
O debate foi feito em alusão a 15 de junho, um dia internacional de conscientização sobre a violência que atinge essa parcela da população, e lembrou também o Junho Violeta, campanha nacional de combate às agressões e abusos que têm os maiores de 60 anos como vítimas.
O promotor de Justiça Alexandre Alcântara, do Ministério Público do Ceará, mostrou um aumento de 81% nos registros de violência contra idosos no Disque 100, canal de denúncias do governo federal, neste período de crise sanitária.
O representante da Organização Pan-Americana de Saúde Ariel Karolinski lembrou que, até 2030, estamos na Década Internacional do Envelhecimento Saudável, uma oportunidade de combater a violência contra o idoso. Ele acrescentou que, embora o envelhecimento da população brasileira seja mais acelerado que o dos países vizinhos, há uma prioridade baixa nas políticas públicas para os idosos.
Os especialistas sugeriram a educação como a principal ferramenta contra o preconceito. O geriatra Alexandre Kalache prefere chamar a discriminação contra os mais velhos de "idadismo" e afirma que ela é reforçada pelas desigualdades sociais do País. Ele citou políticas públicas que perpetuam um viés negativo e estereotipado da velhice, assim como a infantilização na comunicação com o idoso.
Para o presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, deputado Denis Bezerra (PSB-CE), a discriminação é um dos maiores desafios da população que envelhece.
“Estereótipos ligados à idade podem contribuir para que o idoso adote comportamentos de risco como uma má alimentação, alcoolismo, tabagismo, prejudicando a saúde e encurtando a expectativa de vida. Faz parte de nosso trabalho na comissão lutar contra o etarismo em todas as suas formas, incluindo aquelas mais sutis.”
A coordenadora da Frente Nacional de Fortalecimento às Instituições de Longa Permanência (Ilpis), Karla Giacomin, levou para o debate alguns exemplos do preconceito: quando, numa consulta médica, o profissional de saúde só se dirige ao acompanhante do idoso; no supermercado, quando o cliente mais velho ouve reclamações porque é lento; no cotidiano, ao ser taxado de ignorante pela falta de habilidade com o celular.
“Quando eu falo que um preto é um ‘preto de alma branca’, eu estou sendo absolutamente racista. Quando eu falo que um velho é um ‘velho de espírito jovem’, eu estou fazendo exatamente a mesma coisa, mas eu acho que eu estou valorizando ele”, afirma Giacomin. Segundo ela, vão sendo criados eufemismos para evitar assimilar a velhice como uma parte natural e desejável da vida.
O representante da Secretaria Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa, Renato Gomes, falou das ações do governo federal para conscientizar a sociedade sobre o respeito e a valorização dos idosos. Ele apontou os impactos negativos do uso das redes sociais de forma inadequada.
“Os chamados ‘memes’ das redes sociais acabam reforçando a discriminação e o estigma sobre o processo de envelhecimento que deve sobretudo ser reconhecido como um fenômeno natural da vida. Infelizmente, por conta de uma construção histórica e social, nós acabamos tendo essa concepção equivocada sobre o que de fato é o envelhecimento.”
O representante do governo federal informou que está sendo planejado um guia de boas práticas intergeracionais, direcionado aos gestores municipais. Ele também recomendou como material de combate ao etarismo a cartilha “Quem Nunca”, lançada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal.
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