
Entrega de “certificado de coragem”, uso de boneca e de miniveículo no processo de hospitalização estão entre as estratégias
Auxiliar a criança hospitalizada que vai passar por um procedimento cirúrgico a compreender o momento específico em que vive nem sempre é tarefa fácil. O Hospital Estadual Leonardo Da Vinci (Helv), unidade da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), tem desenvolvido estratégias lúdicas e pedagógicas para tornar o ambiente hospitalar mais confortável para os pequenos pacientes.
No pré-operatório, as crianças que passam pelo Laboratório para a realização de testes recebem o “certificado de coragem”, uma prova do enfrentamento, com bravura e determinação, à agulha para a coleta de sangue.

De acordo com o coordenador do Laboratório do Helv, Richard Cavalcante, a entrega do documento é um ato de cuidado e humanização. “É um reconhecimento para a criança, por ter enfrentado aquele momento, cujo processo é doloroso e invasivo”, pontuou o farmacêutico. “A iniciativa agrega valores na experiência do paciente. É algo que a criança não espera receber e torna mais agradável esse período dentro do hospital”, complementou.
No Centro Cirúrgico, o acolhimento é feito por profissionais com a ajuda da Liz Da Vinci, uma boneca criada pelas enfermeiras do setor Sheila Lima e Laís Sousa para auxiliar na explicação de procedimentos aos pequenos. A personagem usa avental cirúrgico, touca para os cabelos, pulseira de identificação de paciente e carrega um acesso para soro.
“Com pouca idade, elas ainda não entendem o uso de dispositivos invasivos e de monitorização. Isso pode ser muito traumático para elas. Então, o intuito da boneca foi mostrar que alguns suportes serão utilizados também pela criança”, explicou Lais Sousa

Outra atração do Centro Cirúrgico é o miniveículo elétrico. Doado pela empresa de tecnologia iByte, o brinquedo é utilizado para locomoção das crianças até a sala de cirurgia, tornando mais leve o processo.
Para a enfermeira Sheila Lima, a proposta lúdica faz com que as crianças se sintam mais em casa, em um ambiente mais acolhedor. “Como elas não podem trazer o brinquedo para o Centro Cirúrgico, pelo risco da contaminação, então ter a boneca ou o carrinho, que são objetos familiares, ajuda a tirar o foco da hospitalização e da cirurgia”.
O resultado das ações podem ser observados de forma clínica nas crianças e nas mães que, geralmente, acompanham os pequenos. “Notamos que as crianças têm chorado menos; Isso ajuda em uma possível intubação, por exemplo. Quando elas choram muito, tendem a ter mais secreção, dificultando o procedimento. As mães também saem mais tranquilas e agradecidas pelo suporte”, avaliou Laís Sousa.
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