
O Governo do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Sesapi), realizou neste sábado (25) um mutirão de atendimento a crianças com microcefalia no Hospital Infantil Lucídio Portella (HILP). A ação contou com equipe multiprofissional para avaliação clínica, análise do desenvolvimento e encaminhamentos especializados, reunindo cerca de 50 crianças.
A iniciativa integra as estratégias de fortalecimento da rede de assistência e atualização do acompanhamento dessas crianças no estado.
Durante o mutirão, foram realizadas avaliações médicas, terapêuticas e sociais, garantindo uma análise ampla das necessidades de cada paciente. Também houve emissão e atualização das carteiras de identificação, importantes para o acesso a direitos e serviços.

A diretora-geral do HILP, Dra. Leiva Moura, destacou que a ação amplia o alcance da assistência. “Buscamos garantir acompanhamento contínuo e qualificado, além de identificar demandas que nem sempre chegam formalmente à rede”, afirmou.
A pediatra Isabel Marlúcia reforçou a necessidade de cuidado integrado. “São pacientes que exigem acompanhamento multidisciplinar permanente, com avaliação neurológica, suporte terapêutico e atenção social”, explicou.
O superintendente de Média e Alta Complexidade da Sesapi, Rafael Alencar, destacou a importância da ação para a gestão da rede. “A atualização dos dados permite identificar lacunas e direcionar melhor os recursos disponíveis”, disse.

O cirurgião ortopédico Ribamar Bandeira ressaltou a importância do acompanhamento especializado. “A microcefalia pode estar associada a alterações neurológicas que comprometem a mobilidade e o desenvolvimento ósseo, tornando o acompanhamento ortopédico fundamental para a qualidade de vida dessas crianças”, explicou.
Além do atendimento clínico, houve avaliação das condições socioeconômicas das famílias, com foco no acesso a benefícios e inclusão social. Os pacientes serão encaminhados para serviços adequados na rede estadual.
A dona de casa Celina Lopes relatou os desafios após o diagnóstico do filho. “Foi um baque quando soube, logo no nascimento. Desde então, me dedico integralmente aos cuidados dele”, contou.

O mutirão também revisitou casos relacionados à infecção pelo Zika vírus, anos após a epidemia. Entre 2015 e 2017, o Brasil registrou aumento significativo de casos da Síndrome Congênita do Zika. No Piauí, foram 106 registros, sendo que cerca de 70 crianças seguem em acompanhamento e participaram da ação.
A iniciativa também permitiu identificar demandas por reabilitação, uso de tecnologias assistivas e outros atendimentos especializados, contribuindo para o aprimoramento das políticas públicas voltadas a esse público.
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