
O dado é resultado de uma análise realizada pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que examinou 14.918 tweets e retweets feitos pelo presidente da república, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e pelo vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) a fim de desvendar padrões em suas ofensivas contra a liberdade de imprensa no Brasil. O estudo permitiu mapear uma rede de ataques que envolve influenciadores e atores políticos.
Ataques, críticas e tentativas de descredibilização foram encontrados em 73% dos tweets em que os membros da família Bolsonaro mencionaram jornais, jornalistas ou a imprensa de modo geral. Carlos Bolsonaro foi o integrante que mais atacou, somando 351 publicações, respostas e compartilhamentos hostis — 86,9% das vezes que comentou sobre a mídia e seus profissionais dentro do recorte temporal analisado. Em seguida, está Eduardo, com 340 ataques (66,6% de seus tweets sobre imprensa) e Flávio, com 76 (62,8%). Já o chefe do executivo nacional adotou uma postura antagônica em relação à imprensa, meios de comunicação e comunicadores em 54,8% (34) de suas postagens e repostagens sobre o assunto.
Dados dos monitoramentos de ataques e violência de gênero contra jornalistas, conduzidos pela Abraji, mostram que atores estatais foram os principais agressores em 2021 — e que esse padrão vem se mantendo em 2022. Nesses dois anos, membros do clã Bolsonaro lideram como os principais autores de ataques, ao lado de aliados e apoiadores do governo.
Não à toa, os discursos estigmatizantes proferidos por autoridades e as campanhas sistemáticas de intimidação despontam como os principais tipos de agressão, chegando a 74,6% dos casos registrados em 2021 e 64,5% dos episódios identificados entre janeiro de 2022 até o momento. Os números também deixam claro o potencial das redes sociais como ferramentas de ataque, já que 62,5% do total de alertas de 2021 e 60,1% dos casos de 2022 tiveram origem ou repercussão na internet. Isolados, esses dados já desenham um cenário preocupante. E, juntas, as informações revelam um padrão de violência contra a imprensa e seus profissionais que se desenrola no ambiente on-line: atores políticos instigam a hostilização, seus seguidores a amplificam. Os ataques se espalham e se fortalecem por meio de redes articuladas ou semi-articuladas.
Em abril de 2022, por exemplo, Eduardo Bolsonaro usou sua conta no Twitter para debochar da prisão e tortura da jornalista Míriam Leitão durante o período de regime militar no Brasil (1964-1985). A agressão ecoou entre parte dos internautas que apoiaram a atitude do deputado. Míriam Leitão já foi alvo de cinco ataques diferentes realizados pelos Bolsonaro ao longo deste ano. Em junho, o repórter Lucas Neiva e a editora Vanessa Lippelt, do site Congresso em Foco, foram alvos de ofensas e ameaças após publicação de matéria que revelava a mobilização de um fórum anônimo para produzir conteúdo desinformativo em prol do presidente. Lippelt sofreu ameaças de estupro.
A análise dos tweets dos Bolsonaro sobre a imprensa revelou uma rede de conexões entre contas que são frequentemente respondidas e retweetadas pelos atores políticos em seus ataques. Essa rede é, sobretudo, formada por figuras conhecidas no cenário político nacional, ocupantes de cargos públicos e eletivos, e influenciadores com milhares de seguidores no Twitter.
Os padrões de uso da plataforma entre os integrantes da família do presidente também são diferentes. Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) é o membro que mais ataca a imprensa no Twitter, também o que mais responde a ataques feitos por outros usuários; 44,4% de suas postagens sobre o tema são respostas — apenas 23% são à própria conta (threads) — e 1,4% são retweets. O vereador frequentemente interage com as contas @brom_elisa, que tem 125,3 mil seguidores na plataforma; @iaragb, com 74 mil seguidores; e @saritacoelho, com 74,5 mil seguidores.
