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Ansiedade e cannabis medicinal: o que a ciência diz

Pesquisas investigam o papel dos canabinoides em mecanismos relacionados à ansiedade, enquanto o crescimento dos transtornos mentais amplia o debate sobre novas possibilidades terapêuticas.

31/08/2026 às 10h13
Por: Redação Fonte: Agência Dino
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Os transtornos de ansiedade estão entre os problemas de saúde mental mais frequentes no mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 359 milhões de pessoas viviam com algum transtorno de ansiedade em 2021, o equivalente a 4,4% da população mundial. No Brasil, estimativas da organização referentes a 2015 apontaram prevalência de 9,3% da população. Na prática, aproximadamente 9 em cada 100 brasileiros conviviam com algum transtorno de ansiedade naquele levantamento. Transformações nas relações de trabalho, insegurança econômica, hiperconectividade, redes sociais e mudanças sociais fazem parte de um cenário em que estresse e sofrimento psíquico ganharam espaço no debate sobre saúde pública.

Entre os tratamentos disponíveis estão a psicoterapia, mudanças de estilo de vida e medicamentos ansiolíticos e antidepressivos, importantes para muitos pacientes. Um estudo publicado na revista Ciência & Saúde Coletiva, com dados do Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados (SNGPC) da Anvisa nas 27 capitais brasileiras, identificou aumento de 72% no consumo de ansiolíticos benzodiazepínicos analisados entre 2010 e 2012. O dado é histórico, mas ajuda a dimensionar a presença desse tipo de medicamento no tratamento da ansiedade no país.

Apesar da existência de tratamentos eficazes, a OMS estima que apenas cerca de uma em cada quatro pessoas que necessitam de cuidados para transtornos de ansiedade receba tratamento adequado. A resposta varia entre indivíduos, e a busca por alternativas terapêuticas ampliou o interesse científico por outros mecanismos envolvidos na regulação do estresse, do medo e das respostas emocionais, entre eles o sistema endocanabinoide.

O que o sistema endocanabinoide tem a ver com a ansiedade?

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O sistema endocanabinoide faz parte do organismo humano. O corpo produz substâncias que interagem com receptores desse sistema, presentes em diferentes regiões e tecidos e relacionados a processos como a resposta ao estresse, medo, humor, sono e memória emocional. Essa relação ajuda a explicar por que canabinoides encontrados na Cannabis sativa, especialmente o canabidiol (CBD), passaram a ser investigados em estudos sobre ansiedade.

Embora tenham origem na mesma planta associada ao uso recreativo, os produtos utilizados para fins medicinais possuem formulações, concentrações, formas de uso e controles próprios. Cannabis medicinal e uso recreativo são contextos diferentes, e sua utilização terapêutica envolve avaliação individualizada e acompanhamento profissional.

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O que as pesquisas já encontraram?

Uma meta-análise publicada em 2024, metodologia que reúne estatisticamente resultados de diferentes estudos, analisou oito pesquisas com 316 participantes e encontrou efeito estatisticamente significativo do CBD sobre sintomas de ansiedade. Os autores, porém, ressaltam a necessidade de estudos maiores e mais rigorosos.

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No Brasil, pesquisadores ligados à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP realizaram um estudo duplo-cego com pacientes com transtorno de ansiedade social. Em um teste de fala em público, utilizado para provocar ansiedade em ambiente controlado, os pesquisadores observaram redução de medidas de ansiedade após a administração de CBD em comparação ao controle. O resultado contribuiu para ampliar o interesse científico pelo tema, mas não pode ser generalizado para todos os transtornos ou pacientes.

Em conjunto, diferentes tipos de estudos sustentam o interesse científico pela relação entre canabidiol e ansiedade. Ao mesmo tempo, a dose, a duração do tratamento, a formulação, as interações medicamentosas e as diferenças individuais continuam sendo investigadas. Os resultados são promissores, mas a avaliação de cada paciente permanece fundamental.

Da pesquisa para a prática clínica

A cannabis medicinal já não está restrita aos laboratórios de pesquisa. No Brasil, produtos derivados de cannabis são prescritos por profissionais legalmente habilitados e o acesso ocorre dentro das regras estabelecidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O marco regulatório foi atualizado em 2026 e contempla a fabricação e a importação de produtos de cannabis para uso medicinal humano.

Não existe, porém, uma solução única para todos os pacientes. Diagnóstico, histórico de saúde, medicamentos em uso, composição do produto e objetivos terapêuticos são fatores que precisam ser considerados. Concentrações e proporções de canabinoides também podem variar. Por isso, o uso medicinal envolve avaliação, prescrição, acesso dentro das regras sanitárias e acompanhamento do paciente.

Informação também faz parte do tratamento

O crescimento do interesse pela cannabis medicinal trouxe um desafio: organizar uma quantidade cada vez maior de informações, produtos e possibilidades em um caminho compreensível para quem busca tratamento. Surgem dúvidas sobre qual profissional procurar, quando a cannabis pode ser considerada, como funciona a prescrição, quais produtos estão disponíveis e como ocorre o acompanhamento.

É nesse percurso que atua a EcoCannabis. O hub conecta pacientes a profissionais habilitados e oferece orientação nas diferentes etapas do acesso à cannabis medicinal. A proposta não é substituir avaliação, diagnóstico ou prescrição médica, mas facilitar o caminho entre a busca por informação, o atendimento especializado, o acesso ao tratamento e o acompanhamento do tratamento.

Mais informações estão disponíveis em: https://ecocannabis.com.br/

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação, diagnóstico ou prescrição por profissional de saúde habilitado.

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