
A manhã desta quarta-feira, 22, foi marcada por uma intensa mobilização na Unidade de Saúde da Família (USF) Laranjeiras. Em alusão ao “Abril Vermelho”, mês de conscientização sobre a hipertensão arterial, a unidade promoveu um “Dia D” repleto de serviços voltados ao público hipertenso, incluindo palestras educativas, consultas multiprofissionais e busca ativa de pacientes.
Durante toda a manhã, a agenda da unidade foi dedicada exclusivamente aos pacientes hipertensos da área assistida e também àqueles que ainda não possuem cadastro. Além das consultas médicas e de enfermagem, os usuários passaram por verificação de pressão arterial, classificação de risco cardiovascular, acompanhamento multiprofissional e dispensação de medicamentos.
“Nosso trabalho na USF é na base. Os Agentes Comunitários de Saúde (ACS) fazem o acompanhamento nas residências e, quando o paciente vem à unidade, é para a parte de controle e medicação”, explicou Eliene Gonçalves Reis Silva, gerente da USF Laranjeiras. Segundo ela, a ação contou com o apoio de dez agentes das três equipes da unidade, que atuaram tanto no auditório quanto na recepção, distribuindo panfletos e orientando quem aguardava atendimento.


Para quem depende do serviço, o “Dia D” é uma oportunidade de reforçar o autocuidado. É o caso de Maria de Jesus Chaves, de 66 anos, que é acompanhada pela unidade desde que se mudou para Marabá. “Sempre busco ajuda aqui. Confiro a pressão, diabetes e recebo o remédio. O atendimento é maravilhoso e o pessoal sempre me orienta a tomar a medicação certa, fazer regime e caminhada”, contou a paciente.


O enfermeiro Matheus Noleto de Almeida conduziu uma palestra educativa destacando o caráter silencioso da hipertensão. “É uma condição que muitas vezes não apresenta sintomas aparentes, por isso o diagnóstico precoce e o acompanhamento regular são vitais”, alertou. O agente de saúde Samuel Oliveira Silva, que também é paciente, reforçou que a atenção deve ser redobrada: “Aprendemos que, para a pressão ser normal, deve estar abaixo de 12 por 8”.


Para a médica clínica geral Vaildes Gomes, que atua na unidade há três anos, a medicação não deve ser a primeira opção em todos os casos. “Pressão alta não é sinônimo de medicação. Primeiro tentamos a mudança no estilo de vida. Se o paciente muda os hábitos, conseguimos manter a pressão boa e, em muitos casos, até reduzir a dosagem dos remédios”, afirmou a médica, destacando que caminhadas diárias de 30 minutos já geram grandes resultados.


Vaildes ressaltou que a hipertensão tem um forte componente genético, mas que o comportamento individual pode “mudar a genética” das próximas gerações. “Caminhar 30 minutos por dia já faz toda a diferença. Não precisa de academia nem dinheiro, basta começar. O difícil é o início, mas o corpo passa a pedir mais”, incentivou.
Busca ativa e Hiperdia
A USF Laranjeiras utiliza o programa Hiperdia para monitorar pacientes com hipertensão e diabetes. A equipe realiza buscas ativas constantes para garantir que os usuários retornem à unidade a cada seis meses para renovação de receitas e avaliação clínica. Na área de atuação da dra. Vaildes, por exemplo, são acompanhados cerca de 200 hipertensos e 193 diabéticos, evidenciando a necessidade de ações contínuas de prevenção e controle.








Texto: Fabiana Alves
Fotos: Paulo Sérgio Santos
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