
Referência estadual no atendimento às vítimas de violência sexual e de gênero, serviço do Hospital Agamenon Magalhães (HAM) celebra trajetória marcada pelo cuidado humanizado e pela defesa da vida
Há dores que não deixam marcas visíveis, mas transformam profundamente a vida de quem as carrega. Há também lugares que se tornam ponto de partida para recomeços. Há 25 anos, o Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa (SAMWL), localizado no Hospital Agamenon Magalhães (HAM), cumpre esse papel para milhares de mulheres pernambucanas. Criado em 18 de junho de 2001, o serviço nasceu com a missão de oferecer acolhimento especializado e assistência integral às mulheres e adolescentes vítimas de violências, seja ela sexual, psicológica ou moral.
Desde então, o Wilma Lessa tornou-se referência estadual no cuidado humanizado, garantindo escuta qualificada, proteção e acesso aos direitos para quem chega ao serviço em um dos momentos mais delicados de suas vidas. Mais do que um atendimento de saúde, a unidade representa um espaço seguro. Um local onde cada mulher é recebida sem julgamentos e encontra uma rede preparada para oferecer suporte médico, psicológico e social.
“Cada história é marcada por muito sofrimento, e nosso compromisso sempre foi oferecer um atendimento humanizado, respeitoso e livre de julgamentos. Nosso maior objetivo é que cada mulher encontre aqui um espaço seguro para reconstruir sua vida, com acesso aos seus direitos e ao cuidado de uma equipe multiprofissional preparada para acolher, orientar e fortalecer quem chega ao serviço. Não há recompensa maior do que ouvir que ela conseguiu retomar seus sonhos e recomeçar. Esses 25 anos representam o compromisso diário de uma equipe que acredita no cuidado como instrumento de transformação”, destaca a coordenadora do Serviço de Apoio à Mulher Wilma Lessa, Sílvia Cavalcanti.
Ao longo de sua história, o serviço acompanhou mudanças importantes nas políticas públicas de proteção às mulheres e ajudou a fortalecer a rede de enfrentamento à violência de gênero em Pernambuco. Funcionando 24 horas por dia, todos os dias da semana, a unidade atende mulheres, pessoas com útero e adolescentes a partir dos 12 anos, oferecendo atendimento gratuito e sigiloso.
Entre os serviços disponibilizados estão profilaxias para infecções sexualmente transmissíveis, contracepção de emergência, acompanhamento psicológico e social, assistência médica especializada, encaminhamentos para a rede de proteção e acesso ao aborto previsto em lei.
Por trás de cada atendimento existe uma história única. Histórias de mulheres que encontraram acolhimento quando mais precisavam, de profissionais que transformam conhecimento técnico em cuidado e de uma equipe que, diariamente, trabalha para devolver dignidade, segurança e esperança.
“Quando cheguei ao Serviço Wilma Lessa, há dez anos, confesso que senti medo pela complexidade da temática. Mas, com o tempo, percebi que nosso trabalho vai muito além de atender uma vítima de violência, nós ajudamos a transformar vidas. O mais gratificante é ver uma mulher chegar fragilizada, tomada pelo medo e pelo desespero, e sair daqui mais tranquila, acolhida e confiante por saber que não está sozinha. Temos uma equipe preparada para cuidar de cada necessidade, tanto física quanto emocional, em um ambiente seguro e acolhedor. Ver essa transformação acontecer é o que dá sentido ao nosso trabalho todos os dias”, afirma a enfermeira do serviço Patrícia Arcoverde.
Somente em 2024, o Serviço Wilma Lessa realizou 1.583 atendimentos, em 2025 foram 1.470 e em 2026, até o momento, foram registrados 481 atendimentos. Os números evidenciam a relevância da assistência prestada e reforçam a necessidade de manter e fortalecer políticas públicas voltadas à proteção das mulheres.
Para marcar os 25 anos de atuação, o Serviço promoverá, no dia 29 de junho, às 8h30, no Auditório Dr. José Breno, no 6º andar do prédio do ambulatório, o evento “Violência de Gênero e Feminicídio em Pernambuco: Desafios e Estratégias de Enfrentamento”. O encontro reunirá profissionais de saúde, gestores, especialistas e representantes da rede de proteção para debater os desafios atuais e construir estratégias voltadas à prevenção e ao enfrentamento da violência contra a mulher.
A celebração será também uma oportunidade de homenagear os profissionais que ajudaram a construir a trajetória do serviço e reafirmar o compromisso da saúde pública com a defesa dos direitos das mulheres.
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