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Educadora pede blindagem anti-doutrinação religiosa escolar

Ativista de políticas educacionais desde 2016, Vasconcellos pretende propor, se eleita, a fiscalização periódica das Diretorias Regionais de Ensino (DREs) quanto ao cumprimento das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de...

16/09/2026 às 11h47
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Educadora da rede pública de ensino e candidata a deputada estadual por São Paulo, Adriana Vasconcellos (MDB) defende que o Estado garanta a liberdade religiosa nas escolas e que nenhum credo seja imposto ou hostilizado neste ambiente.

A professora alerta para o crescimento de projetos de lei que propõem a inclusão de conteúdo religioso específico no currículo — como a adoção da Bíblia como livro paradidático em escolas públicas. Segundo ela, essas propostas afrontam o artigo 5º da Constituição Federal, que garante a inviolabilidade da liberdade de consciência e de culto, e com o caráter laico do ensino público.

"A escola pública é de todos os credos e também de quem não professa religião alguma. Meu mandato vai trabalhar para que ela cumpra a lei: que não imponha nenhuma fé aos estudantes, mas também que não continue apagando a história e a cultura afro-brasileira e indígena que a Constituição já manda ensinar", afirma a candidata.

Fiscalização rigorosa

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Ativista de políticas educacionais desde 2016, Vasconcellos pretende propor, se eleita, a fiscalização periódica das Diretorias Regionais de Ensino (DREs) quanto ao cumprimento das leis 10.639/2003 e 11.645/2008, que tornam obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira e indígena nas escolas públicas e privadas do país.

Segundo ela, a aplicação da legislação hoje é desigual e concentrada nas disciplinas de humanas, quando deveria atravessar toda a grade curricular — inclusive exatas. Como exemplo, cita o ensino dos adinkras, símbolos filosóficos de origem africana, que poderiam ser incorporados a aulas de matemática sem alterar o conteúdo previsto na Base Nacional Comum Curricular. "O adinkras também são o que chamamos de símbolos "suleadores", termo oposto a "norteadores", ou seja, que trazem as discussões para o sul global, possibilitando a ampliação da visão de mundo e os diversos pontos de partida", explica Adriana.

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A candidata defende ainda que pais e responsáveis tenham canais formais para cobrar das escolas a aplicação da lei, hoje frequentemente descumprida sem qualquer consequência administrativa.

No campo da liberdade religiosa, propõe que o Legislativo estadual crie instrumentos de acompanhamento de projetos de lei municipais e estaduais para identificar, antes da tramitação avançar, iniciativas que confundam formação ética com doutrinação de um credo específico. "A liberdade religiosa não pode se restringir a um único segmento. Ela precisa proteger qualquer criança que seja hostilizada por sua fé, seja ela de matriz africana, judaica, islâmica ou de qualquer outra tradição", afirma Adriana Vasconcellos.

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Trajetória em políticas afirmativas

A professora Adriana Vasconcellos tem histórico de atuação em coletivos de defesa da população negra, entre eles o Movimento da Mulher Negra Brasileira (MMNB), a Educafro e a Marcha das Mulheres Negras. Na Secretaria Municipal de Relações Internacionais de São Paulo, criou a política pública "São Paulo — o Farol de Combate ao Racismo Estrutural", executada em parceria com a Secretaria Municipal da Educação, e foi idealizadora da I Expo Internacional Dia da Consciência Negra.

Em 2022, apresentou essa política em Zanzibar, na Tanzânia, durante o 3º Festival Mundial de Artes e Culturas Negras e Africanas (FESTAC), integrando uma delegação formada exclusivamente por mulheres negras. Na Agência de Desenvolvimento de São Paulo (Adesampa), criou projeto que uniu formação em costura e empreendedorismo para mulheres.

Entre 2016 e 2018, foi assessora parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo, onde aproximou coletivos negros, periféricos, de mulheres, capoeiristas, universitários, de matrizes africanas, professores e evangélicos em torno de pautas comuns. No período, promoveu debate sobre a divisão equitativa de verbas públicas e do fundo eleitoral, com base em tese acadêmica do jurista Osmar Teixeira, que posteriormente fundamentou ações no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre proporcionalidade de recursos, além de coordenar o simpósio "Diálogos sobre a Saúde Mental da População Negra", com cinco dias de duração. Também elaborou, como assessora, projetos de lei construídos a partir da escuta direta desses grupos.

Mais informações: https://www.instagram.com/profadrianavasconcellos/

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