
Parceria com Instituto Latino Americano de Sepse e treinamento das equipes qualificaram o diagnóstico da infecção
Disfunção orgânica ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do organismo às infecções. Esta é uma das definições de sepse, conhecida popularmente como infecção generalizada. No Hospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), somente em 2022 houve um aumento de 100% na abertura antecipada de Protocolos Sepse. Isto significa que mais vidas foram salvas.
A cearense Francisca Elisangela, de 36 anos, sabe bem da importância desse cuidado. Ela passou cerca de 40 dias internada no HGWA, no ano passado, para uma cirurgia de reversão de colostomia. Durante o período, apresentou diagnóstico positivo para sepse. “Tive um atendimento com profissionais maravilhosos; eles me ajudaram bastante. Tenho consciência da abertura do Protocolo e do significado dele para a minha cura”, afirma.
Segundo a enfermeira do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do HGWA, Cristiane Araújo, responsável por gerenciar o Protocolo Sepse na unidade, um dos avanços na temática foi a parceria junto ao Instituto Latino Americano de Sepse (Ilas), além de treinamentos das equipes.
“A mudança da percepção se deve à importância em salvar as vidas de nossos pacientes, enfatizada em todos os nossos feedback às equipes assistenciais. A parceria com o Ilas foi fundamental para nortear as ações de abertura do Protocolo de forma precoce e para benchmarking com os demais hospitais do Brasil usuários dos mesmos indicadores do Instituto”, pontua Araújo.
A médica infectologista Luciana Bandeira, também do SCIH, explica que a sepse é a principal causa de morte por infecção, principalmente se não for observada precocemente. “O retardo na suspeição e no reconhecimento da sepse impedem que sejam tomadas as devidas condutas com o paciente no tempo certo, como o início da administração de antibióticos e a reposição volêmica, impactando diretamente em um pior desfecho clínico e até mesmo óbito”, diz.
Ainda de acordo com Bandeira, qualquer tipo de agente infeccioso pode desencadear sepse, principalmente as ocasionadas por bactérias, em quadros respiratórios como as pneumonias, de infecções urinárias e de pele.
“O uso de protocolos dentro das instituições de saúde auxilia na tomada de decisões e pode assegurar medidas em tempo hábil, sem que se esqueça as etapas de avaliação desses pacientes. O tempo é um fator primordial no sucesso do desfecho clínico de pacientes sépticos. Quanto mais rápidas forem feitas as intervenções, mais eficaz será a conduta médica e, consequentemente, melhor o desfecho clínico com sucesso terapêutico”, detalha a infectologista.
Coordenadora médica das Clínicas do HGWA, Andrea Gondim destaca o treinamento da equipe médica para o reconhecimento precoce de pacientes com sepse. As divulgações internas, com aulas com especialistas, também são essenciais para o manejo adequado dos casos.
“No mês de fevereiro, apresentamos uma aula de atualização sobre sepse, de forma on-line, síncrona, para médicos diaristas, plantonistas e residentes. O conteúdo foi gravado e está disponível para os profissionais, a qualquer momento. Seguiremos aumentando o número de vidas salvas dentro do hospital”, ressalta.
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