
Mais um ano, mais uma participação do Estado do Acre na Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, desta vez na sua 31ª edição, que ocorrerá entre os dias 9 e 20 de novembro na cidade de Antália, na Turquia.
E ficam as perguntas: o que o Acre leva para a COP? Por que ir tão longe para falar de meio ambiente e mudanças climáticas? O que isso muda no dia a dia dos acreanos? Quanto de recursos serão trazidos desta vez?
Como Secretário de Estado de Meio Ambiente, sinto-me no dever de responder a essas perguntas, que, de certa forma, ajudam a prestar contas do que tem sido feito no âmbito das políticas ambientais e de mudanças climáticas no Estado do Acre.
Começo pela primeira pergunta. Vamos a Antalya com duas diretrizes claras. A primeira é manter o Acre como referência global em política ambiental e climática, uma reputação construída sobre instrumentos pioneiros, como o Sistema de Incentivos a Serviços Ambientais (SISA), o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SIMAMC), o Orçamento Climático, a regularização ambiental e as concessões florestais. A segunda é captar novos recursos de financiamento climático para sustentar as políticas do próximo ciclo de governo, de 2027 a 2030.
Para isso, a nossa participação se organiza em três eixos, que se completam: mostrar os resultados e as boas práticas que sustentam essa reputação; apresentar projetos prontos para financiamento, ligados ao Programa de Governo Pro Acre Avançar, da Governadora Mailza; e dar protagonismo à agenda indígena, mostrando como as políticas públicas chegam ao território. Explico cada um a seguir.
Na agenda climática, reputação funciona como crédito: demora a ser construída e se perde rápido. E ela não se sustenta com discurso, mas com resultado medido por quem não é o próprio governo. Por isso, levo para Antalya os números oficiais publicados e que são acompanhados por uma série histórica de mais de 30 anos.
Ou seja, a estimativa preliminar do Prodes, do INPE, para 2025/26 aponta 252 km² de desmatamento no Acre, a menor taxa desde 2013. São 22% a menos que no ano anterior e cerca de 70% a menos que em 2021/22, quando foram 840 km². O Plano Estadual de Prevenção e Controle do Desmatamento e Queimadas (PPCDQ-AC) teve o seu limite cumprido em todos os anos de vigência, e em 2026 ficamos 46% abaixo do teto de 467 km² que nós mesmos estabelecemos.
No fogo, a história é parecida. 2025 fechou com o menor número de focos de calor desde 2001, e de janeiro a setembro de 2026, mesmo sob um El Niño forte, registramos 78% menos focos que no mesmo período de 2024, o ano em que Rio Branco teve o pior ar entre as capitais brasileiras. Isso não aconteceu por sorte: o Estado se preparou antes da seca, e o Corpo de Bombeiros Militar do Acre esteve na linha de frente.
Em junho, o CBMAC lançou a Operação Fogo Controlado, com quatro caminhonetes, quatro UTVs e 14 drones com câmera térmica, cerca de R$ 3,4 milhões em equipamentos, além da aeronave adquirida em março para deslocar tropa e equipamento. Em agosto, vieram cinco novas viaturas de combate a incêndio florestal. Ao lado dos Bombeiros, 50 brigadistas comunitários atuam em cinco unidades de conservação: das 226 operações que as brigadas registraram desde 2025, 97 foram integradas ao CBMAC. O decreto de emergência foi assinado antes do pico, e o trabalho foi feito junto com o IMAC, a Defesa Civil e tantos parceiros.
E faço questão de dizer de onde veio o dinheiro, porque é justamente isso que a COP ajuda a sustentar. As viaturas de combate florestal do CBMAC foram adquiridas com recursos do Fundo Amazônia. As bolsas e o custeio dos brigadistas comunitários vêm do Programa REM, de cooperação internacional, com R$ 2 milhões em 2026. As caminhonetes vieram do Fundo Estadual de Segurança Pública, as UTVs do Plano de Segurança de 2025 e os drones de um plano de aplicação de 2024, enquanto diárias e boa parte do custeio de pessoal são pagos com recursos próprios do Tesouro Estadual. Cooperação internacional, fundos nacionais e orçamento do Estado no mesmo time: é esse arranjo que queremos fortalecer e tornar permanente.
