
Os avanços nas ações de recuperação ambiental do Rio Pinheiros já fazem a diferença para quem circula diariamente na região. Frequentadores da ciclovia e das áreas de lazer às margens do rio relatam mudanças na paisagem, redução dos odores e aumento da presença de fauna silvestre, resultados que acompanham o conjunto de intervenções conduzidas pelo Governo de São Paulo para a despoluição e revitalização da região.
O médico Marcelo Giordano usa a ciclovia do Pinheiros há cinco anos e afirma que a transformação é evidente. “Nos últimos dois anos, melhorou muito. Você encontra um rio limpo, o odor não é mais o cheiro forte que tinha anteriormente. Agora você vê animais por aí, patinhos, capivaras, ficou muito melhor do que era antes. Hoje em dia você não vê mais aqueles ratos que você via antes.”

O relato acompanha os indicadores de melhoria da qualidade da água monitorados pelo Governo de São Paulo. Entre 2024 e 2026, três dos quatro pontos de monitoramento da calha principal do Rio Pinheiros registraram redução na concentração de matéria orgânica, um dos principais indicadores de poluição hídrica. Nos cinco primeiros meses do período analisado, a queda foi de 55% na Barragem de Pedreira, 29% na Ponte do Socorro e 26% na Usina São Paulo.
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Segundo o médico, as melhorias refletem diretamente na qualidade de vida da população e têm impacto na saúde pública. “A despoluição sempre ajuda a melhorar a saúde da população. Quando você melhora a rede de água, de esgoto, tudo melhora. Enquanto cidadão, a gente quer tudo em ordem, limpo, bonito, seguro. Isso que esperamos.”
A percepção é compartilhada pela professora e ciclista Lilian Faria Ferreira, frequentadora da ciclovia há cinco anos. Para ela, a redução dos odores é um dos sinais mais perceptíveis da recuperação do rio. “O cheiro diminuiu principalmente nos períodos mais secos, houve sim uma mudança”, afirma.
Lilian também observa mudanças na fauna local. “Vejo vários pássaros, capivaras”, relata. “O trabalho de despoluição melhora a qualidade de vida de quem está ao redor, atrai mais pessoas para usar a região. Percebo que houve um trabalho em relação à iluminação, no controle da vegetação ao redor e mais policiamento para que a gente se sinta mais segura. A despoluição cria um círculo virtuoso. As pessoas se sentem melhores, vem mais gente utilizar e isso é importante.”

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O trabalho de requalificação das margens do Rio Pinheiros continua. O Parque Linear Bruno Covas e a ciclovia receberão melhorias de infraestrutura, reforço da segurança, modernização da iluminação, nova sinalização, requalificação paisagística e ações de recuperação ambiental. A iniciativa é resultado de parceria entre a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) e a Empresa Metropolitana de Águas e Energia (Emae).
A região também será integrada ao programa Muralha Paulista, por meio de parceria entre a Semil e a Secretaria da Segurança Pública, ampliando as ações de monitoramento e reforço da segurança para usuários da ciclovia e dos parques urbanos estaduais.
Os resultados fazem parte das ações do Programa IntegraTietê, iniciativa do Governo de São Paulo voltada à recuperação do Rio Tietê e de seus afluentes. Entre as medidas em andamento está o reforço da retirada de resíduos flutuantes no Rio Pinheiros. A operação passará a contar com três novas embarcações, ampliando a capacidade de remoção de lixo e possibilitando a retirada de até 900 toneladas adicionais de resíduos por mês.
Com a ampliação da frota, o trabalho passa de oito para 11 embarcações atuando diariamente ao longo dos 25 quilômetros do rio. Em 2025, foram retiradas 43,9 mil toneladas de resíduos flutuantes do Pinheiros, volume 23% superior ao registrado no ano anterior. Apenas no primeiro trimestre de 2026, a remoção alcançou 12,3 mil toneladas, crescimento de 19,4% em comparação com o mesmo período de 2025. Desde 2023, mais de 134 mil toneladas de lixo foram retiradas do manancial, com investimentos superiores a R$ 214 milhões.
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Outra frente importante é o desassoreamento do rio. Desde 2023, mais de 1,57 milhão de metros cúbicos de sedimentos foram removidos do leito do Pinheiros, em investimentos que somam R$ 189 milhões até abril de 2026.
O programa também contempla ações estruturais de saneamento. Desde 2023, a Sabesp conectou mais de 1,1 milhão de domicílios à rede de esgoto. A meta é alcançar 1,5 milhão de novas conexões até 2026 e mais de 2,2 milhões até 2029, ampliando a coleta e o tratamento de esgoto na Região Metropolitana de São Paulo e no Alto Tietê.
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