
Em busca de segurança, oportunidades e qualidade de vida, famílias migrantes de diferentes países têm encontrado em Campo Grande um local para recomeçar. Com o apoio da Secretaria Municipal de Assistência Social e Cidadania (SAS) e da Casa Resgate, homens, mulheres e crianças recebem acolhimento, orientação e suporte para construir uma nova trajetória na Capital.
Foi exatamente esse caminho que a colombiana Luisa Fernanda Garcia Luna, de 26 anos, percorreu ao lado do marido e dos dois filhos, de 7 e 10 anos. Depois de deixar para trás a vida que havia construído na Colômbia, ela encontrou em Campo Grande não apenas acolhimento, mas a chance de reconstruir os sonhos da família.
A história de Luisa é uma entre tantas que passam pela Casa Resgate, serviço de acolhimento temporário cofinanciado pela Prefeitura de Campo Grande, que oferece suporte a migrantes e refugiados em situação de vulnerabilidade. Além do repasse de recursos financeiros, o município também contribui com doações de alimentos e articula uma rede de atendimento que auxilia essas famílias no processo de integração à cidade.

Na Colômbia, Luisa e o marido trabalhavam com transporte e mantinham o próprio negócio. Mas a escalada da violência na região onde viviam tornou a permanência cada vez mais difícil. “Vivíamos com medo. Nosso maior receio era pelos nossos filhos. Queríamos um lugar onde eles pudessem crescer em segurança, estudar e ter oportunidades”, relata.
A família entrou no Brasil por Corumbá e seguiu para Campo Grande, cidade que já estava nos planos antes mesmo da viagem. Hoje, os dois filhos estudam na Rede Municipal de Ensino e já começam a se adaptar à nova realidade.
“Quando chegamos, fomos recebidos com muito carinho. Aqui encontramos pessoas dispostas a ajudar e a nos dar uma nova oportunidade. Campo Grande nos acolheu como uma família”, conta.
Um abrigo para recomeços
Segundo a técnica da Casa Resgate, Jéssica Thaynara Rodrigues, a unidade funciona como uma casa de passagem destinada a pessoas que chegam à cidade em situação de vulnerabilidade.
“Alguns migrantes permanecem apenas alguns dias antes de seguir para outras cidades onde possuem familiares ou uma rede de apoio. Outros escolhem Campo Grande para reconstruir a vida e permanecem conosco durante esse período de reorganização”, explica.
O acolhimento pode durar até 90 dias. Nesse tempo, as equipes auxiliam na emissão de documentos, matrícula das crianças na escola, encaminhamento para oportunidades de emprego e apoio na busca por moradia.
Atualmente, a Casa Resgate atende migrantes de diferentes nacionalidades, como venezuelanos, colombianos, equatorianos, haitianos, bolivianos e peruanos. Cerca de 80% dos acolhidos são venezuelanos.

A organização dos alojamentos respeita a composição familiar e busca garantir conforto e privacidade aos acolhidos. Mães acompanhadas dos filhos permanecem nos dormitórios femininos, enquanto pais solteiros são encaminhados para os alojamentos masculinos.
Além da hospedagem temporária, os acolhidos têm acesso a espaços para higiene pessoal, lavanderia, realização das refeições, além de áreas de convivência que estimulam a interação social e a construção de vínculos entre as famílias que compartilham experiências semelhantes de migração e recomeço.
“Nosso trabalho vai além de oferecer um lugar para dormir. Procuramos criar um ambiente acolhedor para que essas pessoas se sintam seguras enquanto organizam a documentação, buscam emprego e planejam os próximos passos da vida”, explica a técnica Jéssica Thaynara Rodrigues.
Uma jornada em busca de estabilidade
A equatoriana Marta Garcia, de 47 anos, também encontrou em Campo Grande a oportunidade de começar uma nova etapa da vida ao lado do filho de 11 anos.
Natural de Guayaquil, ela deixou o Equador no fim de 2024 e passou por diferentes cidades da Bolívia antes de chegar ao Brasil. Foram meses de deslocamentos, viagens improvisadas e incertezas sobre o destino final.
“O Brasil abriu as portas para nós. Quando chegamos aqui, sentimos que era possível recomeçar”, resume.
Escritora, produtora de conteúdo e apaixonada por arte e filosofia, Marta levava uma vida marcada por constantes viagens pela América do Sul. Com o crescimento do filho, porém, surgiu a necessidade de oferecer mais estabilidade e garantir o acesso regular à educação.
Ao chegar a Campo Grande, iniciou o processo de regularização documental e buscou uma escola para o menino, que agora está matriculado em uma unidade de ensino integral da Capital.
“Meu filho precisava criar raízes, fazer amigos, ter uma rotina. Em Campo Grande encontrei um lugar tranquilo, acolhedor e cheio de possibilidades para construirmos essa nova história”, afirma.
Rede de apoio transforma vidas
Além de oferecer abrigo temporário, a Casa Resgate atua como uma ponte entre os migrantes e os serviços públicos disponíveis no município. Crianças são encaminhadas para a Rede Municipal de Ensino, famílias recebem orientações para regularização documental e os adultos são incentivados a ingressar no mercado de trabalho.
Muitas das pessoas acolhidas chegam sem documentos, recursos financeiros ou qualquer rede de apoio. Algumas percorrem milhares de quilômetros, enfrentando longas viagens a pé, de ônibus ou por meio de caronas.

“Já recebemos famílias que atravessaram vários países em busca de uma oportunidade. São histórias que mostram muita força e determinação. Quando chegam aqui, nosso papel é oferecer acolhimento e ajudá-las a reconstruir suas vidas”, destaca Jéssica.
Mantida por meio de cofinanciamento da Prefeitura de Campo Grande, emendas parlamentares e doações da comunidade, a Casa Resgate também depende da solidariedade da população para continuar atendendo quem mais precisa.
Para quem cruza fronteiras carregando apenas a esperança de dias melhores, o acolhimento recebido em Campo Grande representa muito mais que um abrigo temporário. É o primeiro passo para transformar a incerteza em oportunidade e escrever um novo capítulo de vida, agora em uma cidade que se tornou sinônimo de recomeço.
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