
Mais de 900 quilômetros de estradas vicinais já foram recuperados, com outros 1.500 quilômetros de manutenção previstos para 2026, enquanto 20 novas pontes ampliam a segurança e o acesso às comunidades, especialmente durante o período de inverno.
Por muito tempo, quem vive nas vilas e comunidades rurais de Marabá precisou conviver com uma distância que não era apenas medida em quilômetros. Era também a distância entre aquilo que existia na cidade e o que chegava às comunidades do interior. Estradas de chão, poeira, lama, pontes deterioradas, falta de espaços de lazer e a espera por serviços públicos faziam parte da rotina de muitos moradores.
Nos últimos dois anos, essa realidade começou a mudar em diferentes regiões do município. A atual gestão da Prefeitura de Marabá vem ampliando a presença do poder público na zona rural com obras de infraestrutura, manutenção de estradas, construção e recuperação de pontes, pavimentação, iluminação, equipamentos sociais, espaços esportivos, escolas e ações de saúde e regularização fundiária.








O resultado dessa transformação pode ser percebido não apenas nas obras, mas principalmente na fala de quem vive nessas comunidades. Na Vila Santa Fé, localizada a cerca de 70 quilômetros da área urbana, o sentimento de mudança é resumido pelo morador Jamilson Ferreira. Para ele, a chegada de diferentes serviços e equipamentos representa mais do que melhorias físicas.
“Enquanto morador da Vila Santa Fé, o sentimento que temos é de imensa gratidão, pois vemos que a transformação já começou. São inúmeras obras e benefícios que estamos recebendo aqui na Vila, como ambulância, pavimentação com malha asfáltica, o que trouxe mais dignidade aos nossos moradores e comerciantes. Temos também um projeto magnífico, que sonhávamos há muitos anos, que é a implantação do microabastecimento de água para nossa população. E temos ainda a construção de uma arena esportiva que irá beneficiar nossos jovens. O que posso dizer é que a zona rural, realmente dessa vez, está sendo lembrada. E nós, como moradores da zona rural, nos sentimos agora tão marabaenses quanto aqueles que moram no centro urbano.”


A percepção é compartilhada por Maurício Saraiva, líder da associação da Vila Santa Fé. Ele destaca a pavimentação, a iluminação pública em LED, o sistema de abastecimento de água, a construção da arena esportiva, a reconstrução de pontes e, especialmente, a regularização dos lotes da comunidade.
“Hoje eu chamo não é mais Santa Fé, é Santa Fé Marabá. Porque estamos encostados na cidade, 70 quilômetros da cidade e legalizados. Então eu estou alegre demais e tenho certeza que farão muito por nós.”


A regularização fundiária citada pelo líder comunitário alcançou 202 propriedades na Vila Santa Fé, dentro do programa Casa Legal, levando aos moradores a segurança jurídica sobre seus imóveis. A comunidade também recebeu ações de infraestrutura e serviços que reforçam essa integração entre os distritos rurais e a sede do município.
Para Maurício, a mudança é tão significativa que a comparação com o passado já começa a perder espaço. “Costumo dizer que hoje a Santa Fé está parecendo um bairro de Marabá. E um bairro legalizado.”
Estradas que conectam comunidades
Entre as ações de maior alcance na zona rural está a manutenção das estradas vicinais. Em 2025, foram registradas 86 ações, com serviços de patrolamento, cascalhamento de pontos críticos, limpeza, raspagem, piçarramento e desobstrução das vias.
Para 2026, a previsão é ampliar esse trabalho para 1.500 quilômetros de estradas vicinais, garantindo melhores condições de deslocamento para moradores, produtores rurais, estudantes e trabalhadores que dependem dessas vias diariamente.
Na região da Estrada do Rio Preto, a pavimentação também representa uma mudança aguardada há anos. Está prevista a execução de mais de 10 quilômetros de asfalto, além de trechos que beneficiarão diretamente comunidades como Capistrano de Abreu e Vila União.
Morador da Vila São Raimundo, Antônio Francisco de Oliveira acompanha de perto esse processo. Ele conta que as melhorias nas estradas já são perceptíveis e que a pavimentação representa uma conquista que parecia distante.
“A mudança é grande nessa gestão. Sempre tenho falado para meus amigos que é a gestão que mais tem feito aqui para a zona rural. Já temos mais de mil metros de pavimentação na Estrada do Rio Preto. Coisas que nunca foram feitas antes.”


