
O inverno começa oficialmente no Hemisfério Sul neste domingo, 21 de junho, às 5h24, com a ocorrência do solstício de inverno, e segue até 22 de setembro, às 15h05, quando ocorre o equinócio de primavera. Em Sergipe, a estação pode ter redução das chuvas e aumento das temperaturas, sob influência do El Niño.
De acordo com levantamentos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente, Sustentabilidade e Ações Climáticas (Semac), por meio da Gerência de Meteorologia e Mudanças Climáticas, durante o inverno, os acumulados de precipitação de chuvas deverão variar entre a faixa normal a abaixo da normal climatológica. Já as temperaturas tendem a permanecer entre valores normais e acima da média histórica. Segundo agências internacionais, o fenômeno El Niño teve início no último dia 11 de junho e deve causar a redução das chuvas e aumento das temperaturas no Nordeste brasileiro, incluindo Sergipe.
Ao longo da estação, entre os meses de junho e setembro, os ventos devem soprar predominantemente nas direções sudeste e leste, com velocidades fracas a moderadas. A Gerência de Meteorologia e Mudanças Climáticas da Semac alerta para a possibilidade de rajadas mais intensas em dias de maior instabilidade atmosférica, em função da atuação de sistemas meteorológicos favoráveis a essa condição.
Chuvas
Segundo os levantamentos da Semac, a média histórica de precipitação de chuvas durante o inverno em Sergipe é de 540 milímetros (mm) no litoral, 416 mm no agreste e 257 mm no sertão. A meteorologista da Semac, Wanda Tathyana de Castro, explica que, em 2025, a chuva foi acima da média histórica, mas esta marca não deve se repetir em 2026. “No ano passado, as regiões litorânea e agreste registraram acumulados de 891 mm e 574 mm, respectivamente. No sertão, o acumulado ficou na média histórica, com 257 mm”, afirmou a meteorologista. “Para este ano, as análises da Reunião Climática do Nordeste indicam precipitação variando entre normal a abaixo da normal em todas as regiões de Sergipe. Com isso, existe grande probabilidade de que os acumulados pluviométricos observados durante o período sejam inferiores aos registrados no inverno de 2025”, completou.
El Niño
O episódio do El Niño de 2026-2027 começou no dia 11 de junho, de acordo com o Centro de Previsão Climática (CPC) da Administração Nacional de Oceanos e Atmosfera (NOAA), a agência federal de tempo e clima do governo dos Estados Unidos. A meteorologista Wanda Tathyana de Castro explicou que o anúncio já era esperado, considerando as condições do oceano e da atmosfera na faixa equatorial do Oceano Pacífico, que apresentaram por semanas características típicas do fenômeno, como aquecimento acelerado das águas e mudanças nos padrões de vento e de precipitação.
A meteorologista esclareceu ainda que os modelos climáticos internacionais indicam que o El Niño deve ganhar força gradualmente ao longo dos próximos meses. “A tendência é de redução das chuvas e aumento das temperaturas no Nordeste brasileiro, incluindo Sergipe”, afirmou Wanda. Mas o cenário ainda pode mudar. “Caso as águas superficiais do Oceano Atlântico Tropical adjacente ao litoral sergipano apresentem temperaturas acima da média, poderá haver favorecimento da formação de chuvas”, avaliou.
O Governo de Sergipe está acompanhando as variações do El Niño, já que o fenômeno tende a influenciar significativamente as condições climáticas durante o inverno de 2026 e persistir até meados de 2027. O cenário aponta para temperaturas variando de normal a acima da média e precipitações entre a faixa normal a abaixo da normal climatológica na região Nordeste.
A atuação do El Niño tende a refletir diretamente nos recursos hídricos, na agropecuária e no abastecimento público, especialmente pelo fato da probabilidade do fenômeno ser forte a muito forte e persistir por vários meses. “O monitoramento é essencial para que o Estado e a população possam se preparar com antecedência. Neste momento, a recomendação é acompanhar os boletins climáticos e adotar medidas preventivas, principalmente para minimizar possíveis impactos sobre os recursos hídricos e a produção agrícola”, afirma Wanda.
Entre as orientações dos especialistas para enfrentar o período de seca, estão o uso consciente da água, a manutenção de cisternas, o armazenamento adequado de ração para o gado, a diversificação de plantios com culturas mais resistentes à seca e a adoção de técnicas de proteção do solo que ajudem a manter a umidade.
A Semac recomenda ainda que a população acompanhe os boletins de monitoramento climático do El Niño e os alertas de seca divulgados periodicamente pelo Governo do Estado.







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