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Escola Pedro Martinello é exemplo de que inclusão digital é prioridade do governo do Acre

Escolas públicas estaduais estão conectadas à internet banda larga custeadas 100% pelo governo estadual O mural com mensagens motivacionais afixad...

04/05/2026 às 19h32
Por: Redação Fonte: Secom Acre
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Foto: Reprodução/Secom Acre
Foto: Reprodução/Secom Acre

Escolas públicas estaduais estão conectadas à internet banda larga custeadas 100% pelo governo estadual

O mural com mensagens motivacionais afixado na entrada dá mostras da intensidade com que professores e estudantes encaram com seriedade as atividades diárias da escola de tempo integral Pedro Martinello, no bairro Montanhês, em Rio Branco. Na comunidade – lar de milhares de famílias de baixa renda – pela primeira vez estudantes experimentam uma revolução digital com tablets doados pelo governo do Estado do Acre e aulas especiais de informática que os fazem vislumbrar um mundo totalmente novo, com a interconectividade aliada ao conteúdo da grade curricular do ensino médio.

Estudantes da escola de ensino integral Pedro Martinello posam para foto com tablets doados pelo governo; inclusão digital é uma realidade. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Estudantes da escola de ensino integral Pedro Martinello posam para foto com tablets doados pelo governo; inclusão digital é uma realidade. Foto: Mardilson Gomes/SEE

O esforço conjunto de técnicos da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) – e de várias outras pastas do governo -, desencadeou uma ação inédita na qual todas as escolas da zona urbana de Rio Branco passam a ter 100% do sinal de internet financiado com recursos próprios do estado.

Antes, o governo federal custeava grande parte dos links de acesso à rede mundial de computadores, o que muitas vezes, tornava o processo burocrático e demorado, inviabilizando por meses a oferta de internet na rede pública de ensino.

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Fachada da escola Pedro Martinello no bairro Monstnhês; estudantes são valorizados com aulas e equipamentos que os inserem no mundo digital. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Fachada da escola Pedro Martinello no bairro Monstnhês; estudantes são valorizados com aulas e equipamentos que os inserem no mundo digital. Foto: Mardilson Gomes/SEE

A expansão da conectividade digital nas escolas estaduais é progressiva e irreversível graças à sensibilidade da administração do governo do Estado. Os números do Departamento de Tecnologia da Informação mostram que em 2019, apenas 42% das 185 escolas urbanas de Rio Branco possuíam conexão com a internet. Em 2026, no entanto, esse déficit foi zerado, com 100% integradas à rede.

Estudantes Nayara Ferreira e Thais Palheta utilizam computadores do laboratório da escola para se cadastrarem no Exame Nacional do Ensino Médio. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Estudantes Nayara Ferreira e Thais Palheta utilizam computadores do laboratório da escola para se cadastrarem no Exame Nacional do Ensino Médio. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Também em 2019, a internet nas 270 escolas rurais representava 18,40%. Mas este ano, o percentual subiu para 69,40%, um salto significativo diante dos desafios geográficos impostos pela floresta. Hoje, 57% das 141 escolas indígenas também desfrutam de internet. Por comparação, somente 9% tinham conexão digital em 2019.
Um destaque importante vai para os polos da Universidade Aberta, que teve a sua conectividade dobrada nos últimos sete anos. Foi de 50% para 100%.

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Professor Paulo Wendell Neto entrega tablets aos estudantes Raylisson, Maria Eduarda e Mariana; valorização dos estudantes é sempre o foco dos docentes. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Professor Paulo Wendell Neto entrega tablets aos estudantes Raylisson, Maria Eduarda e Mariana; valorização dos estudantes é sempre o foco dos docentes. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Na escola Pedro Martinello, o professor Paulo Wendell Pinto da Costa, da disciplina de Biologia do 3º ano, ressalta que o nível de conhecimento da maioria dos estudantes sobre computadores na escola era quase zero. Numa era em que terabytes de informações circulam diariamente mundo afora ao alcance de quase todos, é difícil compreender que os jovens estudantes da escola no Montanhês sequer sabiam para que serve um mouse ou não conseguiam dominar as letras, números e acentuações do teclado de um computador.