Carlos também divide ataques com o influenciador Kim Paim (@kimpaim), que acumula 678,2 mil seguidores no Twitter e 629 mil inscritos no YouTube, e com atores políticos como o ex-secretário especial de Cultura do governo, Mario Frias (@mfriasoficial), o chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, General Heleno (@gen_heleno), o ex-secretário nacional de Incentivo e Fomento à Cultura, André Porciuncula (@andreporci), o comentarista político Rodrigo Constantino (@RConstantino) e o pastor Marco Feliciano (@marcofeliciano).
Para Eduardo Bolsonaro (@EduardoSP), segundo na lista de agressores do clã, 33,8% dos conteúdos sobre imprensa são retweets e 11,2% são respostas (76,3% à própria conta, dando forma às threads). O deputado retweetou com frequência seus próprios conteúdos (23 vezes), mas, assim como o irmão, também interagiu com @brom_elisa, André Porciuncula, General Heleno, Kim Paim e Rodrigo Constantino.
Já o padrão de uso do Twitter do senador Flávio Bolsonaro (@FlavioBolsonaro) é marcado pelo compartilhamento: 86,4% são retweets e apenas 1,3% são respostas à própria conta. Ele deu visibilidade aos tweets de membros da família, compartilhando de @CarlosBolsonaro, @jairbolsonaro e @BolsonaroSP, bem como de contas influentes na plataforma, como @taoquei1, com 1,1 milhões de seguidores, e do ministro das Comunicações Fabio Faria (@fabiofaria), com 495,7 mil seguidores.
Por fim, entre os ataques do presidente à imprensa, 5,9% são retweets e 50% são respostas — todas à própria conta. Bolsonaro só compartilhou publicações do filho Carlos e do comandante da Força Aérea Brasileira, Brigadeiro Baptista Jr (@CBaptistaJr). Um grafo mostra as conexões entre os perfis da família Bolsonaro e contas no Twitter que receberam interações do clã em ataques à imprensa, a meios de comunicação e a jornalistas.
A pesquisa é um desdobramento do monitoramento de ataques à imprensa que a Abraji realiza sistematicamente desde 2019, com o apoio e a metodologia compartilhada da rede latino-americana Voces del Sur (VDS). O trabalho deu origem a um relatório com dados de 2021, disponível para download.
No ano passado, a associação também passou a monitorar casos de violência de gênero contra jornalistas. O projeto identifica e registra episódios de agressões, ofensas, ameaças, intimidações e outras formas de ataque que envolvem identidade de gênero, sexualidade, orientação sexual, aparência e estereótipos sexistas contra comunicadores como um todo, bem como casos de agressão contra mulheres jornalistas – cis ou trans – de forma geral.
O cenário de 2021 para a violência de gênero contra profissionais da imprensa foi apresentado em um relatório publicado em português, inglês e espanhol. O monitoramento conta com uma plataforma on-line que tem sido atualizada com os dados parciais de 2022.
RELAÇÕES EXTERIORES Na Alemanha, Lula celebra entrada em vigor do Acordo MERCOSUL-União Europeia: Nossas regiões disseram sim à integração para uma zona de livre comércio.
ENTREVISTA “Nunca na história do Brasil houve tanto atendimento aos prefeitos quanto agora”, diz Lula, em Salvador.
DIREITO SOCIAL Governo sanciona lei que amplia licença-paternidade para 20 dias e cria salário-paternidade.
Segurança Nacional Com presença de Lula, Brasil apresenta primeiro caça supersônico produzido inteiramente no país.
ELEIÇÕES 2026 BAND E TV CULTURA FECHAM PARCERIA PARA A REALIZAÇÃO DOS DEBATES PRESIDENCIAIS DAS ELEIÇÕES 2026.
É FAKE Governo do Brasil alerta para golpe com aplicativo falso que promete reembolso de descontos associativos.
TV Brasil 'Na Mesa com Datena' estreia nesta terça 21h na TV Brasil e entrevista vice-presidente Geraldo Alckmin.
ACESSO À INFORMAÇÃO Dia Internacional da Mulher: ComunicaBR destaca protagonismo feminino nas políticas públicas federais.
DIA DA MULHER Pronunciamento do presidente Lula sobre o Dia Internacional da Mulher. Mín. 25° Máx. 27°