
Três vezes por semana, a praça ao lado da UBS Buritis ganha um movimento contagiante logo nas primeiras horas da manhã com o grupo de idosos referenciados pela unidade. Desenvolvido há quase 13 anos, o projetoFlorescer Semprereúne mais de 100 participantes, com frequência média de 50 pessoas por encontro às segundas, quartas e sextas-feiras, das 7h às 8h.

Além dos exercícios com acompanhamento da professora de educação física Natally Bezerra, o grupo participa de momentos de convivência e, no fim de cada mês, de um café da manhã para comemorar os aniversariantes. Em datas especiais, como o Natal, também são promovidas atividades diferenciadas, fortalecendo a integração entre os participantes.
Para Natally, a mudança na rotina dos idosos é visível no dia a dia. Ela conta que alguns participantes chegaram ao grupo com problemas relacionados à saúde e dificuldades para praticar atividades físicas. Com a prática regular, porém, começaram a apresentar evolução.

“Algumas pessoas chegaram com pressão alta, por exemplo, dizendo que não conseguiam fazer nada. Já tivemos até momentos de desmaio. Hoje estão todas melhores, todo mundo correndo e participando ativamente dos encontros e das atividades”, contou.
Movimento é vida
Luís José Valdibiezo, de 81 anos, encontrou no projeto uma forma de permanecer ativo e cuidar da própria saúde. Participante há quatro anos, ele é paciente cardíaco, já sofreu dois acidentes vasculares cerebrais (AVCs) e passou por uma angioplastia. Ainda assim, Luís mantém a participação nas atividades e encontrou no grupo uma maneira de manter os exercícios e a convivência na rotina.

“Eu gosto muito de participar daqui. Depois de tudo que eu passei, eu vejo que é importante a gente não ficar parado. Já estou há quatro anos no projeto e pretendo continuar, porque faz bem para a minha saúde e para a minha vida”, disse.
Entre os participantes mais antigos está Ana Maria Alves de Farias, de 68 anos. Moradora do Buritis há mais de 30 anos e agente comunitária de saúde da própria UBS, ela participa do Florescer Sempre desde a primeira aula e conta que o projeto já faz parte da sua rotina.

“Quando eu não venho, eu sinto falta. O projeto é muito bom. Sou hipertensa e diabética. Então, foi fácil perceber mudanças em mim depois que comecei a participar. Mesmo de férias ou quando estou de atestado, eu busco manter a participação da forma que eu posso”, falou.
Um espaço para cuidar do corpo e dos vínculos

Na Atenção Primária à Saúde (SAP) de Boa Vista, o vínculo é uma das principais ferramentas para transformar o cuidado em uma experiência contínua, humana e resolutiva. A superintendente, Érika Madellaine, destacou que o cuidado deixa de ser apenas uma resposta à doença e passa a atuar também na prevenção, na promoção da saúde e na qualidade de vida.
“O Projeto Florescer Sempre demonstra concretamente essa força. Há quase 13 anos, o grupo mantém uma relação contínua com a unidade, fortalecendo a convivência, a autonomia, a prevenção e o acompanhamento das condições de saúde. Esse vínculo favorece a confiança e faz da UBS um espaço de pertencimento, cuidado e construção de saúde”, pontuou.

À frente da UBS Buritis há cerca de três anos, a gerente Ana Paula Siqueira destacou que o grupo também contribui para a socialização e para a saúde mental dos participantes, que encontram uma oportunidade de manter uma rotina de convivência.
“Muitos deles têm uma rotina solitária. A família trabalha, tem outros compromissos e o idoso pode ficar isolado em casa. Quando ele está junto com um grupo, ele se sente pertencente”, explicou.

A iniciativa também é acompanhada pela equipe da UBS, que orienta os participantes sobre alimentação, cuidados com a saúde e outros hábitos que contribuem para a qualidade de vida. A unidade também faz avaliações e acompanha as condições de saúde dos idosos.
Conforme Ana Paula, a prática regular de exercícios contribui para melhorar o condicionamento físico, a mobilidade e a massa muscular, além de auxiliar no controle da pressão arterial e da glicemia. O resultado também aparece na relação dos participantes com os serviços de saúde da UBS.

“Eles não ficam frequentemente na unidade para atendimento. A gente percebe o impacto na saúde deles com essa rotina de cuidados, porque já têm essa prevenção proporcionada pela atividade física”, destacou.
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