
No próximo dia 28 de janeiro, o Hospital Infantil Albert Sabin (Hias), unidade vinculada à Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), será palco de um complexo procedimento para a correção de extrofia de bexiga/epispadia. A malformação congênita acomete uma em cada 100 mil crianças nascidas vivas no mundo.
“Estamos falando de uma condição extremamente rara, que costuma envolver os aparelhos urinário e genital masculino. O bebê nasce com a bexiga para fora do abdômen, com toda a genitália exposta. Isso traz repercussões de múltiplas ordens”, detalha o coordenador do serviço de Cirurgia Pediátrica do Hias, Augusto César Gadelha de Abreu Filho.
Para garantir o sucesso da cirurgia reparadora, um grupo multi-institucional, composto por profissionais de diversas localidades brasileiras, virá a Fortaleza aplicar a denominada técnica de Kelly, desenvolvida pelo urologista australiano que dá nome ao método.
“A estratégia nos permite, em uma só intervenção, consertar a parte estética e funcional, buscando devolver, inclusive, a continência, ou seja, a capacidade de controlar devidamente o fluxo da urina. Em virtude de sua complexidade, costumamos investir cerca de 12 horas no centro cirúrgico”, explica.
Augusto César ressalta, ainda, os principais diferenciais positivos em relação a outras técnicas aplicadas. “Antes, o paciente precisava realizar diversas cirurgias em momentos distintos da vida: uma para fechar a bexiga, outra para realizar plástica no pênis e outra para consertar o colo vesical. Agora, todos esses esforços são concentrados em uma só circunstância”, resume.
De acordo com a diretora-geral do Hias, Fábia Linhares, o suporte hospitalar oferecido preenche os pré-requisitos necessários ao êxito da iniciativa. “Dispomos de médicos excelentes e de equipes multidisciplinares bem preparadas. Nossa Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está bem estruturada para garantir uma adequada internação pós-cirúrgica até que o paciente se recupere plenamente”, pontua.
A operação será liderada por Nicanor Macêdo, coordenador do grupo multi-institucional, e contará com a atuação de alguns membros da equipe, como Augusto César e Manoel Oliveira, ambos cirurgiões do Hias.
Uma comitiva previamente inscrita poderá acompanhar a transmissão, em tempo real, das instalações do Hias. “Um telão será disponibilizado, a partir das 7h, para contemplar os colegas médicos de qualquer instituição com interesse em assistir ao procedimento”, explica Augusto César.
Profissionais interessados devem preenchereste formulário até o dia 25 de janeiro.
O Grupo Multi-institucional para Tratamento de Extrofia de Bexiga é uma iniciativa da Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (Cipe) em parceria com o médico cearense Nicanor Macêdo. A ideia é compartilhar a técnica de Kelly com cirurgiões de vários estados, objetivando operar todos os casos existentes no País. Mais de 60 crianças já foram beneficiadas desde 2019, quando a comitiva começou a realizar as cirurgias.
“Até agora, já percorremos 15 cidades distintas. Todo mês, estamos em uma localidade diferente. Com essa, o grupo já veio a Fortaleza quatro vezes e todas as cirurgias foram feitas no Hias. Isso é motivo de orgulho para nós”, celebra Augusto César.
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