
O Programa HumanizaMente, implantado pela Secretaria de Estado da Saúde no Hospital Infantil Waldemar Monastier, em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, tem como objetivo ampliar os espaços de escuta, acolhimento e atenção psicossocial no ambiente hospitalar, especialmente para pacientes submetidos a longos períodos de internação e para os profissionais que atuam diretamente no cuidado.
Inspirado nos princípios da Política Nacional de Humanização (PNH) e da atenção psicossocial integral no Sistema Único de Saúde (SUS), o programa busca reduzir os impactos emocionais decorrentes das hospitalizações prolongadas, fortalecendo vínculos familiares, qualificando a assistência e promovendo um ambiente mais acolhedor para todos.
“O cuidado em saúde vai além do tratamento clínico. É fundamental olhar para as necessidades emocionais de pacientes, familiares e trabalhadores da área”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, César Neves. “O Programa HumanizaMente fortalece a humanização do atendimento e contribui para um ambiente mais acolhedor, saudável e preparado para oferecer uma assistência integral e de qualidade”, acrescentou.
A iniciativa começou em agosto do ano passado. Entre setembro de 2025 e maio de 2026, o HumanizaMente fez 237 atendimentos psicológicos individuais, 36 grupos e rodas de conversa, alcançando aproximadamente 381 participantes em atividades coletivas. Também foram promovidos cerca de 15 treinamentos, palestras e capacitações voltados ao desenvolvimento profissional e à qualificação da assistência, além da elaboração de 13 Planos Terapêuticos Singulares (PTS) para pacientes de longa permanência.
Os atendimentos psicológicos contemplam pacientes, acompanhantes e profissionais de diferentes setores do hospital, como enfermagem, higienização, farmácia, laboratório, administrativo, financeiro, radiologia, ouvidoria e controle de infecção. As principais demandas estiveram relacionadas à ansiedade, sofrimento emocional, dificuldades familiares, conflitos interpessoais e adaptação às rotinas de trabalho.
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O técnico em radiologia José Leovani, que atua há 15 anos no Hospital Infantil Waldemar Monastier, também participa dos atendimentos oferecidos pelo Programa. Para ele, o espaço de acolhimento tem sido fundamental para enfrentar os desafios do dia a dia. “Trabalhamos em um ambiente que exige muito emocionalmente e, muitas vezes, acabamos deixando o nosso próprio cuidado em segundo plano. Participar do HumanizaMente me ajudou a olhar para mim, a lidar melhor com as situações da rotina e a perceber que cuidar da saúde mental faz diferença tanto na vida pessoal quanto no trabalho”, afirmou.
Além do acompanhamento individual, o programa promove grupos de reflexão e rodas de conversa sobre temas como autoconhecimento, gestão das emoções, empatia, comunicação, resiliência, saúde mental no trabalho e valorização profissional.
Para os pacientes internados por longos períodos, as ações incluem acolhimento psicológico, atividades lúdicas, fortalecimento de vínculos familiares e estratégias de humanização da internação. O programa também prevê a realização de “horas de qualidade” com atividades externas e momentos de convivência que ajudam a romper a rotina hospitalar e promover o bem-estar emocional.
Internado desde 18 de fevereiro deste ano para o tratamento de uma poliartrite infecciosa, o adolescente Kerllon de Santana Santos, de 16 anos, afirma que as atividades desenvolvidas pelo HumanizaMente tornaram o período de hospitalização mais leve. “Eu gosto muito que as tias sempre trazem atividades legais para mim e sempre respeitam meus limites, perguntam se eu estou disponível para as atividades ou se quero deixar para outro dia e, independente de qualquer coisa, elas sempre estão aqui pra me fazer feliz”, disse. “Essas ações me ajudam muito fisicamente e, principalmente, psicologicamente”.
O acompanhamento de Kerllon conta com o apoio da estagiária Tayline Gomes Nogueira da Silva, que auxilia a psicóloga do Hospital, Talita Lisandra de Oliveira Rosa, e desenvolve as atividades com o adolescente durante sua internação.
Segundo Talita, a iniciativa surgiu da necessidade de ampliar o cuidado emocional dentro do ambiente hospitalar e oferecer um suporte estruturado aos diferentes públicos atendidos. “Para os profissionais, o acesso ao HumanizaMente pode ocorrer por demanda espontânea, encaminhamento do enfermeiro do trabalho ou orientação dos gestores da unidade".
"Já para pacientes e familiares, especialmente aqueles em internações prolongadas, fazemos uma avaliação para identificar interesses, necessidades e demandas, permitindo o planejamento de atividades personalizadas que tornem esse período mais acolhedor, significativo e humanizado, promovendo bem-estar emocional e qualidade de vida durante o tratamento”, explicou. “Os resultados alcançados demonstram a importância da iniciativa como estratégia de promoção da saúde mental, prevenção do adoecimento psíquico e fortalecimento da cultura de humanização institucional”, acrescentou.
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