
A sigla em inglês ESG, criada em 2004 pelo Pacto Global? em parceria com o Banco Mundial, representa a sustentabilidade ambiental, social e de governança corporativa (Environmental, Social and Governance) nas empresas.
De acordo com Pacto Global, a aderência aos critérios ESG por parte das empresas brasileiras está se tornando cada vez mais uma realidade. A conformidade com os padrões ESG é um fator que reforça a competitividade do setor empresarial, tanto no mercado nacional quanto no internacional. Na atualidade as empresas são monitoradas de perto por diversos grupos de interesse, sendo assim, a adoção de práticas ESG representa um indicativo de solidez, redução de custos, melhoria na reputação e maior capacidade de enfrentar incertezas e vulnerabilidades.
O professor universitário e médico intensivista Dr. Álvaro Réa-Neto adiciona que o objetivo do compromisso vai além de evitar a deterioração dos recursos naturais, trata-se de uma preocupação geral, além da empresa/instituição, tendo como foco a sociedade.
De acordo com ele, o conceito é usado para descrever a busca por maneiras de minimizar impactos no meio ambiente, e o quanto a empresa se preocupa com as pessoas no entorno e que adota bons processos administrativos. O ESG traz uma visão holística englobando a empresa, meio ambiente e sociedade.
ESG na área da saúde
Conforme análise realizada pelo Health Research Institute (HRI) da PwC, 45 sistemas de saúde e seguradoras, juntamente com 32 empresas farmacêuticas e de biociências, demonstraram que as organizações de saúde podem obter benefícios adicionais ao incluir uma abordagem ambiental e de governança do ESG em sua estratégia global.
Historicamente, provedores de serviços de saúde, operadoras de planos de saúde e empresas farmacêuticas e de biociências têm abraçado a vertente social no âmbito das práticas ESG, focando no cuidado dos pacientes e desenvolvendo medicamentos, vacinas e dispositivos que aprimoram a saúde e salvam vidas, a inclusão dos requisitos ambiental e de governança tendem a aprimorar o uso da prática na área da saúde.
Segundo o Dr. Álvaro, em um ambiente de UTI, por exemplo, é essencial gerenciar os recursos de forma eficiente para reduzir o desperdício e minimizar o impacto ambiental. “Isso inclui o gerenciamento adequado de suprimentos médicos, equipamentos energeticamente eficientes e o descarte responsável de resíduos perigosos”, explica o médico, que é o responsável pelas UTIs do Hospital VITA Batel, em Curitiba. A medicina intensiva tem a responsabilidade de cuidar de pacientes em estado crítico e gravemente doentes, buscando estabilizá-los e oferecer tratamento adequado para sua recuperação.
Considerações do ESG relevantes no contexto da medicina intensiva
Aplicar os princípios do ESG à medicina intensiva está alinhado com o objetivo mais amplo de práticas de saúde sustentáveis e responsáveis. Essas considerações podem levar a uma melhoria no atendimento ao paciente, melhor gerenciamento de recursos, redução do impacto ambiental e maior responsabilidade social dentro do setor de saúde.
Para as considerações ambientais, o Dr. Álvaro ressalta:
Gestão de recursos: em um ambiente de UTI, é essencial gerenciar os recursos de forma eficiente para reduzir o desperdício e minimizar o impacto ambiental. Isso inclui o gerenciamento adequado de suprimentos médicos, equipamentos energeticamente eficientes e o descarte responsável de resíduos perigosos.
Eficiência energética: hospitais, incluindo UTIs, consomem grandes quantidades de energia. A implementação de medidas para economia de energia, como o uso de iluminação e equipamentos eficientes em termos energéticos, pode ajudar a reduzir as emissões de gases de efeito estufa e diminuir os custos operacionais.
Iniciativas sustentáveis: hospitais podem adotar iniciativas sustentáveis para diminuir a pegada ambiental. Por exemplo, algumas instalações de saúde podem incorporar fontes de energia renovável, incentivar a reciclagem ou implementar práticas ecologicamente corretas, como a redução do uso de papel por meio da documentação digital.
Para as considerações sociais, o médico adiciona:
Cuidados centrados no paciente: envolve respeitar os direitos, a dignidade e a autonomia dos pacientes, bem como envolvê-los nos processos de tomada de decisão sobre o tratamento na UTI.
Diversidade e inclusão: as instalações de saúde, incluindo as UTIs, devem priorizar a diversidade e a inclusão entre os funcionários para garantir um ambiente justo e equitativo tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde.
Engajamento com a comunidade: o envolvimento com a comunidade local pode promover melhores resultados na saúde e uma melhor compreensão das necessidades de assistência médica, além de apoiar iniciativas de saúde comunitária.
E para considerações de governança, finaliza:
Padrões éticos: a tomada de decisões éticas é de suma importância na UTI. Os hospitais devem ter estruturas de governança claras que promovam conduta ética e processos de tomada de decisão transparentes para o cuidado dos pacientes e alocação de recursos.
Conformidade e responsabilização: as instalações de saúde devem cumprir as regulamentações e normas relevantes, bem como estabelecer sistemas de responsabilização pela qualidade dos cuidados prestados na UTI.
Engajamento das partes interessadas: o envolvimento das partes interessadas, incluindo pacientes, familiares, profissionais de saúde e a comunidade em geral, pode levar a melhores resultados e a uma tomada de decisão informada na UTI.
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