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Educação: Alunas da EJA vencem categorias de poema e crônica do 5º concurso de desenho e redação da Semed

O sorriso largo no rosto de Francerly tem o mesmo motivo dos olhos marejados de Elizanilde. As duas alunas da Escola Pedro Peres Fontenelle, locali...

06/11/2023 às 22h21
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA

O sorriso largo no rosto de Francerly tem o mesmo motivo dos olhos marejados de Elizanilde. As duas alunas da Escola Pedro Peres Fontenelle, localizada no Núcleo Morada Nova, levaram o primeiro lugar no Concurso de Desenho e Redação deste ano, o ConRede, realizado pela Secretaria Municipal de Educação (Semed). O resultado trouxe uma grande sensação de dever cumprido para a coordenadora pedagógica Nilza de Jesus, que atua há 5 anos no segmento de Educação de Jovens e Adultos (EJA), no qual as duas alunas vencedoras estudam. Para ela, o mais desafiador é mudar alguns pensamentos sobre incapacidade, principalmente entre os alunos EJA, e mostrar as possibilidades de ter êxito.

Nilza de Jesus, coordenadora pedagógica
Nilza de Jesus, coordenadora pedagógica

“Nós atendemos um público de jovens, adultos e idosos que vêm para a escola com estigma de que eles não são capazes, e essa desvalorização que eles têm na mente é interpretada como incapacidade. Por isso, a nossa primeira coisa é desconstruir isso, é dizer que eles são capazes, e que a escola está aqui para poder apoiá-los, como a agência principal de letramento que ela é. Acredito que isso foi um dos pontos que facilitou para que essa produção chegasse a esse nível de vencedor de um concurso de redação”, afirma a coordenadora.

Realizado exclusivamente em toda a Rede Municipal de Ensino da Semed, o ConRede é um concurso que busca premiar as melhores produções de desenho e textos em alguns gêneros como poema, memória e crônica. A Coordenadora do Programa Marabá Leitora, Edileide Patrícia, explica sobre os processos que envolvem a iniciativa.

Edileide Patrícia, coordenadora do Programa Marabá Leitora
Edileide Patrícia, coordenadora do Programa Marabá Leitora

“Após reunião com todos os gestores das escolas, é lançado um edital, geralmente no mês de março, com uma série de regras de desenhos e de produção textual. Os desenhos abrangem da Educação Infantil ao 3º ano, já os 4º e 5º anos ficam com os textos em forma de poema. 6º e 7º, memórias, e por fim, o gênero crônica, para 8º e 9º anos. No ano que há as Olimpíadas de Língua Portuguesa, os textos também concorrem para elas, e o tema normalmente é o mesmo”, explica.

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Além disso, os professores envolvidos recebem formações junto à Semed, com o objetivo de preparar o aluno, e aperfeiçoá-lo na fonetização, pontuação, acentuação e domínio do gênero textual, por exemplo.

O ensino EJA é dividido atualmente em dois segmentos: Etapa, que corresponde de 1º a 5º; e o Ensino Personalizado, abrangendo as turmas de 6º ao 9º ano. Cada segmento concorre a um gênero diferente. Este ano, a etapa ficou com a poesia, enquanto o segundo segmento se dedicou ao gênero crônica. Segundo a coordenadora Nilza, 43 alunos EJA da Escola Pedro Fontenelle participaram do concurso.

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“As nossas educadoras, como as professoras Renata e Aldiceia, fizeram brilhantemente esse trabalho de intervenção, de idas e vindas no texto, de mostrar para esses alunos que a escrita não é algo que é espontâneo, na qual eu vou lá e escrevo e de uma primeira rodada já está pronto, não é. Esse texto precisa ser amadurecido, revisitado, ressignificado, etc. E esse movimento a gente teve, graças às professoras. A aluna Elizanilde, do segmento etapa, trouxe elementos da história dela e do dia a dia, algo muito espontâneo e peculiar da vida dela. A Francerly já traz um relato do do dia a dia também, a crônica, algo que a gente pode considerar casual. Mas o que envolve no texto, que chama atenção das duas, é porque elas conseguem colocar, de forma poética, algo do dia a dia, do cotidiano delas. E elas foram muito bem”, retrata a coordenadora.