E há um dado de que gosto especialmente, porque responde a uma falsa escolha que ainda aparece no debate: entre 2021 e 2025, enquanto o desmatamento caía, o PIB do Acre cresceu cerca de 30% e o rebanho bovino, 28%, segundo dados do IBGE reunidos na nossa cartilha. Em 2023, o crescimento do PIB acreano, de 14,7%, foi o maior do Brasil. Ou seja: conservar a floresta e produzir não são caminhos opostos. São o mesmo caminho, quando há planejamento.
É isso que vamos mostrar no painel “Floresta em pé, bioeconomia e financiamento climático”, coordenado pela SEMA no Hub Amazônia, em 11 de novembro, e no Abema Day, em 13 de novembro, num painel sobre a iniciativa SeloVerde, ferramenta de transparência da produção agropecuária que já está funcionando no Acre e em mais 06 Estados Brasileiros que foi desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG com recursos do Programa Al- INvest Verde da União Europeia que recebe o Reconhecimento Técnico Global da FAO.
Reputação abre portas, mas é preciso ter o que oferecer do outro lado da mesa. No painel “Pro Acre Avançar: projetos e investimentos para uma Amazônia sustentável”, em 9 de novembro, com encerramento da Governadora Mailza, apresentaremos uma carteira de projetos concretos, alinhados ao Programa de Governo.
O primeiro são as concessões florestais. Em setembro, assinamos o contrato de modelagem com o BNDES, o Serviço Florestal Brasileiro e o BID para 429,7 mil hectares de florestas estaduais em Tarauacá. A meta é publicar dois editais até 2028 e gerar mais de 500 empregos diretos, com manejo sustentável e retorno para o Estado e para as comunidades, e a consulta pública do edital está prevista para 2027.
O segundo é o Plano Estadual de Adaptação, proposto para 2027–2030. As cheias e secas extremas dos últimos anos deixaram claro que não basta reduzir emissões: é preciso preparar as cidades, a produção e as famílias para um clima que já mudou. O plano está no Programa de Governo e buscamos financiamento para ele.
O terceiro é o REDD+ jurisdicional, que remunera o Estado pela redução comprovada do desmatamento e é uma política pública consolidada. Em 14 de novembro, participo de um painel com a ART, padrão internacional de certificação desses resultados, no Pavilhão da IETA, ao lado da Secretária Adjunta Renata Souza. Ali, o assunto é integridade: regras claras, repartição justa de benefícios com quem conserva a floresta, especialmente povos indígenas, extrativistas e produtores familiares, e segurança jurídica para quem investe.
Também estarei, em 9 de novembro, no Fórum de Investimento Subnacional da Coalizão Under2, numa mesa-redonda sobre como financiar a transição energética a partir dos territórios, e a Renata apresenta os sistemas que sustentam tudo isso, como o Sistema Integrado de Meio Ambiente e Mudança do Clima (SIMAMC), o CIGMA e o Programa de Resiliência Socioambiental no Hub da Amazônia.
O terceiro eixo é o painel “Povos Indígenas do Acre: território, identidade e protagonismo na agenda climática”, em 10 de novembro, coordenado pela Secretaria de Estado dos Povos Indígenas (SEPI). Quem conserva boa parte das florestas do Acre são os povos que vivem nelas. Nada mais justo que eles falem por si e mostrem como as políticas públicas chegam, ou ainda precisam chegar, às aldeias. A SEPI, inclusive, constrói um plano de adaptação próprio para os territórios indígenas, que dialoga com o plano estadual. A SEMA contribui com dados e com o apoio técnico, mas o protagonismo, nesse painel, é de quem está no território.
Porque é lá que se definem as regras e os fluxos do financiamento climático global: os mercados de carbono, os fundos de adaptação, os critérios de integridade que vão dizer quem acessa recursos e quem fica de fora. Os estados amazônicos não negociam o texto final, que é atribuição do Governo Federal, mas são os estados que entregam a maior parte dos resultados no território. E, quando os nove estados da Amazônia Legal chegam juntos, no Hub Amazônia do Consórcio Interestadual, a voz é muito mais forte que a de cada um sozinho.
