
O Governo do Estado, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa e ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Maranhão (Fapema), registrou um salto histórico no incentivo a projetos voltados aos povos indígenas. O volume de recursos passou de R$ 250 mil em 2023, para mais de R$ 2.2 milhões, em 2025 - um crescimento de 791% no período. Ao todo, o valor consolidado entre 2023 e 2026 já soma R$ 3,6 milhões.
Os investimentos mostram uma atuação estratégica em diferentes frentes, promovendo o encontro entre saberes ancestrais, rigor acadêmico e inovação tecnológica.
A maior parcela dos recursos foi destinada ao eixo de Educação e Formação, que concentra 29,24% do orçamento recente. Mais de R$ 1 milhão aplicado em estudos pedagógicos, letramento e formação intercultural. Entre as iniciativas, destaca-se projeto inédito no país, e no mundo: a criação da primeira universidade indígena em território tradicional.
Coordenado pelo Instituto Tukàn, com apoio da Fapema, o projeto integra conhecimentos ancestrais e científicos, em um modelo inovador de educação superior.
A proposta foi estruturada a partir de escutas participativas com lideranças, anciãos e professores indígenas, que contribuíram para elaboração do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). O documento que define a identidade, diretrizes pedagógicas e organização da futura instituição.
Diferente de cursos interculturais já existentes, a universidade será implantada dentro da terra indígena, permitindo que os estudantes permaneçam em suas comunidades durante a formação. Segundo o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatistica (IBGE), a população indígena do Maranhão ultrapassa 57 mil pessoas, distribuídas em 210 municípios, sendo Amarante a cidade com maior concentração.
A universidade indígena responde às demandas específicas dessa população, criando um espaço voltado ao fortalecimento cultural e ao desenvolvimento sustentável.
O presidente da Fapema, Nordman Wall, ressalta que o apoio a iniciativas como essa reforça o compromisso com uma ciência inclusiva. “O conhecimento não é uma via de mão única. Valorizar a autonomia dos povos indígenas na produção de sua própria ciência, em seus territórios e sob sua própria perspectiva, é uma prioridade. Essa troca enriquece nosso patrimônio intelectual e contribui para soluções sustentáveis”, afirma.
Inovação e saúde nas comunidades tradicionais
Por meio de investimentos em inovação e empreendedorismo, a Fapema também apoia projetos que conectam ciência de ponta às necessidades reais dos territórios. Um exemplo é o aplicativo Demedia Diabetes, desenvolvido pela empresa Demedia Tecnologia em Saúde e apoiado pelo edital Maraintech.
A iniciativa capacitou Agentes Indígenas de Saúde (AIS) para o uso da plataforma no monitoramento de pacientes, integrando acompanhamento clínico ao respeito às especificidades culturais e geográficas da Amazônia Legal. O sistema combina dados sociais e históricos de saúde para identificar precocemente possíveis complicações.
Esse conhecimento permite adotar estratégias personalizadas de autocuidado e contribui para a redução de desigualdades no acesso à tecnologia. Além do Maraintech, a Demedia Tecnologia em Saúde contou com suporte dos programas Inova Amazônia e Startup Nordeste, realizados em parceria com o Sebrae.
Para a coordenadora de Inovação e Empreendedorismo da Fapema, Isaura Modesto, o apoio confirma o papel social da inovação. "Investir em soluções como essa é garantir que o avanço tecnológico seja inclusivo. A inovação precisa estar a serviço das pessoas, respeitando e dialogando com os saberes tradicionais”, destaca.
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