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5º Fórum Paranaense de Cannabis amplia debate sobre qualidade de vida e acesso a terapias seguras, destaca deputado Goura (PDT)

Evento na Unioeste reuniu 300 pessoas para discutir pesquisa científica, políticas públicas e as histórias de quem depende do tratamento.

16/06/2026 às 13h37
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa do Paraná
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Evento foi realizado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Toledo, nos dias 11 e 12 de junho - Foto: Divulgação/Assessoria Parlamentar
Evento foi realizado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Toledo, nos dias 11 e 12 de junho - Foto: Divulgação/Assessoria Parlamentar

O deputado estadual Goura (PDT) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) nesta segunda-feira (15) para falar sobre o 5º Fórum Paranaense de Cannabis, realizado na Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), em Toledo, nos dias 11 e 12 de junho, com a participação de cerca de 300 pessoas.

"Foi uma ação muito importante, na qual discutimos o aprofundamento das pesquisas sobre cannabis no estado. Cannabis é o nome científico de uma planta: a maconha. E não há nenhum problema em dizer isso. Precisamos vencer o preconceito, a ignorância e o tabu que muitos, inclusive nesta Casa, ainda carregam consigo. A maconha é uma planta que salva vidas e possui propriedades medicinais", afirmou Goura, um dos organizadores do Fórum.

O deputado destacou o investimento do estado no desenvolvimento de pesquisas sobre a cannabis nas universidades estaduais. Citou que, de acordo com dados da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior do estado, mais de 500 pesquisadores, distribuídos em diversas universidades, aprofundam estudos sobre a cannabis.

"A luta pelo acesso aos medicamentos à base da planta tem um lema muito importante: 'Não espere precisar para apoiar'. Muitas famílias enfrentam doenças como Alzheimer, Parkinson, fibromialgia, dores crônicas e os desafios dos tratamentos oncológicos, e a cannabis pode contribuir significativamente para o alívio desses pacientes", disse.

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Goura também lembrou que a Alep aprovou e promulgou a Lei Pétala, de sua autoria, garantindo acesso a medicamentos à base de cannabis para pacientes com Síndrome de Dravet, Síndrome de Lennox-Gastaut e Esclerose Tuberosa.

Durante o evento, a Universidade Federal do Paraná (UFPR) anunciou que sediará o 6º Fórum Paranaense de Cannabis, em Curitiba.

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O que está por trás da legislação

Por trás das discussões sobre legislação, pesquisa científica e políticas públicas, existem histórias marcadas pela busca por dignidade e qualidade de vida. No 5º Fórum Paranaense de Cannabis, foram justamente essas histórias que deram sentido ao encontro.

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Reunindo pacientes, familiares, profissionais da saúde, pesquisadores, representantes de movimentos sociais e autoridades políticas, o evento transformou a universidade em um espaço de escuta, produção de conhecimento e reflexão sobre o potencial terapêutico da cannabis medicinal e os desafios enfrentados por quem depende desse tratamento.

Mais do que discutir uma planta, o Fórum colocou em pauta o direito à saúde, o acesso a terapias seguras e a necessidade de superar preconceitos históricos que ainda dificultam o debate público sobre o tema.

Histórias que mostram o impacto do tratamento

Entre as vozes que marcaram o evento esteve a de Osmar Carlos Correia, morador de Toledo há 36 anos. Diagnosticado com depressão, ansiedade, síndrome do pânico, insônia e dores crônicas, ele relatou que passou anos em tratamento convencional sem alcançar os resultados esperados.

Segundo Osmar, a mudança começou após acompanhamento especializado e o uso do canabidiol. "Eu tomava dez tipos de remédio, mas quando conheci o Instituto Sativas, passei a utilizar o canabidiol. Hoje tomo duas gotas de manhã e duas à tarde. Remitiu toda a minha enfermidade. Não tomo mais medicamento", contou. Os especialistas presentes no Fórum reforçaram que o uso terapêutico da cannabis deve ocorrer com acompanhamento profissional e indicação adequada às necessidades de cada paciente.

O paciente destacou ainda a transformação em sua rotina e autonomia. "Fiquei afastado pelo INSS durante dez anos. Hoje estou trabalhando normalmente e cheio de projetos. O canabidiol mudou a minha vida", afirmou. Relatos como o de Osmar reforçam a importância de ampliar o acesso à informação e aos tratamentos, especialmente para pessoas que convivem com doenças crônicas e condições que comprometem a qualidade de vida.

