
A Tenda do Cordel, que integra a programação da Festa das Neves, está conquistando o público. O evento, realizado no Parque Solon de Lucena, segue até esta segunda-feira (3). Realizada pela Prefeitura de João Pessoa, por meio da sua Fundação Cultural (Funjope), a Tenda do Cordel reúne nomes da literatura de cordel e xilogravuristas. Nesta segunda-feira (3), se apresentam a poetisa Lúcia Freitas, do município de Sapé, e o cordelista Francisco de Assis, a partir das 16h.


“A literatura de cordel carrega afetos e memórias. Quando uma pessoa escuta um cordelista declamar seus versos, ela está recuperando sua identidade, um traço do passado, atualizando. Essa é a missão dessa feira de literatura de cordel que já soma seis edições. A cada Festa das Neves fazemos questão de trazer a mostra de literatura de cordel, também realizamos esse trabalho durante o ciclo junino e no período natalino, de maneira que a Funjope e a Prefeitura de João Pessoa, sob orientação do prefeito Leo Bezerra, contribui e estimula todo um campo produtivo ligado à literatura de cordel”, avaliou o diretor executivo da Funjope, Marcus Alves.



Ele pontuou que o cordel tem o poder de chamar a atenção das pessoas: “O cordel atrai o repentista, o forrozeiro, o xilogravurista, de maneira que todos saem beneficiados, principalmente o público que – nós observamos – fica cheio de emoção quando participa da nossa mostra de literatura de cordel”, ressaltou.








No espaço, há venda de cordéis, xilogravuras, camisetas e artesanato, além de música e interação com o público. Neste domingo (2), se apresentaram os cordelistas Claudeth Gomes e Eduardo Nask. Para ela, esta nova edição é valiosa: “É importantíssimo esse momento. Estamos, desde 2023, nessa parceria com a Prefeitura de João Pessoa, através da Funjope que vem, cada vez mais, investindo para dar visibilidade e reconhecimento aos poetas, cordelistas e a toda a cadeia produtiva do cordel, os artesãos que produzem material específico para a área de cordel, os cordelistas, poetas, declamadores, xilogravuristas”, disse.


Segundo Claudeth, o público é muito interessado. “Quando você traz para a rua a nossa cultura popular, isso faz uma aproximação. Todo mundo que chega está encantado. As pessoas sentam e param para prestigiar aquilo que é, genuinamente, cultura nordestina. A cultura tradicional não se perde, ela se perpetua quando a gente coloca de forma pública para que todo mundo possa prestigiar e conhecer”.
Ela destacou que os cordelistas vão produzindo e, cada vez mais, ganhando visibilidade. “Isso é importantíssimo porque não é um trabalho pontual, mas que vem sendo consolidado e, a cada edição, vem ampliando as possibilidades, trazendo pessoas de outros municípios, mostrando o tamanho dessa cadeia produtiva que é o cordel”, completou.
O cordelista Eduardo Nask também comemorou: “Estar no meio do Parque Solon de Lucena, levando a minha Gambiarra Poética e trocando essa energia com o público é sensacional. Para mim, a Gambiarra Poética é exatamente isso: pegar os cacos do dia a dia, a bagunça do nosso cotidiano, a irreverência, e costurar tudo com verso, rima e o improviso do instante”, disse.
Nask observou ainda o que representa para ele poder mostrar seu trabalho na Tenda do Cordel: “Entrar na programação como atração cultural não é só botar a boca no trombone e declamar; é criar uma ponte direta com quem está passeando, com a família que foi comer uma maçã do amor, com o saudosista que quer ouvir uma história bonita e com a juventude que está descobrindo a força da nossa palavra”.
Para ele, colocar o cordel no centro de um evento grandioso como a Festa das Neves é fundamental. “O cordel é o nosso jornal em verso, a nossa memória viva, a nossa crônica social e a alma da oralidade nordestina. Quando a gente abre espaço para essa arte numa festa tão tradicional, a gente está dizendo que a nossa história importa, que a nossa fala tem peso e que a cultura popular não é peça de museu, mas sim um organismo vivo que se renova a cada geração”, avaliou.
O cordelista também parabenizou a gestão pela iniciativa: “Preciso tirar o chapéu para a Funjope e a Prefeitura de João Pessoa. O trabalho que vem sendo feito pra valorizar, preservar e impulsionar a literatura de cordel e a nossa oralidade regional mostra uma desenvoltura e uma sensibilidade imensas. Eles entenderam que cuidar da cidade é também cuidar da identidade do seu povo”.
Para ele, dar palco, estrutura e o devido respeito para os poetas e articuladores locais dentro do Parque Solon de Lucena mostra um compromisso real com a preservação das raízes locais. “É a tradição abraçando o futuro, e eu não podia estar mais orgulhoso de fazer parte dessa engrenagem com a minha poesia”, acrescentou.
Público – A Tenda do Cordel sempre atrai o público que gosta de ouvir histórias e músicas. Uma delas foi a dona de casa Virgínia Márcia Dias. Ela contou que não costuma ler muito, mas ressaltou que gosta de literatura de cordel. “Acho interessante porque traz histórias engraçadas, outras que fazem pensar, sempre tem uma novidade. Também tem música e tudo isso junto faz a gente ter memórias de outras épocas”, disse.
O vendedor Thiago Lopes foi com a família e também recordou sua infância: “Já vim quando criança, quando era em outro local. Aqui ficou muito bom. A Lagoa passou a ser um local da família. Está bem divertido e meu filho está gostando bastante”, comentou.
Já a dona de casa Valéria Dias destacou a importância de manter viva a tradição: “Gosto muito de literatura de cordel e acho importante preservar essa tradição. Estou gostando demais dessa programação da Festa das Neves. A Funjope está de parabéns”.
Segunda-feira – O cordelista Francisco de Assis Freitas, que se apresenta nesta segunda-feira (3), destacou que participar da Festa das Neves é de grande importância para o cordel:
“O cordel não pode ser escanteado. Ele tem que ser avivado a casa dia, e a Funjope colabora com esse trabalho. A administração pública lembrar do cordel é de grande importância para nós. Trabalhamos com muita alegria
A poetisa Lúcia Freitas explicou que foi indicada pela Academia Sapeense de Letras para participar da Tenda do Cordel e que vai declamar poesias durante sua participação. “Eu estou muito feliz e agradeço pela indicação. Estou na expectativa para representar Sapé nesse evento em João Pessoa e fazer o melhor possível”.
Lúcia Freitas disse ainda que o cordel é muito importante em diversos aspectos e acredita que é fundamental sua divulgação: “Eu acho interessante que eventos como a Festa das Neves divulguem o cordel, um tipo de texto que deve estar presente, contribuindo, inclusive, para a escrita em sala de aula. Como professora, tenho trabalhado o cordel com as minhas turmas”, acrescentou.
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