
O Museu de Arte do Rio Grande do Sul (Margs) iniciou uma série de visitas mediadas na Língua Brasileira de Sinais (Libras). O projeto apresenta a exposição “Acervo em movimento", que inclui obras adquiridas pelo museu nos últimos quatro anos, em um formato focado na acessibilidade e na inclusão de pessoas surdas.
Na tarde da última quinta-feira (26/1), Patrícia Fumiko, que é surda e trabalha com o ensino de Libras, aproveitou o dia de muito calor em Porto Alegre para participar da primeira visita organizada pelo projeto. Natural de São Paulo, ela vive em Porto Alegre há 14 anos, mas ainda não tinha visitado o Margs. A ideia de uma visita guiada totalmente em libras fez com que ela se interessasse por conhecer o espaço.
“Hoje foi minha primeira experiência no Margs e, de verdade, nunca presenciei um momento assim, com a acessibilidade acontecendo da forma como aconteceu. Estou completamente admirada. A intérprete nos acompanhou em todos os momentos, em todas as obras da exposição. Isso foi muito importante para que eu pudesse entender sobre as obras”, contou Patrícia, que estava acompanhada do filho Noah, cinco anos, que também não escuta.

A mediadora das visitas em Libras, Vânia Rosa da Silva, é pedagoga e trabalha como intérprete há 30 anos. Durante os encontros promovidas pelo projeto, ela não atua como tradutora de um mediador do museu, como costuma ocorrer em outras situações. O diferencial é a mediação feita diretamente em Libras, sem intermediários. Para tanto, Vânia passou por uma capacitação e uma imersão sobre a história do museu, as obras e os artistas apresentados na exposição.
“Antes, aconteciam eventos em que os intérpretes, em determinados momentos, faziam a tradução da mediação de outra pessoa. Neste projeto, a mediação é diretamente em Libras. Fiz a formação para saber mais sobre arte. Estudei sobre cada artista e cada obra para poder passar essa experiência aos visitantes, assim como fazem os mediadores do museu”, explicou Vânia.

No primeiro encontro, que durou quase uma hora, Vânia percorreu as obras da exposição e não poupou movimentos, expressões e entusiasmo para garantir que os visitantes pudessem ter a melhor experiência possível. “Eu achei fantástico. Pude interagir, responder perguntas, falar sobre o que os artistas quiseram representar, sobre quem eles são. Pude olhar nos olhos das pessoas e deixá-las à vontade para perguntar. Não é isso que acontece geralmente quando se vai traduzindo. Quando se abre esse espaço para que as pessoas possam explorar e fazer parte da experiência, a arte começa a fazer parte da vida dessas pessoas”, observou.
Patrícia confirmou que o empenho da mediadora fez a diferença. “Aqui se fez a comunicação, e o surdo precisa disso, não basta olhar. O surdo também precisa de arte, e essa acessibilidade nos museus é fundamental. Fiquei encantada”, afirmou.
Organizadora do projeto e integrante do núcleo educativo do Margs, Carla Batista explicou que a ideia da mediação direta em Libras é aproximar os visitantes e transpor barreiras. “Aqui no Margs estamos sempre pensando em estratégias de acessibilidade, e esse projeto entra no programa de acessibilidade do museu. A ideia é poder encurtar a distância entre a obra de arte e o público visitante”, explicou.
A mediação em Libras ocorrerá até junho. Os encontros são gratuitos e ocorrem uma vez por mês, sempre em quintas-feiras, nas seguintes datas:
As vagas são limitadas a 20 pessoas por mediação, e as inscrições podem ser feitas por meio deste formulário .
Texto: Thamíris Mondin/Secom
Edição: Vitor Necchi/Secom
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