As vencedoras

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Natural do Estado do Maranhão, Elizanilde Alves tem 43 anos e atualmente é dona de casa. Mudou-se para Marabá com 15 anos. De lá para cá, só decidiu ter contato novamente com a sala de aula em 2022, quando, por acaso, ao comparecer à escola para resolver problemas do filho, logo foi convidada por uma professora para se matricular na EJA e voltar aos estudos.

“Eu até disse, não, hoje não. Mas ela insistiu, que eu decidi ficar logo aqui. Só fui para casa depois que terminou a aula. Aí eu nunca parei mais, graças a Deus, nem vou parar”, revela a aluna vencedora.

Elizanilde conta que o suporte da professora foi fundamental para que a produção obtivesse êxito e levasse o primeiro lugar na categoria poesia.

Elizanilde Alves, 1º lugar na categoria Poesia
Elizanilde Alves, 1º lugar na categoria Poesia

“A professora explicou para gente falar sobre o bairro em que a gente morava. Daí a gente começou a iniciar um trabalho baseado no meu dia a dia, que eu tenho. A professora Renata me ajudou muito, desde o começo até o final, como nas rimas, nas palavras e sempre eu perguntava a ela tudo o que eu precisava saber para melhorar o poema. E esse processo foi fazendo com que o texto melhorasse cada vez mais, até chegar a esse resultado”, ressalta

A aluna revela que foi uma sensação única e inesquecível ao receber, da professora, a notícia do resultado. “Eu fiquei paralisada quando recebi a notícia da professora. Foi uma satisfação tão grande, porque eu nunca nem pensei em ganhar. Mas agora eu quero ganhar mais vezes, para trazer esse mérito à minha escola”, expressa Elizanilde, com os olhos marejados.

A mesma sensação foi vivida pela vencedora do gênero Crônica. A dona de casa Francerly de Almeida tem 33 anos, é natural de Morada Nova e expõe que foi um desafio participar deste concurso, depois de muito tempo afastada da sala de aula.

Francerly de Almeida, 1º lugar na categoria Crônica
Francerly de Almeida, 1º lugar na categoria Crônica

“Quando a professora fez o anúncio deste concurso, a gente foi meio pega de surpresa. Porém ela nos preparou. A princípio, eu quis desistir porque achei algo terrivelmente difícil pra mim, por muito tempo ter me afastado da escola, da escrita e da gramática. Mas teve todo um preparo durante o processo. Foi algo que, com a ajuda dela e de outros professores, nós conseguimos entregar”, apresenta.

O texto, segundo a Francerly, aborda uma história fictícia, criada em sala de aula, de um casal, onde o marido tinha um amigo que não era bem-vindo para a esposa, pelo fato do mesmo ser inconveniente no meio da relação. A trama concluiu-se com o afastamento do personagem amigo. Mas para a estudante, mesmo prazeroso, não foi fácil chegar ao resultado final. A ajuda das professoras se fez essencial nessa trajetória.

“Sempre quando eu tinha uma dúvida em relação a algum nome, história, vírgula, enfim, eu recebia ajuda das professoras, principalmente a professora Auricélia, que me preparou e orientou durante todo o processo”, enfatiza.

Escola Pedro Peres Fontenelle, em Morada Nova, onde as alunas estudam
Escola Pedro Peres Fontenelle, em Morada Nova, onde as alunas estudam
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
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Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA
Foto: Reprodução/Prefeitura de Marabá - PA

Francerly narra que a surpresa foi grande ao receber o resultado positivo. “Foi inimaginável e uma honra ter ganhado a primeira colocação neste concurso. Foi um desafio para mim, como aluna. Estou me sentindo privilegiada de trazer essa vitória pra nossa escola, juntamente com as professoras”, relata a aluna campeã.

“Esse concurso é muito includente, pois abrange todos os segmentos da educação do município, além de quebrar os preconceitos e mostrar que é possível o aluno ser escritor. E a escola, como agência principal de letramento, têm que trabalhar esse contato do aluno com a leitura e a escrita. E em termos de país, temos poucos escritores. E quando esse aluno aceita esse desafio de ir para o mundo da escrita, para nós é de suma importância, principalmente quando é um aluno EJA, os quais precisam de um cuidado, vínculo, pois são um público muito fácil de perdermos”, conclui a coordenadora Nilza, cheia de orgulho e entusiasmo.

Texto: Sávio Calvo
Fotos: Sara Lopes

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