
O número de denúncias de maus-tratos a animais em Sergipe cresceu cerca de 30% no primeiro trimestre deste ano, passando de 345 registros, no mesmo período do ano passado, para 447 ocorrências, em 2026. O aumento tem contribuído para ampliar a atuação da Delegacia de Proteção ao Animal (Depama) e reforça o papel da população no combate a este tipo de crime.
À frente da delegacia, o delegado Hugo Leonardo Melo explica que o trabalho da unidade vai além dos casos envolvendo animais domésticos. “O Departamento da Polícia Civil foi criado em 2021 para apurar não só crimes de maus-tratos, mas, também, crimes contra o meio ambiente, como danos à fauna, à flora e descarte irregular de resíduos sólidos, mas o grosso das denúncias ainda é relacionado aos maus-tratos contra animais”, destaca.
Durante as diligências, equipes policiais percorrem bairros da capital para verificar denúncias e coletar provas. O trabalho exige preparo técnico e sensibilidade, já que muitas ocorrências envolvem situações de vulnerabilidade e condições precárias de criação dos animais.
“Investigamos muitos casos de maus-tratos contra cães e gatos, mas também contra cavalos, principalmente em situações envolvendo carroceiros. São animais submetidos a esforço excessivo, falta de alimentação adequada e ausência de cuidados básicos”, destaca o delegado.
Além disso, práticas como abandono, falta de alimentação, ausência de atendimento veterinário e acorrentamento contínuo também são consideradas crimes. “Um animal acorrentado o tempo todo, sem abrigo adequado, também está em situação de maus-tratos. Muitas pessoas ainda não têm essa consciência”, ressalta o delegado.
Segundo o delegado, a legislação mais recente tem permitido uma atuação mais rigorosa. “Hoje, a pena pode chegar de dois a cinco anos de reclusão, podendo haver prisão em flagrante. Em casos mais graves, quando há morte do animal, essa pena pode ser aumentada”, afirma.
Atuação
Além da investigação, os policiais que atuam diretamente nas diligências lidam com desafios como o acesso a locais denunciados, resistência de tutores e a necessidade de agir rapidamente para garantir o resgate dos animais.
Nos casos confirmados, os animais são resgatados e passam por um fluxo de atendimento, como explica Hugo Leonardo. “Eles são encaminhados ao Centro de Zoonoses, passam por avaliação e, depois, seguem para ONGs, onde ficam disponíveis para adoção”, frisa.
A rotina intensa também impacta quem atua diretamente na delegacia. A oficial investigadora Adriele Silva Santos Souza destaca o volume de ocorrências. “A demanda é muito alta. O que ainda falta é informação. Muitas pessoas não sabem que determinadas atitudes são maus-tratos, como o abandono, que é uma das situações mais comuns que a gente encontra”, afirma.
Ela também chama atenção para o uso indevido das denúncias. “Infelizmente, há muitos casos que não procedem, o que acaba desviando a equipe de situações realmente graves”, completa.
Resgate
Após o resgate, os animais recebem cuidados até estarem aptos para adoção. O trabalho envolve diferentes profissionais, desde policiais até equipes de apoio. Responsável pelo cuidado diário dos animais na unidade, Robson Luiz da Silva relata a realidade dos casos. “A maioria chega muito traumatizada. A gente cuida, alimenta e dá um tempo para que eles se acalmem. Muitos sofreram maus-tratos, mas, aqui, são bem tratados até conseguirem um novo lar”, conta.
Já a estudante de Veterinária Jully Loeser atua no atendimento inicial dos animais resgatados. “Eles chegam assustados e debilitados. A gente faz os primeiros socorros, curativos e dá o suporte necessário. Com o tempo, eles vão se acalmando e entendendo que não vão mais sofrer”, explica.
Denúncia
Grande parte das ações da Depama começa a partir de denúncias feitas pela população. O principal canal é o Disque Denúncia 181, que permite o registro de forma anônima, mas não é o único caminho. “As denúncias também podem ser feitas por meio de boletim de ocorrência presencial na delegacia ou de forma online. Todas são apuradas pelas equipes. A denúncia pode ser feita com fotos, vídeos ou áudios, o que facilita a comprovação e agiliza o nosso trabalho. A gente checa todas as informações recebidas”, pontua Hugo Leonardo.
O delegado reforça que o aumento de 30% nos registros está diretamente ligado à conscientização da sociedade. “A divulgação e o trabalho da imprensa ajudam a população a entender o que são maus-tratos. Isso faz com que mais pessoas denunciem e contribuam com a nossa atuação”, afirma.
Por meio da Depama, o Governo de Sergipe atua para a proteção animal, aliando fiscalização, conscientização e resposta rápida às denúncias da população. Com isso, o trabalho da delegacia evidencia que o combate aos maus-tratos depende da atuação integrada entre poder público e sociedade.












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