar ambientes disfuncionais e perpetuar ciclos de abuso”, analisa.

Sair de uma situação de violência é difícil para muitas mulheres devido a uma combinação de dependência emocional, isolamento social, dependência financeira do agressor, além do medo de represálias, falta de acesso a recursos, sentimentos de culpa e vergonha e normas culturais que perpetuam a submissão feminina. “Esses fatores criam um ambiente de vulnerabilidade que torna extremamente desafiador para a mulher romper com o ciclo de abuso e buscar ajuda”, sublinha Murta.
No serviço ambulatorial do Hospital de Saúde Mental, M.J.F, de 34 anos, paciente que não quis ser identificada, destaca que o atendimento em saúde integral foi decisivo para entender as múltiplas violências vivenciadas por ela. “Com o tratamento me sinto mais forte, menos depressiva e o trauma está sendo trabalhado. Mas sair dessa relação ainda parece impossível pelo medo das retaliações, pela dependência financeira e pela falta de apoio e suporte familiar”, revela.
No HSM, o atendimento a pacientes que são vítimas de violência doméstica e passam por traumas emocionais acontece na emergência e nos ambulatórios especializados. O HSM tem também uma parceria com o Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), através do Núcleo de Atendimento às Vítimas de Violência (NUAVV) que funciona no hospital, onde as vítimas são acolhidas por profissionais de uma equipe multidisciplinar.
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