Muda mais do que parece. Quem respirou a fumaça de 2024 sabe o valor de cada brigadista, de cada drone e de cada viatura que a cooperação internacional e o Fundo Amazônia ajudaram a colocar em campo. Mas a maior parte dos recursos vai para a produção, porque é ali que a vida das pessoas muda de verdade.
A Secretaria de Agricultura (SEAGRI) tem sido protagonista na construção de uma política agrícola de baixo carbono. O Acre lançou o seu Plano ABC+, que leva ao campo as tecnologias de agricultura de baixa emissão, e o Programa Pecuária + Eficiente, que aumenta a produtividade do rebanho na área já aberta, sem precisar avançar sobre a floresta. Ao mesmo tempo, fortalecemos as cadeias da bioeconomia, especialmente o cacau, a castanha-do-brasil e a borracha, que geram renda para extrativistas e agricultores familiares com a floresta em pé. E o café se consolida como exemplo de intensificação produtiva com respeito ao meio ambiente: mais produção por hectare, em áreas já abertas.
Somadas às concessões florestais, essas políticas significam emprego e renda no interior. É assim que a redução do desmatamento deixa de ser só um número do satélite e passa a chegar à mesa das famílias acreanas.
Serei honesto, como tenho procurado ser nestes artigos: não volto da COP com um cheque no bolso, e desconfio de quem promete isso. A COP não é um balcão onde se assinam contratos na hora. É onde se constrói a confiança e se apresenta a carteira de projetos que, nos meses seguintes, vira acordo, edital e recurso aplicado. Foi assim com o REM, foi assim com o Fundo Amazônia e Fundo Brasil – ONU e é assim que queremos que seja com as concessões, com a adaptação e com o REDD+ jurisdicional.
O compromisso que assumo é outro: ao voltar, apresentar o que foi tratado, com quem e quais encaminhamentos saíram de cada agenda. Enquanto isso, toda a nossa agenda pública está disponível em cop31-sema.vercel.app/?publico, e o resumo do que o Acre leva para Antalya pode ser visto em cop31-sema.vercel.app/acre. Transparência, para nós, não é peça de comunicação: é método de trabalho.
Vamos para Antalya com uma equipe enxuta, com a tarefa clara e com a convicção de que o Acre tem resultados para mostrar e propostas para oferecer. A floresta em pé é o nosso maior ativo, e cuidar dela é, cada vez mais, cuidar da economia, da saúde e do futuro de quem vive aqui.
Leonardo das Neves Carvalho, Secretário de Estado de Meio Ambiente do Acre, Vice-Presidente do Fórum de Secretários da Amazônia Legal.
The post O que o Acre leva para a COP 31 em Antalya, na Turquia? appeared first on Noticias do Acre .
Cidades Simtrans informa alterações no trânsito no entorno do Parque de Exposições neste domingo, 8
São Paulo Pesquisadores do Instituto Butantan desenvolvem nanotecnologia verde para combater parasitas da esquistossomose e larvas de Aedes aegypti
São Paulo Defesa Civil e Fundo Social de SP enviam ajuda humanitária a municípios afetados por fortes ventos; veja ocorrências no estado
Acre Unacon atende mais de 1,8 mil pacientes com câncer de mama e colo do útero em 9 meses e fortalece o tratamento perto da família
Alagoas Polícia Militar apreende drogas e medicamentos de uso controlado em Maceió
São Paulo Delegacia móvel facilita atendimento ao público na Fórmula 1
São Paulo SP atende estrangeiros em situação de vulnerabilidade nas Casas de Passagem; veja como funciona
São Paulo Drones ampliam capacidade de monitoramento da Polícia Militar durante o GP de São Paulo de Fórmula 1
Piauí Primeira colheita de milho marca avanço de pesquisas lideradas pelo Governo do Piauí contra desertificação em Gilbués Mín. 24° Máx. 27°