
A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) dá visibilidade à problemática da perda gestacional, neonatal e infantil buscando impulsionar a humanização do atendimento aos pais nos serviços de saúde e, principalmente, orientar as famílias enlutadas da forma mais adequada. Neste contexto, foi definida uma programação para celebrar datas significativas e promover discussões sobre o tema entre profissionais de saúde.
Marcado como Dia Internacional da Conscientização da Perda Gestacional ou do Recém-nascido, o 15 de outubro conta com gestos de sensibilização em vários países, quando os pais enlutados acendem uma vela no início da noite e a deixam queimar por, no mínimo, uma hora em homenagem ao seu “anjo”, formando o que se chama de “Onda de Luz”.
Para consolidar o acompanhamento permanente da temática, a Sesa instituiu o Comitê Estadual de Prevenção do Óbito Materno, Infantil e Fetal, que contribui com o monitoramento das etapas do processo de vigilância desses óbitos nas Regiões de Saúde do Ceará, bem como com a avaliação das políticas de saúde materna e infantil.
O Comitê é o responsável, anualmente, por organizar a Semana Estadual de Conscientização pelas Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, entre 15 e 21 de outubro. Para além das estatísticas, a iniciativa visa conscientizar a sociedade para voltar a atenção ao acolhimento de mães e pais que vivem a dor da perda gestacional e neonatal. A prestação de cuidados a estas famílias é de vital importância para evitar resultados negativos a curto e longo prazo.
A programação tem como ponto focal o Fórum Estadual de Conscientização pelas Perdas Gestacional, Neonatal e Infantil, a ser realizado no próximo dia 19 de outubro, no auditório da Sesa. O objetivo é sensibilizar gestores, profissionais e estudantes das diversas áreas de saúde quanto à relevância do cuidado integral e humanizado junto às famílias, a fim de que as vivências de perdas perinatais tragam menor impacto em suas vidas.
Durante o evento, será apresentada a proposta do Protocolo de Cuidado Integral às Famílias na Rede de Atenção à Saúde, cuja finalidade é fortalecer boas práticas aos serviços de saúde que atendem os pais após uma perda de gravidez ou a morte de um bebê.
Participarão das mesas de discussão os médicos Herlânio Costa, especialista em Medicina Fetal e professor adjunto do Departamento de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará (UFC); Ana Vitória, obstetra do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) e presidente do Comitê Estadual de Prevenção da Mortalidade Materna, Infantil e Fetal; Shirley Virino, neonatologista e vice-presidente do Comitê Estadual; e a psicóloga perinatal Marley Carvalho, assessora técnica da Coordenadoria de Gestão do Cuidado da Sesa.
Cerca de 20% das gestações clinicamente diagnosticadas evoluem para interrupção espontânea e não estão associadas somente à morbidade física ou alta mortalidade, mas com repercussões sociais e psicológicas importantes à família. É definida como a remoção do embrião ou do feto antes de atingir a viabilidade, podendo ser um evento único isolado ou recorrente.
O National Center for Health Statistics, os Centers for Disease Control and Preventions (CDC) e a Organização Mundial de Saúde (OMS) definem aborto espontâneo como término da gravidez com idade gestacional (IG) menor que 20 semanas ou com feto cujo peso seja inferior a 500 gramas. De acordo com a época da gestação na qual ocorre a interrupção, denomina-se aborto ovular quando ocorre até a terceira semana; embrionário, entre a quarta e a oitava semana; e fetal, ocorrido entre 9 e 20 semanas.
Uma perda gestacional da 22ª até a 36ª semana é chamada pelos médicos de parto prematuro de um natimorto. Da 36ª semana em diante, se o bebê morre no útero materno, diz-se que houve uma perda gestacional tardia.
No Ceará, pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM/GT) Vigilância do Óbito, foram contabilizados em 2022, até o dia 3 de setembro, 831 óbitos gestacionais, sendo a maior parte (217) entre as semanas 32 e 36 da gravidez. Considerando que faltam dados dos últimos quatros meses do ano, é possível perceber uma tendência de semelhança com os anos anteriores, quando foram contabilizados, de janeiro a dezembro, 1.378 óbitos gestacionais (2021); 1.381 óbitos (2020); 1.384 (2019); 1.471 (2018) e 1.374 (2017).
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