
A violência armada não tem dado trégua para os moradores de Salvador e Região Metropolitana. Durante o mês de dezembro, 110 tiroteios foram mapeados pelo Instituto Fogo Cruzado. É como se houvesse, em média, três tiroteios por dia na região. Dos 110 registros feitos pelo instituto, 43 deles ocorreram durante ações ou operações policiais, representando 39% dos tiroteios. Para os moradores de Fazenda Coutos, no subúrbio ferroviário de Salvador, a violência esteve ainda mais presente na rotina, fazendo com que muitos optassem por abandonar a casa onde vivem para fugir da violência. O bairro concentrou 15 tiroteios em dezembro, um episódio a cada 48h, em média.
Um único bairro representou 14% do total de tiroteios, somando todos os bairros da região metropolitana. No dia 28, a Unidade de Saúde da Família Vila Fraternidade, localizada na Fazenda Coutos, foi atingida durante um intenso tiroteio na região. “Mais do que o número de tiroteios registrado em um bairro, é essencial olhar para o contexto social da região. É preciso relacionar dinâmicas de violência com ausência de políticas públicas”, avalia Tailane Muniz, coordenadora regional do Instituto Fogo Cruzado na Bahia. Embora a área do subúrbio ferroviário tenha concentrado um percentual considerável de tiroteios no mês, os seis meses de monitoramento do Fogo Cruzado em Salvador já dão mostras de que a violência armada se espalha por diferentes regiões a cidade.
“Outros 13 bairros da capital registraram média de dois tiroteios em dezembro. É uma violência distribuída por locais diversos, com dinâmicas específicas”, explica Tailane. Ao todo, 75 pessoas foram baleadas ao longo do sexto mês de atuação do Instituto Fogo Cruzado na Bahia. Entre as vítimas, 54 morreram e 21 ficaram feridas. Entre os mortos, 46 eram homens e oito eram mulheres. Entre os feridos, 16 eram homens, quatro eram mulheres e uma vítima não teve o gênero identificado. Casos de feminicídio também chamaram a atenção no mês. Em um intervalo de 10 dias, duas mulheres foram vítimas de feminicídio por arma de fogo em Salvador e Região Metropolitana.
No dia 22, Greice Kelly Rocha Soares, de 26 anos, foi morta pelo ex-marido, policial militar, quando estava em um salão de beleza dentro do supermercado Big Bompreço, na Avenida ACM, em Salvador. O PM, que não aceitava o fim do relacionamento, atirou em Greice Kelly oito vezes. Pouco mais de uma semana antes do caso de Greice, no dia 12, Madai Santos São Bernardo foi morta a tiros quando estava em casa, no bairro Cosme de Farias. O marido de Madai é o principal suspeito.
Para Dudu Ribeiro, cofundador da Iniciativa Negra por Uma Nova Política de Drogas, organização parceira do Fogo Cruzado na Bahia, e, também, coordenador da Rede de Observatórios da Segurança na Bahia, “Salvador e toda a região metropolitana vive hoje uma situação dramática de violência armada, sobretudo devido à opção do Estado em investir por décadas em uma segurança pública que promove a violência e que distribui a morte a partir da lógica da guerra às drogas.
Não há solução fácil para a violência armada no Brasil, mas é necessário que os gestores tomem decisões políticas pensadas para curto, médio e longo prazo que revertam esse quadro e que priorizem as vidas e os territórios, desumanizados pela lógica do racismo”. Em comparação com novembro, que concentrou 107 tiroteios, 74 mortos e 19 feridos, dezembro apresentou aumento de 3% nos tiroteios e de 11% no número de feridos, porém queda de 27% entre os mortos.
Entre os 75 baleados em dezembro em Salvador e Região Metropolitana, foi possível identificar a cor/raça de somente 29 deles, o que representa 39% das vítimas. Dos 54 mortos, 17 eram negros e seis eram brancos. Entre os 21 feridos, cinco eram negros e um era branco. O Fogo Cruzado atua na Bahia em parceria com a Iniciativa Negra por uma Nova Política sobre Drogas. Os dados também estão disponíveis na API do instituto, onde podem ser consultados abertamente e gratuita. O aplicativo do Instituto funciona colaborativamente e anônima com registro de dados e informações sobre tiroteios e violência por arma de fogo. Por meio das informações coletadas e de um mapeamento ativo, o Instituto realiza o levantamento e faz a contabilização, especificando as localidades e os recortes dos dados (chacinas, balas perdidas, tiroteios e outros indicadores).
O mapa da violência Entre os 13 municípios que compõem Salvador e Região Metropolitana, oito foram impactados pela violência armada foram: ● Salvador: 81 tiroteios, 39 mortos e 15 feridos, ● Camaçari: 13 tiroteios, 6 mortos e 2 feridos, ● Lauro de Freitas: 5 tiroteios, 1 morto e 2 feridos ● Simões Filho: 4 tiroteios e 3 mortos ● Mata de São João: 3 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido ● Dias D'Ávila: 2 tiroteios, 2 mortos e 1 ferido ● Candeias: 1 tiroteio e 1 morto ● São Sebastião do Passé: 1 tiroteio.
O perfil da violência armada.
● Em dezembro, oito pessoas foram baleadas quando estavam em casa: sete morreram e uma ficou ferida. ● Três pessoas ficaram feridas por arma de fogo quando estavam dentro de transportes públicos. ● Uma pessoa foi morta a tiros quando estava em um bar. ● Um agente de segurança ficou ferido por arma de fogo. ● Um motorista de aplicativo ficou ferido por arma de fogo. ● Entre as vítimas mapeadas em dezembro, uma criança, três adolescentes e um idoso foram baleados: deste número, dois adolescentes e um idoso morreram. Outros 70 eram adultos entre 18 e 59 anos: 51 deles morreram e 19 ficaram feridos.
SOBRE O FOGO CRUZADO.
O Fogo Cruzado é um Instituto que usa tecnologia para produzir e divulgar dados abertos e colaborativos sobre violência armada, fortalecendo a democracia através da transformação social e da preservação da vida. Com uma metodologia própria e inovadora, o laboratório de dados da instituição produz mais de 30 indicadores inéditos sobre violência nas regiões metropolitanas do Rio, do Recife e de Salvador. Através de um aplicativo de celular, o Fogo Cruzado recebe e disponibiliza informações sobre tiroteios, checadas em tempo real, que estão no único banco de dados aberto sobre violência armada da América Latina, que pode ser acessado gratuitamente pela API do Instituto.
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