
Após quatro anos trocando mensagens por cartas e telefone, Rosilândia Rodrigues, de 42 anos, e Lafaiete Henrique, de 43, irão se conhecer pessoalmente nesta quinta-feira (29), às 14h, no Aeroporto Internacional de Fortaleza. Ele a salvou por meio da doação de medula óssea, em 2015. O encontro será viabilizado pelo Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará (Hemoce), equipamento da Secretaria da Saúde do Estado (Sesa), em parceria com o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC).
É a terceira vez que um encontro entre doador e receptor do tecido líquido é promovido no Ceará. Um deles ocorreu também neste mês.
Diagnosticada com leucemia em 2014, Rosilândia iniciou o tratamento de quimioterapia no hospital federal. Após o primeiro ciclo do recurso terapêutico, os médicos reavaliaram o quadro da paciente e informaram a necessidade de um transplante de medula óssea. Foi quando a gerente administrativa começou a buscar, na própria família, a esperança.
Os irmãos e os pais realizaram os exames de compatibilidade no Hemoce, mas sem sucesso. Primos, demais familiares e amigos tentaram em seguida. Os resultados não foram animadores.
Por meio do Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome), a corrida por voluntários compatíveis no Brasil e no mundo tornou-se a solução. Em 2015, o professor paranaense foi localizado. Em maio daquele ano, a cearense realizou o transplante no Hospital Natal Center, em Natal (RN).
“Desde que o meu transplante foi feito, sempre demonstrei interesse em conhecer o meu doador, mas era necessário esperar por mais um tempo. A quebra de sigilo só veio no fim de 2018, quando tivemos o primeiro contato, o que foi de grande emoção para mim e toda a minha família. Agora, finalmente, vou conhecer o meu anjo doador. É assim que o chamo: um irmão que Deus colocou no meu caminho”, diz Rosilândia.
Segundo o Redome, somente após um ano e seis meses do transplante é possível ter a quebra de sigilo de identidade entre doador e receptor. Para iniciar o processo, independentemente de quem tenha manifestado o interesse, é necessário que ambas as partes estejam de acordo e que o paciente esteja bem clinicamente, além de conter indicação médica atestando a aptidão para conhecer o seu doador.
A coordenadora do Núcleo de Medula Óssea, Francisca Rodrigues, detalha o percurso. “O primeiro passo é entrar em contato com o Redome informando a data da coleta ou do transplante. Com seis meses da data de infusão, o doador pode obter informações de saúde do paciente pelo e-mail postransplante@inca.gov.br. Depois de 12 meses, está liberada a troca de correspondências. Após 18 meses do procedimento, é possível solicitar a quebra de sigilo. Com os dois envolvidos de acordo, assinam um termo de consentimento para revelação e aguardam o retorno do Registro”.
Para se cadastrar, o voluntário precisa ter de 18 a 35 anos, estar saudável, não ter sido diagnosticado com câncer e apresentar um documento de identificação oficial com foto. O doador também preenche uma ficha com dados pessoais e tem coletada uma amostra de 5 ml de sangue. As pessoas já cadastrados devem ficar atentas para o caso de serem convocadas e atualizar os dados quando houver mudança de endereço e telefone.
Locais de cadastro no Ceará (Fortaleza e Interior)
– Sede do Hemoce (Av. José Bastos, 3390 – Rodolfo Teófilo)
– Shopping Del Paseo (Av. Santos Dumont, 3131 – Aldeota)
– Instituto Dr. José Frota (IJF) (Rua Barão do Rio Branco, 1816 – Centro)
No interior cearense, os interessados podem fazer o cadastro nos hemocentros regionais de Sobral, Quixadá, Iguatu, Crato e no hemonúcleo de Juazeiro do Norte.
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