
“Que Deus toque no coração dessas mães de fora e que doem com amor. Eu me senti muito feliz doando quando soube que poderia fazer isso”. O depoimento é de Naiara Bezerra, mãe da pequena Maria Júlia Rodrigues. Com apenas um mês e oito dias, a bebê está internada por causa da prematuridade desde o dia 9 de maio noHospital Geral Dr. Waldemar Alcântara (HGWA), unidade da rede daSecretaria da Saúde do Ceará (Sesa). A experiência de Naiara comodoadora de leite maternoreforça a importância de um gesto simples que pode salvar vidas.
Com baixoestoque de leite humano, o HGWA divulga o serviço para que mães que estejam amamentando e possuam leite excedente se tornem doadoras. Para facilitar o contato, oPosto de Coleta do hospitalpassa a contar com um número que também funciona como WhatsApp:(85) 98970-3247.
“O leite materno é muito importante, tem as vitaminas que só o leite da mãe tem. Minha filha parou uns dias de mamar, depois voltou. Sem amamentar, sentia que estava ‘estragando’ alimento e soube que podia doar. Me senti muito bem doando”, relata Naiara.

Naiara Bezerra, mãe da pequena Maria Júlia, que está internada no HGWA, também foi doadora de leite materno e hoje incentiva outras mães a aderirem à campanha
A nutricionista do Centro de Terapia Intensiva Pediátrica (Cetip) do HGWA, Késsia Ravete, diz que o leite materno é insubstituível para os recém-nascidos mais vulneráveis. “Contém anticorpos, células de defesa, enzimas, hormônios e diversos componentes que a fórmula não consegue suprir. A fórmula é importante quando o leite humano não está disponível, mas não consegue oferecer todos esses benefícios”, destaca.

Cada frasco de leite humano doado pode alimentar até três recém-nascidos internados
No HGWA, muitos dos bebês internados são prematuros ou recém-nascidos gravemente enfermos, que ainda não conseguem receber leite diretamente de suas mães ou cujas mães enfrentam dificuldades na produção láctea devido ao delicado momento vivido durante a internação dos filhos.
A médica neonatologista Isadora Pereira Viana, que atua no HGWA, destaca que o leite humano doado fornece nutrientes na medida certa e contém anticorpos, células de defesa e fatores de crescimento fundamentais para o desenvolvimento dos recém-nascidos. Além de reduzir o risco de infecções, ele favorece o ganho de peso, contribui para a maturação intestinal e aumenta as chances de uma recuperação mais rápida e saudável.
“Na prática da neonatologia, essa diferença é muito evidente. Os bebês que recebem leite materno costumam apresentar melhor tolerância alimentar, menor incidência de infecções e uma evolução clínica mais favorável. Nos prematuros, observamos ainda uma redução importante do risco de enterocolite necrosante, uma das doenças mais graves do período neonatal. O leite humano é muito mais do que alimento: ele funciona como um verdadeiro medicamento natural”, ressaltam os profissionais da assistência neonatal.
A doação de leite não beneficia apenas os bebês. Para as mulheres que produzem leite além da necessidade dos seus filhos, doar o excedente ajuda a manter a produção láctea ativa, reduz desconfortos causados pelo acúmulo de leite e pode prevenir problemas como mastite e abscessos mamários.
“Diversos estudos mostram que a amamentação está associada à redução do risco de câncer de mama, especialmente quando ocorre por períodos mais prolongados. Além disso, também pode contribuir para diminuir o risco de câncer de ovário. Isso acontece devido a alterações hormonais relacionadas ao período de lactação. Portanto, amamentar beneficia não apenas o bebê, mas também a saúde da mulher a curto e longo prazo”, explica a neonatologista.

Mães interessadas em doar leite materno podem entrar em contato pelo WhatsApp do Banco de Leite do HGWA
Para se tornar doadora, a mãe precisa estar saudável e com os exames exigidos em dia. O primeiro passo é entrar em contato com o Posto de Coleta do HGWA pelo(85) 98970-3247 (WhatsApp ou ligação)ou pelo número(85) 3216-8325.
Após uma triagem, as mães aptas recebem gratuitamente um kit com gorro, máscara, frascos esterilizados e etiquetas para identificação. Acoleta é realizada na própria residência, seguindo orientações da equipe. Depois de armazenar corretamente o leite, a doadora informa ao hospital, queprovidencia a coleta domiciliar.
Atualmente, cerca de 24 bebês dependem diariamente do leite humano doado no HGWA. “Mesmo que uma mãe ache que um frasco é pouco, com apenas um frasco conseguimos alimentar de duas a três crianças por dia. De fato, cada gota importa”, reforça Késsia Ravete.
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