
“Assim como eu, nem todo mundo tem condições de comprar um carrinho e uma roupa para sair da maternidade”, diz Jéssica Paula Mamede, de 28 anos, moradora de Itaperuçu, cidade da Região Metropolitana de Curitiba. Ela e outras 4.538 mães já receberam kits de enxoval pelo programa Nascer Bem Paraná, que visa apoiar famílias em situação de vulnerabilidade, reduzir desigualdades e promover um início de vida mais digno e saudável para as crianças paranaenses.
A iniciativa do Governo do Estado une a entrega de itens essenciais para os primeiros meses — como carrinhos, roupas e produtos de higiene — ao acompanhamento intersetorial de gestantes e bebês.
Jéssica, que já é mãe de quatro crianças (de 13, 10, sete e quatro anos), conta que, após o susto da descoberta da nova gestação, surgiu a preocupação sobre como adquirir o básico para os recém-nascidos. A resposta veio por meio de uma mensagem. “Uma amiga viu uma postagem da prefeitura sobre o projeto e me avisou. Fui até o CRAS (Centro de Referência de Assistência Social) e fiz meu cadastro no programa. Em menos de um mês, recebi o kit. Como estou esperando dois bebês, vou receber um para cada”.
A entrega dos materiais proporciona bem-estar físico e emocional, além de fortalecer o vínculo entre mãe e filho, garantindo conforto e tranquilidade. Para Jéssica, o projeto foi essencial para trazer serenidade aos primeiros dias com os gêmeos, que se chamarão Henry Manoel e Ravi Miguel.
“O kit chegou na hora certa. Para a gente que precisa, toda ajuda é bem-vinda. O enxoval é ótimo, as roupas muito boas, tem brinquedo, mordedor, termômetro e o carrinho, que vai ajudar muito”, afirma.
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CUIDADO INTEGRAL– Além do suporte material, o Nascer Bem Paraná se destaca pelo enfoque na saúde e assistência social. Por meio das secretarias municipais, o programa monitora gestantes a partir da 28ª semana, puérperas até 30 dias após o parto e crianças nos seus mil primeiros dias de vida — período decisivo para o desenvolvimento humano.
“O programa nasceu com foco nas famílias que mais precisam para garantir dignidade para a mãe e recém-nascido”, afirma a diretora-geral da Secretaria estadual do Desenvolvimento Social e Família, Luiza Simonelli. “O programa quer oferecer para pessoas em vulnerabilidade um carrinho e o que chamamos de enxoval, que são roupas, trocador e babadores. Mas, para além, há o trabalho em conjunto com o município que garante que a mãe e criança sejam assistidas”, explica.
Esse acompanhamento é fundamental em casos de gravidez de alto risco, que envolvem doenças prévias ou adquiridas, além de fatores socioeconômicos que elevam as chances de complicações para a mãe ou o feto. Eloísa Costa Rosa, de 24 anos, vivenciou essa assistência.
Embora o início da gestação tenha sido tranquilo, na reta final ela foi diagnosticada com pré-eclâmpsia (pressão alta), o que antecipou o parto. “Eu já era acompanhada pelo CRAS e, após a inscrição no programa, as equipes de Assistência Social e Saúde aumentaram o cuidado com a gente. Elas faziam visitas durante a gravidez e continuam vindo até agora, com a Eloá já aos quatro meses”.
Mãe de outras duas crianças, de cinco anos e um ano e meio, Eloísa reconhece a importância desse apoio. Ela conta que, por meio do acolhimento, consegue orientações adequadas às necessidades dos filhos. “Meu menino é autista e, pelas conversas, entendo os direitos dele e os benefícios a que pode ter acesso”.
NASCER BEM PARANÁ – Atualmente, o programa é uma das principais políticas públicas de proteção à primeira infância do Estado. O investimento total é de R$ 10 milhões e a projeção é entregar 16 mil kits em 222 cidades. Os municípios foram selecionados pela Secretaria do Desenvolvimento Social e Família (Sedef) com base em indicadores sociais e nas médias de nascimentos entre 2020 e 2023, priorizando regiões com maior vulnerabilidade.
A distribuição dos materiais segue um cronograma gradual, obedecendo a critérios como o Índice de Vulnerabilidade das Famílias (IVF-PR), Índice de Desempenho Municipal (IPDM), taxa de mortalidade infantil e adesão ao pré-natal. A execução ocorre em parceria com as gestões municipais, mediante adesão formal.
Para participar do Nascer Bem Paraná, as beneficiárias devem estar com o pré-natal em dia; estar inscritas no CadÚnico; receber o benefício do Bolsa Família ou do Programa Bolsa Família na Saúde; manter o esquema vacinal completo.
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