“Quando descobri isso, sinceramente, pensei que eles estivessem me ‘zuando’. Que estavam com brincadeira. Mas realmente, eles não tinham mesmo noção de como operar um computador”, lembra o educador, que ministra a disciplina de ciência computacional transversalmente à de biologia, utilizando o laboratório de informática da escola. Os números da SEE mostram que em 2019 não havia laboratórios ativos nas escolas. Agora em 2026, eles já são 90 em atividades.

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Nayara Ferreira se diz muito grata por ter na sua escola os mecanismos ideias para se conectar com o mundo. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Nayara Ferreira se diz muito grata por ter na sua escola os mecanismos ideias para se conectar com o mundo. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Antes de conceder entrevista, o professor Paulo Costa auxiliava as alunas Nayara da Silva Ferreira e Thais da Silva Palheta, ambas de 17 anos, do 3º ano, a se cadastrarem na plataforma do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, no curso de Medicina. As duas são exemplo de que o acolhimento digital oferecido pela escola é de excelência. Recentemente, a escola Pedro Martinello, recebeu um novo lote de máquinas mais modernas, ampliando o número de acessos por seus alunos, num pacote que incluiu também uma centena de tablets distribuídos para esses adolescentes.

Estudante Thais Palheta afirma que está satisfeita com os conteúdos pedagógicos transversais. Foto: Pedro Martinello/SEE
Estudante Thais Palheta afirma que está satisfeita com os conteúdos pedagógicos transversais. Foto: Pedro Martinello/SEE

“Se não fosse a internet, os computadores da escola e os professores nos orientando, confesso que nossa vida no digital seria muito mais difícil”, pontua Thais Palheta.

Escola dá show de compromisso com mamãe estudante

O carinho dos educadores da escola Pedro Martinello com a aluna Natacha Araújo, 17 anos, é o exemplo mais sublime de como a instituição trata com total atenção a comunidade local.

Apesar de pouca idade, Natacha é mãe com ‘M’ maiúsculo. É que ela nunca deixa para trás a obrigação com Manuela, a sua bebê de pouco mais de um ano que a acompanha nas aulas quase todos os dias.

“Até outro dia, eu nunca tive informática, não. E sei muito pouco ainda. Aprendi mais no curso que nós fizemos no ano passado, quando o professor me ensinou mais ou menos. Agora, estou gostando muito, né! Porque é uma coisa que nós não tinha (sic) muito contato. Agora nós estamos tendo, aprendendo”, diz ela com toda a paciência do mundo, segurando a neném no colo.

Natacha com a sua bebê em aula de aplicativo de texto; ela se sente muito valorizada pela escola. Foto: Jorge William/SEE
Natacha com a sua bebê em aula de aplicativo de texto; ela se sente muito valorizada pela escola. Foto: Jorge William/SEE

Como é que é ter que trazer a criança com você para a escola? – é a pergunta.

“É muito dificultoso (sic) por conta de que eu moro longe e não tem transporte. Aí, a gente vem andando. Muitas vezes, como hoje, eu não consegui trazer o carrinho por conta que minha rua tá em reforma. Aí, está só a lama e eu tive que vir com ela no braço”, responde a jovem mãe.

“Quando eu não posso vir, eles deixam para eu entregar a atividade outra vez. Também quando a neném está ruim [de saúde], não preciso está trazendo atestado porque eles já entendem que a situação é sobre a criança. Eles são muito compreensivos”.

Natacha já pensou em desistir das aulas de informática. “Eu não ia vir para esta por conta que ela [Manuela] estava dormindo. Aí, o professor pegou e me ajudou com as coisas. Veio e me trouxe da sala normal. Ele trouxe as minhas coisas”.

Quem não tem celular ‘caça’ com o tablet

Ao contrário do senso comum, nem todo adolescente tem expertise em internet, hoje em dia. Nas escolas da preferia de Rio Branco, ainda há uma parcela considerável de jovens, cujo poder aquisitivo não lhes permite ter um bom celular configurado com aplicativos e um sistema de internet.

“Muitos aqui nem aparelho celular possuem. E nesta hora, a escola preenche essa lacuna”, explica a gestora da escola, Gercinei Barros de Souza.