Antônio participa desde o início da mobilização pela pavimentação da Estrada do Rio Preto e não esconde a emoção ao falar sobre os 10 quilômetros previstos.
“Isso é algo que me faz chorar. Já estive em Brasília, faço parte da comissão dessa pavimentação pela Estrada do Rio Preto que montamos para conseguir esse asfalto. Estou na comissão desde o princípio. Isso mexe com o coração da gente porque é pouco para muitas pessoas, mas para nós que estamos aqui e participamos da comissão, 10 quilômetros é muito.”
Na Vila Capistrano de Abreu, o morador Gustavo Henrique Silva também relaciona as obras de infraestrutura a uma nova expectativa para a região. Uma ponte de concreto deverá substituir uma antiga estrutura de madeira, melhorando a passagem de moradores e veículos.
“É muito bom. Os moradores agradecem muito. Essa ponte já vinha trazendo caos. Ano passado mesmo fizemos reparos nela e agora, com a construção, só tem a beneficiar muito nossa região e nossa vila.”


Para Gustavo, o avanço das obras também renova a esperança de quem vive no campo.
“É um sentimento de muita gratidão e esperança. Eu sou nascido e criado aqui na zona do Rio Preto e fico feliz de ver esse asfalto chegando. Nossa vila aqui na Capistrano de Abreu vai ser beneficiada com 3 mil metros de asfalto. Vila União também recebendo ponte de concreto. Agradeço muito pelo trabalho na zona rural, que tende a melhorar.”
Uma rede de pontes para vencer os obstáculos
Em um município com uma extensa área rural e dezenas de comunidades, pontes são fundamentais para garantir o deslocamento e o acesso a serviços. Por isso, a recuperação e construção dessas estruturas aparecem entre as principais ações de infraestrutura.
O conjunto de obras inclui pontes com diferentes soluções estruturais, de acordo com as características de cada localidade. Entre elas estão estruturas com tabuleiro metálico e concreto no PA Cinzeiro, na Vicinal do Iguaçu, e no PA Fortaleza; pontes de concreto com trilhos sobre o Rio Cinzeiro, entre Vila Seca e Vila Conquista, e sobre as grotas Cochiú, do Neném e da Tereza.
Também estão entre as intervenções a Ponte de Cajueiro, na Vicinal 2 do PA Escada Alta; pontes sobre a Grota da Tieta e a Grota da Onça; estruturas de madeira na Vicinal do Laticínio, próximo à Vila Três Poderes, sobre o Igarapé Café, próximo à Vila Santa Fé, sobre o Rio Tapirapé, na Vicinal da Cabanagem, próximo à Vila Cupu, além da ponte sobre a Grota do Jatobá, na Vicinal 06, ligando a região do Tapirapé à Vila Cupu, e outra sobre o Igarapé Açúcar, próximo à Vila Santa Fé.
Na Estrada do Rio Preto, as pontes do Raimundão e do Regaço também integram o conjunto de intervenções.




Educação, esporte e convivência
A transformação da zona rural não se limita às estradas. A lista de obras realizadas, em andamento ou previstas para inauguração inclui equipamentos que mudam a rotina das comunidades.
Entre eles estão a EMEF Marechal Rondon, na Vila Itainópolis; a EMEF Maria das Neves, na Vila Santa Fé; e a EMEF Carlos Marighella, na Vila 26 de Março. Também estão previstas a Arena Esportiva e a Feira Municipal do Brejo do Meio, ampliando as opções de esporte, lazer e geração de renda para a população.
Na Vila Três Poderes, uma antiga área sem utilização deu lugar a uma praça, enquanto o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Rio Preto passou a atender moradores de diversas comunidades da região. O equipamento ampliou a presença da assistência social no campo e atende não apenas a Vila Três Poderes, mas também outras localidades da Estrada do Rio Preto e comunidades vizinhas.
Morador da Vila Três Poderes, Fábio Franco destaca a diferença entre a antiga estrutura da comunidade e os novos equipamentos.
“Para a gente, morador que mora aqui há muitos anos, é motivo de muita alegria estar recebendo iluminação de LED, porque antes tínhamos uma iluminação muito precária, recebendo essa praça que não tínhamos, era um terreno baldio e hoje, graças a Deus, estamos com a praça aqui, boa e confortável.”


A arena esportiva também está entre as obras que despertam expectativa.“A obra começou e já está bem avançada e logo, logo teremos mais essa ferramenta para nossos jovens, tirar eles da rua e colocar para praticar esporte e lazer.”
Raimundo Nonato de Sousa, também morador da Vila Três Poderes, lembra que muitas dessas melhorias eram vistas como promessas distantes. “Conquistas que podemos contemplar, como morador há muito tempo, que nunca tivemos. Só promessas distantes. E agora conseguimos. Melhorias que agregam a todos, não só a um grupo, mas toda comunidade se beneficia.”