Universidade como espaço de conhecimento e diálogo

A realização do Fórum na Unioeste evidenciou o papel da universidade pública na produção científica e na construção de debates socialmente relevantes.

Representando a diretora-geral do campus de Toledo, a professora Ana Nisiide, coordenadora do curso de Serviço Social, destacou que o evento fortalece o compromisso institucional com a pesquisa e os direitos humanos. "Esse evento é uma importante oportunidade para que possamos fortalecer a ciência, a inovação e o desenvolvimento tecnológico relacionados à cannabis, especialmente no que se refere ao seu potencial terapêutico, às contribuições para a promoção da saúde, da qualidade de vida e da garantia dos direitos humanos", afirmou.

A professora ressaltou ainda que o conhecimento científico é fundamental para combater estigmas históricos. "Também é fundamental destacar o papel da universidade pública e de toda a sociedade na superação de preconceitos que, por muito tempo, dificultaram o debate qualificado e o desenvolvimento científico nessa área. O conhecimento, a pesquisa e o diálogo são ferramentas essenciais para promover decisões efetivas e contribuir para o avanço da ciência em benefício da população", comentou.

A professora Isabel Formoso, uma das responsáveis pela organização local do evento, reforçou que a universidade deve ser um ambiente de acolhimento e construção coletiva. "Sediamos esse evento em virtude do objetivo que a universidade pública tem na produção do conhecimento científico, nas pesquisas e como espaço político de enfrentamento aos preconceitos e às barreiras para avançar nas pesquisas e no acesso aos medicamentos", disse.

Saúde pública e acesso ao tratamento

Durante o Fórum, representantes do poder público defenderam a ampliação do acesso aos tratamentos à base de cannabis e de outras plantas medicinais no Sistema Único de Saúde (SUS).

O deputado federal Elton Welter afirmou que o país vive um momento importante na construção de novas políticas públicas voltadas à fitoterapia e à cannabis medicinal. "O país vai caminhar a passos largos nessa questão, tanto da cannabis quanto do uso de plantas medicinais no SUS. Em breve teremos avanços importantes para fortalecer essa política pública", declarou.

Elton destacou ainda o potencial dessas iniciativas para promover desenvolvimento local e ampliar o acesso aos tratamentos. "Estamos falando de saúde, geração de renda e desenvolvimento. É uma oportunidade de construir políticas que beneficiem diretamente a população", afirmou.

Superando preconceitos históricos

Idealizador do Fórum e autor da Lei Pétala, o deputado estadual Goura defendeu que o debate sobre a cannabis deve estar centrado nas pessoas e em seus direitos. "Essa é uma luta por cidadania, saúde, dignidade e uma luta para vencer preconceitos", afirmou.

Para o parlamentar, a revisão das políticas relacionadas à cannabis é resultado da mobilização social e do esforço de famílias, pesquisadores e pacientes. "Estamos falando de uma planta que foi objeto de ignorância, tabus e preconceitos. Essa revisão histórica só está acontecendo graças à coragem de movimentos sociais, instituições e cidadãos que enfrentaram essas barreiras", destacou.

O representante do Conselho Regional de Psicologia do Paraná, Felipe Nadai, também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas por pacientes que utilizam tratamentos à base de cannabis. "Muitas pessoas ainda perdem seus tratamentos, suas plantas ou seus produtos em abordagens policiais. Isso mostra que ainda existem obstáculos importantes para quem busca esse cuidado", observou.

Segundo ele, o fortalecimento da produção científica tem contribuído para ampliar a compreensão sobre os usos terapêuticos da cannabis. "Pesquisadores estão tendo a oportunidade de produzir evidências e apresentar novos conhecimentos, fundamentais para qualificar esse debate", disse.

Ao longo de suas cinco edições, o Fórum Paranaense de Cannabis consolidou-se como um espaço de diálogo entre ciência, sociedade civil e poder público. Em Toledo, o encontro reforçou que as discussões sobre cannabis medicinal vão além de aspectos jurídicos e legislativos: tratam do acesso à saúde, da qualidade de vida e do reconhecimento das necessidades de milhares de pessoas que buscam alternativas terapêuticas respaldadas pela pesquisa científica e pelo cuidado humanizado.

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