
Estudantes do Colégio Estadual Herbert de Souza, em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, participaram nesta semana do plantio de um cinturão verde às margens do Rio Avril, no entorno da escola. A ação é resultado direto de uma pesquisa desenvolvida em sala de aula e que agora se consolida como intervenção concreta de recuperação ambiental.
A atividade foi desenvolvida ao longo de 2025, como parte do Clube de Ciências da escola, onde os estudantes realizaram o monitoramento da qualidade da água do rio, com coleta de amostras, análise de parâmetros físico-químicos e observação de impactos ambientais. A partir dos dados, foram identificados problemas como poluição, mau odor, ausência de vegetação ciliar e presença de resíduos.
A partir desse diagnóstico, os próprios alunos propuseram soluções para melhorar as condições do local, com destaque para a implantação de uma cortina verde, espécie de barreira de vegetação plantada às margens do rio, com objetivo de criar uma zona de proteção contra erosão e poluentes diretos.
“A recomposição da vegetação nas margens dos rios, conhecida como mata ciliar, é fundamental para a preservação dos cursos d’água. As plantas ajudam a conter processos erosivos, reduzem o assoreamento e atuam como barreiras naturais, filtrando poluentes antes que cheguem ao rio”, afirma Pauline Fernandes, professora orientadora do projeto.
“Além disso, a presença de vegetação contribui para a melhoria da qualidade da água, favorece a biodiversidade e auxilia na regulação térmica do ambiente. A implantação do cinturão verde no Rio Avril segue esse princípio, com espécies escolhidas para fortalecer o solo, reduzir odores e contribuir para a recuperação gradual do ecossistema”, destaca.
“O que vemos aqui é a escola cumprindo um papel que vai além da sala de aula, formando cidadãos conscientes e capazes de intervir na realidade em que vivem”, diz o secretário de Estado da Educação, Roni Miranda. “Esse projeto mostra, na prática, como a educação pode transformar o território, unindo conhecimento científico, responsabilidade ambiental e protagonismo dos estudantes”.
DA TEORIA À PRÁTICA- A observação atenta do ambiente ao redor da escola foi o ponto de partida para a mobilização que uniu alunos, professores e poder público em torno de um objetivo comum: transformar um problema cotidiano em solução concreta. Incomodados com as condições do ambiente próximo e os impactos percebidos pela comunidade, estudantes levaram a questão para a sala de aula, dando início a um processo investigativo que rapidamente se transformou em ação coletiva.
“O projeto iniciou no início do ano passado, lá por março, abril. Tem um parquinho aqui e o cheiro era muito forte. Os alunos identificaram esse problema e trouxeram a questão para a sala de aula. Foi a partir do questionamento do papel da escola neste contexto que foi lançado o desafio”, afirma a professora Pauline.
A partir do mapeamento do perfil físico-químico do rio e levantamento de informações como PH e nível de contaminação, a pesquisa foi desenvolvida. “Chegando no perfil de qualidade da água, a gente sabia dizer o que tinha e o que não tinha nesse rio. Assim conseguimos entender o que seria possível fazer”, acrescenta.
A iniciativa foi viabilizada com apoio da Secretaria de Estado da Educação (Seed) e da Prefeitura de São José dos Pinhais, por meio das Secretarias Municipais de Meio Ambiente e da Juventude, que fizeram a limpeza da área e forneceram as mudas. “Quando vemos jovens como esses que estão aqui hoje, trabalhando em prol da comunidade, construindo projetos para melhorar o meio ambiente, melhorar a estrutura de um futuro, a gente fica muito contente”, disse Ruliana Caldera, coordenadora da Secretaria da Juventude.
A articulação entre escola e poder público permitiu o atendimento da demanda apresentada pela comunidade escolar, com serviços de limpeza no entorno do rio e a disponibilização das mudas para o plantio.
“Para mim é gratificante, porque eu estou aqui desde o ensino fundamental, desde o sexto ano, e estar nesse projeto é muito bom, porque eu queria realmente participar de algo que fosse mudar aqui a comunidade, ajudar a escola, tudo isso”, afirma a aluna do 3.º ano Débora Ferreira Alves, de 16 anos.
A expectativa é que a intervenção contribua para a melhoria da qualidade da água, recuperação da biodiversidade e valorização do espaço pela comunidade, com continuidade do monitoramento pelos estudantes. Como desdobramento das ações de sustentabilidade, o colégio contará com a instalação de um ecoponto de reciclagem, prevista para maio de 2026. O espaço será destinado ao descarte correto de materiais recicláveis, como papel, papelão, plástico, vidro, alumínio e isopor, que devem ser previamente higienizados antes do descarte.
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