Para ele, a mudança também está relacionada à esperança de quem vive na região. “Sem os benefícios, nossa vila era, na minha visão, como esquecida. Não recebíamos as coisas e agora podemos enxergar e ter esperança que alguém olha para nossa região do Rio Preto. Um olhar de esperança.”
São Pedro muda de cenário
Na Vila São Pedro, a transformação aparece de maneira ainda mais visível para quem acompanhou durante anos a rotina das ruas sem pavimentação. A comunidade está recebendo pavimentação, iluminação e uma nova praça, obras que mudam o cenário e também a rotina dos moradores.
Joabson Rodrigues resume o sentimento de quem esperou por essas melhorias. “É um sonho realizado que há muito tempo a gente vinha guardando e esperando para chegar este momento. E esse momento realiza o sonho de muita gente, morador e companheiro produtor aqui da vila.”


Ele lembra como era o cotidiano antes da pavimentação. “Antes era no chão, muita poeira, vinha um prefeito ou outro que jogava água, mas ficava buraqueira, era difícil. Mas hoje se torna a realidade que esperamos há muitos anos.”
Ramini Ramadar, que acompanha a realidade da Vila São Pedro há mais de uma década, também destaca a dimensão da mudança. “Eu rodo aqui na São Pedro há mais de 10 anos e nunca tinha visto um trabalho tão bem feito como agora. Ruas todas pavimentadas, praça, e a Prefeitura está de parabéns. A população de São Pedro também, pelo lindo trabalho que vem chegando na vila.”


A percepção se repete entre outros moradores. Edvan da Silva conta que a chegada das máquinas provocou até desconfiança inicialmente, depois de anos de promessas.
“Ficamos até meio assustados com tanto maquinário. Daí sempre tem alguém que explica o que vinha sendo feito, o asfalto chegando e aí correu a notícia. Fomos lá ver e estava seixo, areia, caminhão, caçamba. Ainda assim tinha gente em dúvida, devido a tanta promessa, mas está sendo feito. Deu certo e está dando certo.”



Moradora da vila há 17 anos, Doralice Pereira Fernandes lembra das condições enfrentadas anteriormente. “Era uma buraqueira, barro, lama que entrava dentro de casa e agora está bom, só melhorando. As obras estão nota 100, mudou muito nossa realidade.”


Liliane Ferreira, que mora na Vila São Pedro há cerca de dez anos, também fala sobre a mudança no dia a dia. “Antes era muito buraco e poeira, a gente lavava a casa e poucas horas depois já estava sujo. Era muito ruim. Agora vai ficar bom demais. A vila ganhando vida nova.”


Para Milena Palma, a pavimentação também terá impacto especial para as crianças. “Vai melhorar muito, principalmente em tempo de chuva. Diminui a poeira e a praça vai ser boa para nós que temos criança. Eu tenho três filhos e tenho certeza que eles vão amar. Antes não tínhamos espaços de lazer.”


Uma zona rural mais próxima de Marabá
As obras espalhadas por diferentes comunidades revelam uma mudança que vai além da infraestrutura. A chegada de praças, iluminação, escolas, arenas esportivas, unidades de assistência social, ambulâncias, pavimentação, água, pontes e regularização fundiária representa também uma ampliação da presença do município em regiões que, durante anos, estiveram distantes dos grandes investimentos urbanos.
Na Vila Três Poderes, Fábio Franco traduz essa percepção de forma simples. “Antes falávamos ‘lá em Marabá’. Hoje Marabá é aqui também na zona rural. As obras padrão de lá da cidade têm aqui na zona rural também. Então é muito gratificante para nós essas obras.”



Em 2026 e 2027, a previsão de manutenção de 1.500 quilômetros de estradas vicinais, somada às pontes, pavimentações, escolas, praças, arenas, equipamentos sociais e demais obras, aponta para uma atuação que busca levar infraestrutura e serviços para além dos limites da área urbana.
E talvez seja justamente nas palavras de quem mora nessas comunidades que essa mudança possa ser melhor compreendida. Não se trata apenas de uma ponte reconstruída, de uma estrada patrolada ou de uma rua asfaltada. Para quem esperou durante anos, cada obra significa menos poeira, menos lama, mais segurança para atravessar, mais facilidade para chegar à cidade, mais espaço para os filhos brincarem e, principalmente, a sensação de fazer parte da cidade.
Para moradores como os de Santa Fé, São Pedro, Três Poderes, Capistrano de Abreu e tantas outras comunidades, a distância da cidade já não precisa significar distância dos serviços e das oportunidades.
























Texto: Osvaldo Henriques
Fotos: Paulo Sérgio
Fotos Drone: Alex Barros
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