Friday, 08 de May de 2026
28°

Tempo limpo

Salvador, BA

Geral Legislativo - MS

Telas: Semana promove conscientização quanto ao uso excessivo de eletrônicos por crianças

Zero telas ou uso livre? O debate entre especialistas nas redes sociais ascende a campanha de conscientização pelo equilíbrio no uso de celulares, ...

08/05/2026 às 16h23
Por: Redação Fonte: Assembleia Legislativa - MS
Compartilhe:
Confira o Guia que recomenda o tempo de uso máximo para cada faixa etária - sendo jogos online sempre com supervisão
Confira o Guia que recomenda o tempo de uso máximo para cada faixa etária - sendo jogos online sempre com supervisão

Zero telas ou uso livre? O debate entre especialistas nas redes sociais ascende a campanha de conscientização pelo equilíbrio no uso de celulares, tablets e computadores por crianças e adolescentes. No campo da ciência a cada dia estudos comprovam o aumento de casos de miopia, distúrbios do sono e sedentarismo, além dos impactos no desenvolvimento de habilidades sociais básicas, como aponta o Relatório #MenosTelas #Mais Saúde , organizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria.

Por meio da Lei Estadual 6.092/2023, de autoria do ex-deputado João César Mattogrosso, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) autoriza a promoção da Semana Estadual de Conscientização e Prevenção aos males causados pelo uso intenso de telas por bebês e crianças, com ações do poder público voltadas a manter o diálogo sobre a questão, que tem preocupado quem estuda sobre o desenvolvimento infantil.

Dados recentes do Projeto PIPAS , a partir de pesquisa feita em 13 capitais brasileiras em domicílios com crianças de até 5 anos, apontam que não há nenhum livro em 24% das residências, mas em 33,2% delas há crianças nessa faixa etária que assistem a programas ou jogam na TV, no smartphone e/ou no tablet por mais de duas horas diárias.

Existe muita diversão além das telas e a forma mais eficiente é encontrar o equilíbrio  junto aos cuidadores e amigos. É o que propõe o Guia Nacional sobre o Uso de Dispositivos Digitais elaborado pelo Governo Federal para orientações aos pais e educadores sobre o assunto. O que o documento indica:

Continua após a publicidade
Arte: Gustavo Del Pino / Informações: Governo Federal
Arte: Gustavo Del Pino / Informações: Governo Federal

0 a 2 anos

Evitar ao máximo – sem necessidade de telas. Por encontrarem-se em um período crítico e de rápido desenvolvimento linguístico, cognitivo e emocional, até os dois anos de idade podem sofrer sérios prejuízos se expostos a telas, especialmente por longos período. Outras formas de interação tais como o brincar, a relação face a face com as pessoas cuidadoras e familiares e a exposição a músicas e livros devem sempre ser priorizadas nessa faixa etária.

Continua após a publicidade

2 a 5 anos

Tempo limitado a 1h por dia, sempre com supervisão dos pais.

Continua após a publicidade

O foco ainda é a interação social. Em 2016 foi instituído o  Marco Legal da Primeira Infância , que estabeleceu princípios e diretrizes para a criação e a adoção de políticas públicas para crianças com até seis anos. Esse marco reconhece a relevância dos primeiros anos de vida no desenvolvimento infantil e no desenvolvimento do ser humano. 

Arte: Gustavo Del Pino / Informações: Governo Federal
Arte: Gustavo Del Pino / Informações: Governo Federal

6 a 10 anos

Tempo limitado de 1h a 2h por dia. Ainda assim, o Guia aponta que é fundamental que as famílias busquem equilibrar o tempo passado em atividades online com atividades externas.

11 a 17 anos

Limitar o tempo de telas e jogos de videogames a 2h a 3h por dia e nunca deixar “virar a noite” jogando. Não permitir que as crianças e adolescentes fiquem isolados nos quartos com televisão, computador, tablet, celular, smartphones ou com uso de webcam, deixando o uso nos locais comuns da casa.

Para todas as idades: nada de telas durante as refeições e desconectar 1h a 2h antes de dormir.

Socialização e autonomia

A pedagoga e mestre em Educação, Magda Maciel cita os benefícios de menos telas e mais interação social com a proibição do uso de celulares nas escolas. “Foi preciso ter uma proibição grande para resgatar o que não acontecia mais. Eles passam muito tempo na escola, fora o tempo que usavam os celulares em casa. Então agora vemos eles falando mais, interagindo mais, voltando para as brincadeiras e jogos que estavam se perdendo. Recentemente vi no Nordeste que colocaram música e os adolescentes começaram a dançar. Isso significa a valorização das expressões culturais, que é uma das funções da escola, fazer esse resgate. E como fazer isso se deixarmos ficarem com a cabeça baixa só olhando as telas? Eram todos individualmente em seu tempo, seu cantinho, agora estamos resgatando a socialização e isso é um ganho muito grande, para a Educação, para a família e para a sociedade”, comemorou.

Concomitante a isso, vem o letramento digital no processo progressivo de autonomia, em que conforme amplia-se a faixa etária amplia-se também a liberdade para navegar nas redes online. Amparada pela Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança , a provisão de qualquer medida de proteção infantojuvenil deve incluir a participação na vida em sociedade. Portanto, a Convenção pondera que a autorização para navegar, consumir e produzir no ambiente digital deve ser associada a processos de educação, diálogo e acompanhamento das atividades online, pois as oportunidades também podem expor as crianças a situações de risco.

Uma dessas situações é o cyberbullying. Em 2015, o  Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying)  foi formalizado por lei e previu a modalidade de Bullying Virtual. Isso ocorre quando, no ambiente digital, alguém usa instrumentos próprios desse contexto para depreciar, incitar a violência, adulterar fotos e dados pessoais com o intuito de criar constrangimento psicossocial. 

Acesse o Guia de Uso de Telas para pôr em prática o papel da mediação familiar – veja dicas para isso por este link.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários