
Ao todo, participam da capacitação 534 futuros policiais civis. São 411 aprovados para o cargo de inspetor e 123 para a função de escrivão
Teve início nesta segunda-feira (14) o curso de formação dos futuros policiais civis do Ceará. A aula inaugural ocorreu na Academia Estadual de Segurança Pública (Aesp), em Fortaleza, e contou com a presença do governador Camilo Santana, da vice-governadora Izolda Cela, e do secretário da Segurança Pública e Defesa Social, Sandro Caron. Ao todo, 533 aprovados participam da capacitação, sendo 411 futuros inspetores e 123 novos escrivães. A previsão de conclusão do curso é em junho próximo.
O chefe do Executivo estadual destacou o trabalho de estruturação que vem sendo feito, mas com foco na valorização do profissional. “O Ceará hoje tem o que há de melhor em termo de armamento. Todo policial tem sua arma. Temos a maior frota de aeronaves biturbina do Brasil. Estamos apostando na inteligência e tecnologia. Temos o sistema de videomonitoramento, novos batalhões no interior, mais delegacias 24h, viaturas, motos. Porém o mais importante na segurança são vocês. Portanto, a minha gratidão. Considerem-se vitoriosos. Daqui a três meses vocês estarão todos nomeados. Que Deus abençoe e vocês possam cumprir essa missão honrosa”, enfatizou o governador.

Camilo Santana disse ainda que “a área da segurança pública é desafiadora no Brasil inteiro. Desde 2015 a gente vem procurando fortalecer as nossas equipes contratando novos profissionais e valorizando. Isso é uma forma de reconhecer o trabalho. Ser policial é uma profissão muito desafiadora. Ele coloca a vida dele em risco para proteger a nossa população”, reconheceu.
O curso é voltado para a habilitação dos futuros inspetores e escrivães que irão reforçar a polícia judiciária do Governo do Ceará. Eles atuarão em ações investigativas, apuração de infrações penais, prisões e outros procedimentos.

Além dos conteúdos que ajudam na tarefa diária de um policial, os alunos terão acesso a conceitos que contribuirão para o caráter deles como profissionais. Na visão de Izolda Cela, esse aprendizado bem feito terá ligação direta com os resultados desejados. “Foi uma peneira fina e vocês com certeza são vitoriosos. Agora, seguem essa nova e importante etapa, onde vocês vão ter a oportunidade de conhecer melhor o ambiente, o trabalho e, principalmente, a apreensão de valores que são demarcados e constituem a organização a que vocês querem ingressar. É a partir dessa introversão dos valores que a sociedade cearense vai ter servidores conectados àquilo que é tão caro a nós, que é a possibilidade de termos uma segurança que traga para as pessoas um bem viver. Vocês terão um papel importantíssimo nisso”, enalteceu a vice-governadora.

Com 728 horas/aula, sendo 602 na modalidade presencial e 126 EAD, a capacitação vai contar com disciplinas de conhecimentos integrados, jurídicos e específicos, abordando assuntos como: técnicas operacionais; tiro policial; defesa policial; condução veicular operacional; técnicas de entrevista; sistemas de informação policial aplicados à prática cartorária; armas e munições letais e menos letais e equipamentos; introdução à investigação policial; direitos humanos e atuação do profissional de segurança pública frente aos grupos vulneráveis, dentre outras disciplinas. Além disso, serão promovidas atividades complementares com seminários e palestras.
De 2015 para cá, já foram contratados 1.296 profissionais para a Polícia Civil – o que representa atualmente 40% do efetivo, sendo 601 inspetores, 441 escrivães e 254 delegados. “O Ceará vem investindo cada vez mais. Apenas falando da Polícia Civil, o governador Camilo Santana terá nomeado quase 2 mil policiais (ao final deste ano), isso representa quase 50% do efetivo. Ao longo de 2022, a Aesp tem a missão de formar quase 4 mil profissionais da segurança”, apontou o secretário Sandro Caron.

Ao dar as boas-vindas aos futuros servidores do efetivo da Polícia Civil, o delegado-geral Sérgio Pereira destacou que, mesmo com todo o investimento que vem sendo feito na área, os polícias continuarão sendo a ferramenta mais efetiva e importante para o Governo do Ceará na luta contra a criminalidade. “A gente faz uso da tecnologia e de todo esses equipamentos, mas nossa principal arma são vocês. Sejam sempre os melhores. A nossa profissão é uma das mais nobres do mundo. É você se arriscar para defender a vida de um terceiro. Somos protetores. Desejo a vocês um bom curso”, afirmou o chefe da Polícia Civil.
Para os 533 futuros policiais civis, a sensação de estar iniciando o curso de formação é uma mistura de sentimentos, como definiu Felipe Lima, 32 anos, que passou para o cargo de inspetor. Para ele, passa um filme na cabeça de tudo vivido até chegar naquele momento. “Você deixa de estar com a família, no lazer, em prol de um objetivo, que é realizar o sonho de servir à Polícia Civil, ao estado do Ceará. Então, o processo é longo, não é fácil, é árduo, e em um momento como esse, da solenidade, passa um filme de tudo que a gente passou naquelas noites, madrugadas, finais de semana, feriados. Tudo que a gente passou valeu a muito a pena”, disse Felipe.

Agora, o futuro inspetor espera finalizar logo essa etapa e começar a atuar como policial civil. “É uma ansiedade, aquela vontade de já estar na rua fazendo o nosso serviço, que é proteger a sociedade. Então tem aquela ansiedade de concluir o curso com êxito e colocar em prática tudo que a gente vai aprender aqui na Academia de Polícia”, pontuou.

Quem comunga do mesmo pensamento é Leila Reis, 36 anos, também aprovada para o cargo de inspetora. Na memória da quase policial civil, vem a lembrança do esforço ao lado dos companheiros de estudo e do pai, vítima da pandemia do coronavírus. “É muita emoção, porque lembro das noites que passei em claro, lembro de feriados que perdi com os meus amigos estudando. E assim, pra mim estar aqui hoje, é muito emocionante, porque estou pelos meus amigos, que ainda continuam na luta estudando, e o sonho que era do meu pai, que faleceu ano passado de covid. Então, para mim é uma mistura muito grande de emoções”, comentou Leila, que desde 2016 vem se dedicando aos estudos com o propósito de integrar os quadros das forças de segurança pública do Ceará.

Além desse sentimento de alegria pela aprovação no concurso, a pernambucana Sonyelle Lima tinha um fator a mais para comemorar. Negra, ela passou no primeiro concurso público cearense realizado já com as regras de 20% das vagas reservadas para a cota racial. Na visão dela, trata-se de uma medida que faz justiça a ela e seus irmãos de pele. “É importante para a população preta do Brasil. É uma oportunidade única. No meio de 100 mil pessoas, nós tivemos a oportunidade de estar de igual para igual com os demais. Foi muito especial para nós”, revelou a futura inspetora.
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