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Ingresso do Brasil na OCDE será salto de qualidade na gestão pública

Brasília sedia reunião da OCDE com países latino-americanos até 24 de junho

22/06/2022 às 12h16
Por: Fábio Costa Pinto Fonte: Agência Dino
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O Ministério de Relações Exteriores sedia até 24 de junho, em Brasília, série de reuniões entre países latino-americanos e a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A ‘Semana Brasil-OCDE’ foi aberta pelo secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann. Na pauta está a análise do plano de adesão do Brasil à Organização. Na opinião do especialista em governança pública, Roberto Coelho, a adesão do País significaria contar com um selo de qualidade, capaz de impulsionar a economia e qualificar a gestão pública em todos os níveis: municipal, estadual e federal.

Roberto Coelho tem décadas de experiência profissional em orientar gestores públicos de várias localidades. Ele enxerga nas exigências da OCDE para o ingresso do Brasil a oportunidade para agilizar uma ampla agenda de reformas envolvendo temas complexos, como governança corporativa, questões e tendências econômicas, revisões de marcos regulatórios, educação, saúde, governança pública, comércio e agricultura.

Boa parte desse esforço está em andamento desde 2017, lembra o especialista, quando o governo federal deu os primeiros passos para se aproximar da OCDE: combate à corrupção e promoção da integridade; aprimoramento da governança; ajuste fiscal; controle sobre finanças e investimentos, entre outros. Na Semana Brasil-OCDE o governo brasileiro apresentará os principais resultados de projetos em curso para que o país cumpra os critérios de adesão à OCDE.

A Organização, diz Coelho, exige absoluto controle sobre receitas e despesas, prestação de contas em tempo real e máxima interação em todos os níveis e esferas de governo - para tornar possível uma governança multinível.

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"Seguir estas recomendações levará o país a uma revolução na governança pública, em especial nos municípios, onde ela começa a ocorrer com apoio dos tribunais de contas e dos governos federal e estaduais, e já com avanços a partir da adoção de várias iniciativas, como: padronização de procedimentos em todos os níveis da gestão; sistema contábil único para que as contas públicas sejam mais bem controladas, e que a contabilidade seja descentralizada e mais transparente; indicadores de performance acessíveis em tempo real a variados públicos, e não apenas aos entes fiscalizadores", afirma o especialista.

Esse movimento alimenta a integridade da administração pública - uma das bases da boa governança, segundo a OCDE. "Eleva a confiança nos governos e a legitimidade dos processos de decisões políticas, com a preservação do interesse público. Tudo que o setor público faz envolve a questão financeira. É possível constatar que a avaliação da situação contábil e fiscal dos municípios, por exemplo, vem sendo melhorada a cada ano. É uma evidência dos avanços nas tratativas de ajustes fiscais que estados e municípios precisam promover", diz Roberto Coelho.

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Segundo ele, boa parte dos municípios que se encontram mais avançados na melhoria da governança adota como estratégia global um tripé formado pela adequação dos processos internos, a capacitação contínua dos servidores e a condução da gestão com base no "GRP", sigla em inglês para Planejamento dos Recursos Governamentais.

O GRP é visto como um facilitador para que os municípios se adequem às premissas da OCDE, e, nesse sentido, ele viabiliza a implantação do SIAFIC - Sistema Único e Integrado de Execução Orçamentária, Administração Financeira e Controle. Este sistema integra os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário e respectivos órgãos, com base de dados compartilhada e integrado aos sistemas estruturantes (gestão de pessoas, patrimônio, controle etc.). O Tesouro Nacional deu prazo até janeiro de 2023 para que os municípios o implantem para, assim, atenderem à nova sistemática de fechar balancetes diariamente e dispor dos dados abertos.

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Por ser uma plataforma focada em governança, o GRP é capaz de integrar em um sistema único os procedimentos de execução orçamentária, administração financeira e controle, entre outros itens. Proporciona, portanto, uma gestão qualificada com prestação de contas mais eficiente. Consegue, com isso, possibilitar aos cidadãos acompanharem, inclusive, no smartphone, os gastos, os investimentos e os retornos das ações realizadas pelas autoridades com os recursos públicos.

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