Gercinei Souza, gestora da escola Pedro Martinello. “Aqui, somos todos compromissados com a excelência para os estudantes”. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Gercinei Souza, gestora da escola Pedro Martinello. “Aqui, somos todos compromissados com a excelência para os estudantes”. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Ela completa, dizendo: “aqui, os nossos professores estão todos imersos neste esforço de ensiná-los a manusear editores de texto, a fazê-los entender sobre planilhas como o Excel e a navegar por sites educativos, independentemente de um aluno ter ou não condições de acesso ao mundo digital de forma individualizada”. Em um trocadilho com o velho ditado de quem “não tem cão caça com gato”, a máxima também vale pra aqueles que não têm celular, mas receberam os tabletes.

Estudantes como Raylisson Adrian Costa de Castro, de 16 anos, aluno do 1º ano, que pretende fazer um curso de marketing digital a partir de agora, e as colegas de sala Mariana Gabrielly de Lima Rego, 14 anos, e Maria Eduarda Carvalho da Silva, 17, receberam os equipamentos das mãos do professor Paulo Wendell da Costa, nesta semana.

Estudante Raylisson de Castro: “As aulas complementares aqui nos oferecem a oportunidade de escolher uma profissão na área digital”. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Estudante Raylisson de Castro: “As aulas complementares aqui nos oferecem a oportunidade de escolher uma profissão na área digital”. Foto: Mardilson Gomes/SEE

“É muito bom quando temos o apoio da escola. Estou gostando muito de estar planejando minha carreira desde agora e podendo utilizar o tablet como ferramenta”, comemora o garoto.

Para Mariana, que se tornará advogada, os primeiros passos para uma carreira promissora estão sendo dados agora, com a iniciação a recursos como o Word, para escrever, e o Excel para produzir planilhas.

Mariana, Raylisson e Maria Eduarda. Estudantes tem toda a atenção possível da sua escola, sobretudo na área digital. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Mariana, Raylisson e Maria Eduarda. Estudantes tem toda a atenção possível da sua escola, sobretudo na área digital. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Sobre isso, ela diz: “eu não tenho palavras para dizer do quanto estou feliz por ser incluída neste projeto. Pode parecer comum para o estudante cujos pais têm um poder aquisitivo melhor. Mas para nós, era algo quase impossível, considerando a nossa realidade”.

Além de centenas de tablets entregues aos estudantes, o laboratório da escola recebeu mais de uma dezena de computadores novos, possibilitando a inclusão digital de pelo menos 345 estudantes do tempo integral e outros 131 da Educação de Jovens e Adultos, no período noturno, modalidade de ensino no Brasil voltada àquelas pessoas que não concluíram o ensino fundamental ou o médio na idade regular.

Maria Eduarda se diz orgulhosa com o empenho de todos os professores. “Me sinto acolhida no mundo digital”. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Maria Eduarda se diz orgulhosa com o empenho de todos os professores. “Me sinto acolhida no mundo digital”. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Até o final do ano, serão mais de R$ 900 mil investidos em conectividade

O governo já está investindo quase R$ 1 milhão em internet banda larga para a Educação, com todas as escolas sendo contempladas até o fim do ano. Segundo ressalta José Carlos Neto, chefe do Departamento de Tecnologia da Informação os recursos são de fontes 100 e 300 se estenderão também em breve para as escolas da zona rural e do interior do estado.

Estudantes conferem seus tablets doados pelo governo do Estado, que já fornece internet 100% financiada com recursos próprios às escolas da zona urbana de Rio Branco. Foto: Mardilson Gomes/SEE
Estudantes conferem seus tablets doados pelo governo do Estado, que já fornece internet 100% financiada com recursos próprios às escolas da zona urbana de Rio Branco. Foto: Mardilson Gomes/SEE

Até agora, para as escolas da zona urbana de Rio Branco, o investimento do estado foi de R$ 350 mil, mas alcançará mais de R$ 900 mil até o final de 2026, para contemplar todas as escolas da zona rural e parte das instituições nas cidades do interior. Serão R$ 950 mil gastos na interconectividade das instituições da Educação estadual, incluindo a doação de tablets aos estudantes.

“O bom disso tudo é que a internet é de alta qualidade, com banda larga e fibra ótica de alta velocidade”, afirma Neto. Os próximos a serem beneficiados serão os centros de atividades com foco em estudantes de altas habilidades, os centros de Educação Especial e as representações da SEE no interior do estado”, pontua o técnico da SEE.

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