

NOS ÚLTIMOS ANOS, temos presenciado uma série de revelações surpreendentes que têm encantado o público e agitado estudiosos e admiradores de Machado de Assis. A seguir, comentaremos vinte descobertas impressionantes, incluindo duas revelações exclusivas que ainda não foram oficialmente anunciadas. É importante ressaltar que os acessos às hemerotecas - coleções ou conjuntos organizados de periódicos (jornais, revistas ou obras em série) - digitais e aos bancos de dados e registros genealógicos online desempenharam um papel fundamental no sucesso da maioria dessas incríveis descobertas.
Em 1972, Galante de Sousa, grande pesquisador machadiano, fez um verdadeiro achado: o primeiro poema de Machado, oculto nas páginas obscuras do Periódico dos Pobres. O soneto intitulado À Ilma. Sra. D. P. J. A. (1854) continua a nos intrigar, deixando uma pergunta no ar: quem era a musa inspiradora desse poema? Ao final deste artigo, apresentaremos algumas pistas promissoras que ajudarão a desvendar esse enigma.
Em 1989, o professor Arnaldo Saraiva, da Universidade do Porto, revelou um poema inédito de Machado de Assis intitulado A uma atriz, datado de 1867. Saraiva encontrou esses versos preciosos em abril de 1986, em um sebo na cidade do Porto, acrescentando assim mais um tesouro literário à obra do autor.

Em 1991, o escritor Haroldo Maranhão redescobriu o conto Terpsícore. Esse texto estava guardado nos arquivos da Biblioteca Nacional, e sua redescoberta despertou grande interesse. Naquele mesmo ano, Maranhão lançou o romance Memorial do fim, uma obra de ficção que aborda a morte de Machado de Assis.
No ano de 2008, o professor Mauro Rosso resgatou o conto Um para o outro (1879), considerado perdido, do acervo de Galante de Sousa, disponível na Fundação Casa de Rui Barbosa. Esse conto seria posteriormente publicado no livro Contos de Machado de Assis: relicários e raisonnés, trazendo à luz mais uma preciosidade da obra do autor.

Em 2015, a Academia Brasileira de Letras recebeu dos herdeiros do crítico literário José Veríssimo (1857-1916) um material extraordinário contendo 61 cartas, sendo que 11 delas eram desconhecidas até então. Além disso, uma foto inédita de Machado de Assis também foi encontrada nesse acervo, enriquecendo ainda mais o conhecimento sobre o escritor.
No mesmo ano, o professor Wilton José Marques resgatou o poema O grito do Ipiranga, um dos primeiros textos de Machado de Assis, publicado originalmente no jornal Correio Mercantil em setembro de 1856. Wilton também lançou um livro detalhando essa importante descoberta literária.
Em 2015, ocorreu uma identificação surpreendente: Machado de Assis foi reconhecido em uma foto da Missa Campal, realizada em 17 de maio de 1888, que celebrou a assinatura da Lei Áurea. Essa descoberta foi possível graças a um meticuloso estudo realizado pela Brasiliana Fotográfica, uma colaboração entre o Instituto Moreira Salles e a Biblioteca Nacional. Esse estudo permitiu a identificação precisa do ilustre escritor naquela imagem histórica, lançando uma nova luz sobre sua participação em eventos importantes da época.

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