
Tânia Mara Silva Coelho, de 50 anos, é a segunda mulher à frente da pasta
Determinação, força de vontade e competência marcam a trajetória de Tânia Mara Silva Coelho. Nascida em Fortaleza, em 1972, a “doutora Tânia”, como é chamada por todos à sua volta, trilhou um caminho de dificuldades e resiliência antes de ser a segunda mulher a chefiar a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa). Filha de mãe semianalfabeta, a menina de família humilde tinha, desde criança, um sonho que parecia improvável para sua realidade: tornar-se médica.
Leia também:Tânia Mara Coelho se apresenta como titular da Saúde do Ceará a colaboradores e autoridades
Desde pequena, Tânia era obstinada pela carreira de salvar vidas, mesmo sem parentes atuando na Medicina. Ganhou, aos seis anos de idade, um estojo com estetoscópio e seringa de plástico para brincar da profissão que tanto desejava exercer. Sensível à aspiração da caçula e acreditando no estudo como meio de transformação de vida, Maria da Conceição Pereira da Silva decidiu investir na educação dos três filhos.
A matriarca conseguiu, juntando até o dinheiro que seria destinado para a alimentação, matricular as crianças em escolas particulares. Tânia e os irmãos fizeram jus ao empenho da mãe e se esforçaram para ingressar no ensino superior. A aprovação da futura médica não veio logo, mas ela perseverou até conquistar, em 1992, a tão sonhada vaga na Universidade Federal do Ceará (UFC) – a única instituição a oferecer o curso de Medicina no Estado à época.

Tânia Mara, ao centro, com os dois irmãos, Tatiana e Tibério
Na faculdade, Tânia Mara descobriu um mundo de novas descobertas e possibilidades. Diante das mais variadas áreas de atuação, encontrou, na Infectologia, uma paixão que a acompanharia pelos próximos anos. O primeiro contato com a especialidade ocorreu no terceiro semestre do curso, no ambulatório de infecções sexualmente transmissíveis, coordenado pelo infectologista e professor Ivo Castelo Branco.
A então estudante desejava, a cada dia, ter mais aprendizados e vivências no universo rico e intrigante das doenças infecciosas. Após participar de uma seleção, começou a estagiar no Hospital São José (HSJ), referência em Infectologia no Ceará. A unidade, que pelo perfil despertava medo até em profissionais da Saúde, fez brilhar como nunca os olhos de Tânia. Nasciam nela, a partir dalí, outros dois objetivos: ser infectologista e trabalhar de forma efetiva no equipamento.

Tânia Mara ao lado da mãe, Maria da Conceição, e do pai, Raimundo Fonseca Coelho, durante a sua formatura
No São José, já como residente, Tânia Mara passou por todos os setores – da Emergência às enfermarias. Participou da assistência a pessoas vivendo com HIV e percebeu a importância da humanização no tratamento dos pacientes, uma das principais características da unidade hospitalar. A jovem infectologista conseguiu, em pouco tempo, um novo feito: ser aprovada em um concurso que a permitiria trabalhar novamente no HSJ. Dessa vez, como servidora pública estadual.
O hospital, ao qual ela se refere carinhosamente como sua segunda casa, conheceu ao longo do tempo uma médica incansável, dedicada aos pacientes e também apta à liderança. Com um tino evidente para a gestão, Tânia foi convidada, em 2011, a ser diretora clínica do HSJ, onde também passaria pelas direções técnica e geral. À frente da instituição, viveu momentos alegres e outros desafiadores, participando diretamente do enfrentamento a epidemias de dengue, chikungunya e H1N1.
Sua primeira passagem pela Sesa ocorreu em 2019, quando ocupou o cargo de superintendente da Rede Hospitalar. Em 2020, de volta à direção do Hospital São José, deparou-se com o que seria, até então, o maior desafio da sua carreira: a pandemia de covid-19. Ao lado do corpo de gestores do HSJ, Tânia Mara adaptou a estrutura da unidade, participou de treinamentos e mostrou a devida coragem para receber centenas de pessoas diagnosticadas com uma doença fatal ainda desconhecida.

Durante a pandemia, Tânia Mara foi uma das principais fontes de informação para a imprensa no HSJ
Salvar vidas era, novamente, a principal missão da mulher que teimou ser médica e gestora em uma sociedade ainda patriarcal. Tânia, habituada a dormir cedo, perdeu noites de sono, encarou o medo do contágio e viu partir colegas de profissão e pacientes. Nos plantões em fins de semana, foi, por muitas vezes, a voz que levava alento para familiares ávidos por notícias – fossem boas ou ruins.
O desempenho na direção do principal hospital de doenças infecciosas do Estado a levou, em 2021, para uma nova jornada na Sesa. Assumindo o posto de secretária executiva de Atenção à Saúde e Desenvolvimento Regional, Tânia Mara mostrou competência para alçar voos ainda maiores e continuar cuidando da saúde da população cearense.
Com 50 anos e uma carreira marcada por lutas e conquistas, a mulher escolhida para estar à frente da Saúde do Ceará acredita, com base na própria história, que é possível mudar o País por meio do investimento em educação e ciência. Defensora do Sistema Único de Saúde (SUS), Tânia Mara Silva Coelho está pronta para iniciar este novo capítulo da sua vida. Leva consigo décadas de experiência na Medicina, empatia com o próximo e a força da menina que um dia ousou traçar o próprio destino.
Cuiabá - MT Botão do Pânico Saúde garante resposta rápida e reforça segurança na UPA Verdão
Piauí Rafael Fonteles inaugura UTI e serviço de tomografia do Hospital Regional de Uruçuí nesta quinta (2)
Sergipe Sergipe registra crescimento de 25,8% no número de doação de órgãos no primeiro semestre de 2026
Saúde AVISO DE PAUTA: Estado inaugura nova UTI no Hospital Governador Celso Ramos, em Florianópolis
Sergipe Maternidade Nossa Senhora de Lourdes reforça importância da vacina BCG na prevenção da tuberculose
Sergipe Governo de Sergipe divulga resultado preliminar do II Prêmio Sergipano de Gestão Pública
Bataguassu - MS VALORIZAÇÃO: Agentes comunitários de saúde e de combate às endemias recebem novos kits de trabalho
Saúde Com suporte à distância e inovação, Estado moderniza a saúde nos 399 municípios
Bataguassu - MS Mais de 6 mil kits de higiene bucal são entregues a estudantes da rede pública de ensino e alunos da APAE Mín. 25° Máx. 26°